Corpos mais que presentes…

Na minha pequena, porém crescente, curiosidade sobre a linha de estudos de Foucault, gostaria de escrever uma breve reflexão.

Nesta temporada no CCBB de Brasília a exposição de destaque foi a do renomado artista Antony Gormley. Com instalações relacionadas a corpos, o artista conseguiu atrair a atenção dos brasilienses, tanto dentro do espaço físico do centro cultural, quanto em determinados trechos de Brasília.

O mais interessante é que o artista trabalha com a questão do corpo. Em sua montagem “corpos presentes” o autor fez várias estátuas (usando seu próprio corpo como molde) em estruturas de ferro. Em Brasília distribuíram uma cópia desta estátua em diversos pontos, como, por exemplo, uma ao longo da pista que liga a ponte JK ao Plano Piloto, como também uma exposta em frente a plataforma superior da rodoviária.

O que chamou a atenção foi o relacionamento dos brasilienses com estas estátuas (de certa forma atendendo ao principal objetivo do artista – relacionar o corpo com o espaço). Mas, os corpos não só ocupam espaço, como também provocam reações de quem convive com ele. Não se sabe ao certo se a nudez provocou algum tipo de ultraje, apenas sabemos que um dia a estátua localizada na rodoviária amanheceu com um vestido amarelo. Independentemente do fenótipo sexual que a estátua representava, o mais importante era esconder o órgão. A estátua localizada na ponte JK passou por diversas variações – desde brincadeiras com camisinhas, até o fato de tentarem amarrar um short para tapar o sexo.

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É interessante ver a relação sutil que a sociedade tem com a representação do corpo. Como se representá-lo na sua forma desnuda fosse algo inaceitável. Michael Foucault contribuiu para entendermos esse relacionamento que a nossa sociedade estabeleceu entre o corpo e a cultura. Ele acredita que existiria uma tecnologia política do corpo, totalmente ligada com o saber, onde é “investido por relações de poder e de dominação”, mas é apenas possível se existir um sistema de sujeição (Foucault, 1989, p.25)¹. Portanto, a dominação de estereótipos, de ver como algo banal o que na verdade é simples e puro.

“Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir.”²

Bibliografia

¹FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1989.

² FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade, vol. II.

 Texto da petiana Louize Helena

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