Da metalinguagem sobre o que escrever

É sempre assim. Vai chegando à época de escrever o texto pro blog do PET e eu sou tomada por uma ansiedade inquietante. O motivo? Sobre o que escrever. Dentre as muitas coisas que aprecio, que gostaria de escrever e que agradaria àqueles que lerão o blog, sobre o que, meu deus, escrever?

Essa dúvida quase existencial começa a me tirar o sono… Então, quando finalmente encontro um tema – depois de muito pensar-escolher-mudar-escolher de novo e começar a escrever – a criatividade, coitada, com tanto peso e responsabilidade, após as muitas tomadas e mudanças de decisão, fica inibida e acaba se escondendo de mim. Pra recuperá-la, só com muito esforço e suor. Na verdade, acho que ela se solidariza quando me vê a escolher a dedo as palavras, esculpindo o texto (pra que pelo menos maçante ele não fique) e vai voltando aos poucos, calminha. Umas pequenas epifanias começam a se fazer palavra no papel que agora, não mais em branco, para de me engolir a atenção pra aquela sua imensidão a espera de prosa ou poesia, ou até mesmo de um desabafo sincero, como o que agora estou a fazer. Na verdade, acho que o papel em branco nem é tão intimidador assim quando se tem uma ideia na cabeça (mesmo que as introduções, às vezes, sejam um pouco penosas).imagem ima

 Voltando ao meu desabado sobre a metalinguagem do que escrever, confesso ser este um problema antigo. Não é de hoje que essas dúvidas teórico-existenciais acerca do que escrever me assolam. Mas não pense que isso é causado por algum desprazer ou desgosto pela escrita, pelo contrário, o gosto por ela me acompanha já há algum tempo, só que ele sempre me acomete(u) em situações inesperadas (como, por exemplo, quando estava no bar com amigos e precisei ir pra casa repentinamente porque precisava escrever – uma vontade maior que eu me acometia e eu precisava de um papel e uma caneta pra gritar em palavras aquilo que estava a me inquietar – ou, quando alguma coisa muito intensa me acontecia, a reação imediata era sentar e escrever). Ou seja, amor pela escrita não falta, e problemas com as palavras, quase não os tinha.

 Fato é que essa minha ‘paixão’ pela escrita e facilidade com as palavras sumiam no ar quando o negócio era ‘sério’. Quando tinha que escrever alguma coisa, seja redação pro colégio ou discurso de formatura, a inspiração se escondia (assim como ela faz nas vésperas de texto pro blog) e eu me sentia extremamente desconfortável pela pressão de “ter que escrever alguma coisa” – de preferência boa e de agradável leitura. Isso acabava me dando o dobro de trabalho, era quase uma peregrinação parnasiana pra que saísse algo bom; às vezes funcionava, outras vezes, nem tanto. Em minhas rebeldias modernistas, me revoltava com a maneira sapo-parnasiano de escrever e, do abandono da escolha de palavras a dedo, deixava que minhas epifanias e vontades terminassem o trabalho por mim. Daí surgiram ‘grandes obras’, o problema é que muitos professores achavam vanguarda demais pra o vestibular que enfrentaria logo à frente (o que me fazia voltar ao estilo ourives de escrever). E é nesse estilo que me encontrava quando escrevia os textos pra esse blog, até que hoje, nesse meu momento “2013-vida nova”, resolvi voltar à ‘época de vanguarda’ do colégio e, ao invés de escrever um texto político com descritivismo, objetividade e impessoalidade, resolvi escrever esse texto-desabafo da metalinguagem sobre o que escrever e suas muitas dúvidas que me inquietavam.

 Esse texto é da petiana Inayara, que deseja, nesse novo ano, ser mais pauliceia-desvairada à ourives parnasiano.

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