Sobre a Globalização

Sobre a Globalização

Lucas Sena

Graduando em Ciência Política e membro do PET POL

maxresdefault.jpgEmbora, hoje, a noção de que o processo de Globalização tenha começado no período das grandes navegações, por conta da possibilidade que se deu a partir daí de contato entre várias partes do globo, sobretudo no que toca ao avanço do comércio intercontinental, impulsionado com as relações entre colônia e metrópole, segundo Milton Santos (2009), ela se trata de uma época nova. Época nova porque não se trata apenas de mera repetição de ciclos históricos, mas de criação do novo regido pela técnica e impulsionado pelo capital.

              Atrelado ao conceito geográfico de Lugar, o processo conhecido por Globalização encurtou distâncias e até mesmo, por meio de suas técnicas, criou novos meios, como o meio tecnológico, que, por exemplo, apresenta espaços ainda não alcançáveis pelo homem. Tendo o lugar uma significação importante para a Globalização, os lugares estão sujeitos às ações humanas. São eles a principal artimanha para impulsionar o avanço e a importância criada pelo capital. Esse processo ainda em transição impôs uma necessidade de especialização do local para determinado tipo de trabalho ou exploração. O avançar das técnicas tem feito o trabalho sair do patamar braçal e entrar num patamar mais sofisticado de técnica e mais voltado à obtenção de recursos financeiros.

            Percebe-se que não é de hoje que a busca por novas terras tem sido pauta de destaque, seja para exploração, habitação, inovação, disputas, etc. As colônias de exploração na África e na América são apenas um pouco da primeira fase desse processo que se diz homogeneizador e superior. A segunda fase se deu com o desenvolvimento da técnica. A criação de novas formas de produção, mais rápidas e que demandavam menos gastos com mão-de-obra, será vista como o símbolo do avanço desse processo. O capitalismo, desse modo, surge como o sistema que substitui o antigo modo de produção e que passa a ditar as regras no mundo de hoje, ou melhor, no globo.

            Ainda sobre esse processo em decorrência, nem a independência das colônias foi capaz de colocá-las totalmente nesse processo globalizante, haja vista a necessidade de adequação ao meio internacional, que era imposto a partir das ondas revolucionárias na indústria, na cidade, na cultura. A Europa era o centro do mundo no que diz respeito ao capital tecnológico e científico. A emancipação das colônias atrelada à reestruturação da produção para suprir as necessidades da economia-mundo pode ser facilmente entendida como a terceira fase da globalização. A Globalização, assim, passa a ser um fenômeno que se baseia em produção em grande escala, de modo a chocar interesses estatais.

            O mundo do trabalho se viu em constante influência do avanço da técnica e do capital. Assim, o globo se dividiu de acordo com o poderio econômico de cada Estado. Isto é, o Norte, local de criação de técnicas universais e de forte predominância científica, se apresenta como desenvolvido em relação ao Sul, que recentemente teve reconhecido algumas nações como independentes, porém, dependentes em relação a tudo que é imposto pelo Norte. Acerca disso, Santos (2009) afirma que a Sociedade global que, por sua vez, devia dispor de muitos elementos em comum que impulsionassem a integração econômica, social, cultural e política, se trata de uma sociedade cada vez mais hierárquica, onde os ganhadores escondem seus discursos de “maus” e fortalecem a lógica escondida de baixo do tapete. Exemplo disso é como a cultura de alguns países, que dizem se colocar numa posição de integração, se coloca num lugar de substituição de culturas ou simplesmente a colocam como mercadoria. Aquela que vende mais é a que se pode chamar de cultura universal, por exemplo. A Globalização, portanto, diferente de como se apresenta, se mostra como um processo permeado por desigualdades e como fenômeno imposto sob atenuações das disparidades entre os agentes. Esse modelo entendido como globalizante impõe um processo que ocorre de cima para baixo, como diria Santos (2009), de modo a se tornarem cada vez mais explícitas as diferenças entre as regiões Norte e Sul e impulsionado pela necessidade de uma nova colonização, onde a dependência é apenas mais um fator.

            Para além disso, o Sul continua sendo um lugar de exploração do Norte, pois é um local de fácil acesso a mão-de-obra desqualificada e barata, além de governos inquietos por serem reconhecidos como potências. A Globalização hoje tem se mostrado um processo de fortalecimento do imperialismo tanto da Europa, quanto dos EUA sobre os países em desenvolvimento, subdesenvolvidos, emergentes ou, como era conhecido e chamado pelos países-potências, terceiro mundo. O mercado de trabalho tem necessitado cada vez mais de especializações que põem em risco aqueles que não conseguem se especializar, como é o caso de muitos países independentes politicamente, mas dependentes de tecnologia e capital. O lugar desses países tem sido o de coadjuvantes nesse processo, haja vista o protagonismo das potências atentas a explorar o máximo possível do território dos países chamados por eles de inferiores.

            Por fim, vale ressaltar a fala de Milton Santos (2009) sobre a possibilidade de uma nova forma de enxergar o mundo, forma essa que põe o homem como centro e molda o sistema econômico para visar mais os interesses comuns. Um mundo no qual homem e máquina trabalhem em conjunto para o avanço da sociedade, sendo a técnica usada em favor de todos e que as distâncias não sejam apenas encurtadas quando se tem acesso ao dinheiro, mas também no que toca ao acesso a uma melhor qualidade de vida.

Bibliografia

SANTOS, M. Por uma outra globalização. Do pensamento único à consciência universal. 18ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2009.

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