Reforçando a homofobia

1376169274-stephen-fry-joins-lgbt-antiputin-rally_2397514

Por Talita Maria

Enquanto países europeus avançam no reconhecimento e no respeito à homossexualidade, como a França, que passou a permitir este ano o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a Rússia regride. Em junho o parlamento russo aprovou uma lei que coíbe qualquer tipo de “propaganda” de “relações sexuais não-tradicionais” para menores de idade, sendo esta passível de multa. Abordada de forma vaga pela lei, a “propaganda” criminaliza campanhas publicitárias, programas de televisão e até mesmo manifestações de movimentos sociais que façam simples referência à homossexualidade. Nem mesmo a internet escapa à censura.

Mesmo tendo sido alvo de protestos e críticas internacionais desde janeiro, a apelidada “lei anti-gay” foi colocada em vigor. A justificativa para a medida é frágil e facilmente contestável: afirma-se querer proteger as crianças de influências homossexuais, de modo a impedi-las de tornarem-se assim. O governo russo parte do pressuposto de que a homossexualidade é como uma doença, ruim e transmissível. Ruim porque diferente. Transmissível por quê? Se isso fosse um fato, não teríamos gays e lésbicas vindos de lares heterossexuais.

A medida voltou aos noticiários no último mês com a proximidade dos Jogos Olímpicos de Inverno, que ocorrerão no país no próximo ano. O Comitê Olímpico Internacional, diante da ameaça de que a lei seja estritamente aplicada aos atletas e aos visitantes que forem acompanhar a competição, pediu explicações. Se assim o for, estrangeiros homossexuais ou defensores da causa correm o risco de serem presos e extraditados. E se isso acontecer, o mal-estar diplomático a se instalar pode até mesmo ameaçar a Copa do Mundo de 2018, prevista para acontecer no país.

Com a lei “anti-gay”, em conjunto com outras medidas igualmente homofóbicas que têm marcado seu governo (como o impedimento de que casais homoafetivos adotem), Vladimir Putin joga os direitos humanos pela janela. Principalmente, ele ignora o grito das minorias, luta para sufocá-las e impor o dito “normal” e “certo”. É o medo da contestação e do debate. É a pura expressão da ignorância e da intolerância à diversidade. O mais preocupante é que tudo isso ocorre em um país marcado pelo preconceito contra os gays, cujos 74% da população consideram que a homossexualidade não deve ser aceita. Os resultados cruéis dessa ditadura homofóbica estão aí: aumento da violência contra gays e forte repressão contra grupos LGBT por parte do Estado e também da sociedade.

A comunidade internacional tem começado a se mobilizar contra essa situação. Vem se disseminando pelo Ocidente uma campanha de boicote às vodkas russas em bares gays. Ativistas têm organizados em várias cidades do mundo, como Nova York e Londres, manifestações na frente das embaixadas russas. Sugeriu-se até o boicote às Olimpíadas de Inverno. Somente a pressão internacional pode impedir que o governo de Putin prossiga nesses rumos e acabe reforçando o machismo e a intransigência dessa sociedade.

Para os russos e todos aqueles que consideram a homossexualidade uma aberração, cabe a mensagem bem-humorada que dois homens deram ao nosso deputado federal Marco Feliciano em um voo na última sexta-feira: “Abra sua mente. Gay também é gente”.*

* Faço referência à situação em que dois homens cantaram e dançaram a música Robocop Gay, do Mamonas Assassinas, para o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Vídeo: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RGyA7N-ke3U

Anúncios

2 comentários em “Reforçando a homofobia

Adicione o seu

  1. Regredir, avançar, desde quando adjeticos e juízos de valor fazem parte da linguagem e do ethos científico? Tente justifice suas posições com argumentos do tipo científico, pelo menos para justificar a sua leitura por intelectuais de verdade!

  2. Uma análise do discurso militante LGBTT

    Uma análise crítica da estrutura e forma material do discurso “apologético” da militância homossexual e similares demonstra toda a teleologia do marketing gay que tensiona a sociedade para que abra o caminho para novas adesões às práticas homossexuais e heterodoxas, até que um dia a minoria possa se declarar fora de risco de ser considerada exótica.

    Para fugir da situação atual de minoria e de exceção carregam o tom do discurso utilizando-se de adjetivos pejorativos e desqualificando aqueles que em nome da tradição, da ciência, da religião, da política, da moralidade possam interferir na propagação da suposta normalidade do que hoje deixa a desejar o homossexualismo como comportamento socialmente aceitável.

    Como as minorias existentes na sociedade hoje gozam de privilégios da minoria destacados com tratamento especial, ao contrário dos outros grupos minoritários os LGBTT paradoxalmente querem para si reivindicar este aspecto do privilégio ao mesmo tempo em que tentam fugir do estigma advindo da circunstância de ser um grupo exótico e minoritário, daí ao discurso confuso das lideranças LGBTT, quando tentam provar que ser minoria LGBTT é fato normal e no mesmo discurso inflamado e incoerente reivindicam o mesmo tratamento discricionário contra os não-LGBTT, numa tentativa de inverter a identidade de quem é agora o exótico, neste caso, os outros seriam os anormais homofóbicos. É como se os pais dos portadores de deficiências e os especiais como os autistas ou os possuidores de Down invertessem por um momento a circunstância da excepcionalidade e alcunhassem os normais de não-autistas e não-downistas.

    O discurso LGBTT é carregado de crítica aos não-LGBTT e em nenhum momento se colocam os LGBTT como diferentes, como minoria, como o exótico, como o marginal, ao contrário, para dar conteúdo ao seu discurso teleológico tentam desconstruir o comportamento heterossexual como coisa abominável, tradicional, antiga, desatualizada, hostil, incivilizada, terminal, ultrapassada, grosseira, antinatural e estúpida. Tratam o comportamento hétero como coisa de ignorantes, recalcados, enrustido, obrigatório, anti-humano, alienado como poderemos verificar no texto a seguir.

    · “Especialistas dizem que a sociedade, além de reforçar o modelo patriarcal (que estabelece o poder do homem “macho” nas relações sociais), ainda tem dificuldade em lidar com o “diferente””

    O ataque verbal aqui empregado com a ajuda do termo patriarcal tende a transferir para a esfera da guerra dos sexos entre machistas e feministas a pecha de comportamento machista que ofende na sua concepção denotativa as mulheres em sua posição de gênero inferiorizada na sociedade pós-feminista, justamente para tentar cooptar a simpatia feminista e feminina para a sua causa gay, já que ser macho ou machista é a mesma coisa nesta perspectiva da guerra dos sexos, assim tentam dividir os heterossexuais entre os do gênero machista-patriarcal e as mulheres-oprimidas pelo patriarcado dito machista. Prosseguindo na análise…

    A comunidade gay, mesmo em tempos de avanços na sociedade e amplo acesso à informação, ainda vive sob o jugo da violência e da discriminação. Embora os homossexuais tenham uma trajetória de lutas que garantiram vitórias significativas – como, por exemplo, a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, em maio, determinou a conversão de união estável homoafetiva em casamento -, a intolerância ainda assusta e mata.

    Relatório divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos (SHD) no final de junho revelou que, em 2012, os casos de violação – violência física, psicológica e discriminatória – contra os homossexuais cresceram 46,6% no país, passando de 6.809 casos em 2011 para 9.982 no ano passado. Mas esses números podem ser ainda mais assustadores, de acordo com o antropólogo Luiz Mott, militante e fundador do Grupo Gay da Bahia. Para Mott, os dados do SDH são “incompletos” e “subnotificados”. “Até fevereiro de 2013, o nosso site – ‘Homofobia mata’ – contabilizou 338 assassinatos, enquanto o governo divulgou 311 homicídios até junho”, criticou Mott.

    Destacamos novamente as palavras e expressões denotativas de superioridade da militância LGBTT sobre a suposta ignorância do comportamento dos não-LGBTT justamente nos elementos do discurso apologético traduzidos na ênfase aos elementos do constructo da teoria da pseuso-superioridade intelectual e pseudo-civilizatória traduzida nas palavras empregadas, tais como “comunidade gay”, na expressão “avanços da sociedade” e nos termos como “amplo acesso à informação” então traduz que os não LGBTT ainda não assimilaram os avanços da sociedade nem fazem parte da sociedade de amplo acesso à informação e simplesmente constroem do vácuo uma suposta comunidade gay, não definindo os estatutos sociais e lógicos para pertencer-se a tal sociedade, multilateral, internacional, multiclassista, trans-étnica, intertemporal assim conseguiram construir uma unidade única no mundo como nunca se viu, nem a ONU conseguiria tal progresso!

    Entre os LGBTT ainda nem começou a pacificação entre eles mesmos pois ainda está pendente de solução as diferenças e discriminação por causa de etnias, de escolaridade, de cultura, de riqueza, de capacidade de acesso aos sistemas de saúde e de transexualidade cirúrgica. Peraí, quer dizer que eles não se entendem no básico, ainda não se vêm como grupo coeso e homogêneo, estabelecem exclusão entre eles mesmos em função do status social, racial, de beleza, de idade, de acessibilidade, e exigem que todo o resto da sociedade faça o seu dever de casa?

    O que se pode concluir do discurso gay acima é que se as pessoas tivessem amplo acesso à informação, se as pessoas tivessem participado dos avanços sociais e se a sociedade fosse avançada então não haveria a homofobia! Conclui-se que os LGBTT terão um amplo trabalho para civilizar mais os 85% da sociedade que são os não-LGBTT desse mundo pseudo-incivilizado e pseudo-tosco!

    Prosseguindo na análise….

    Para abordar a questão além das estatísticas, o BOL conversou com especialistas que discutiram por que a homofobia ainda é tão presente na nossa sociedade, quem são os homofóbicos e o que mudou na história marcada por ódio e intolerância.

    Afinal, quem são os homofóbicos?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: