Mentor

Era uma vez uma menina que queria abraçar o mundo.

Simples assim, corria de um lado pro outro por causa de tantas atividades que fazia como estudar, praticar natação, aprender finlandês. Resolveu, um dia, aprender piano. Sempre sendo a melhor em tudo que fazia, acreditava que não demoraria muito para fazer seu primeiro concerto em frente a uma renomada orquestra.

Não faltava às aulas. Tentava entender esse novo mundo das partituras. O incrível momento em que potinhos espalhados por um pedaço de papel se transformam na mais bela música. Bem, belo não era o som que ela ouvia ao tocar. Na verdade aprender um instrumento não é nada fácil.

Perdida entra a clave de sol e a de fá, ainda achava muito complicado entender o ritmo da música. Transformar a sua leitura em algo audível era o desafio. Seu professor muito calmamente lhe explicava que a semínima tem menor duração que a mínima, que havia uma pausa aqui e acolá, que havia tocado um ré sustenido ao invés de um natural.

Com muita insistência da parte de seu professor, ela fez sua primeira apresentação, mas nem em frente a uma orquestra, e sim a um pequeno número de pais e alunos. Seus pais estavam lá, não podia decepcioná-los. Mas a apresentação foi um fracasso. Entrou no momento errado, esqueceu em que parte estava da partitura…parou na metade da música. É claro que ninguém do público percebeu. Aplaudiram, deram-lha parabéns.

Mas ela sabia que isso não era o suficiente.

Deixou-se conformar com o fato de que nunca seria uma musicista profissional.

Resolveu-se enquadrar, deixar a sociedade lhe falar que a arte não vale a pena, que temos que produzir material, conhecimento. Ao deixar a beleza para trás é que teremos progresso.

Suas aulas tornaram-se rotina. Ia para as aulas apenas para não perder o toque.

Aos poucos percebeu que daria conta de tudo, desistindo assim da arte, pois a arte é algo que deve sempre ter o máximo de dedicação.

Seu professor, calmo como sempre, pedia o máximo dela. O nível de dificuldade ia aumentando. Às vezes era óbvio que a menina não havia estudado nada do que deveria ter… ela sentia nas costas o potencial que poderia ter alcançado, deixado para trás. Mas seu professor não desistia, pegava a partitura e lia com ela.

Outro dia ela chegou atrasada, sem ter estudado, e havia esquecido suas partituras. Seu professor não lhe deu uma bronca. Sorriu e começou a conversar sobre concertos, qual era seu compositor favorito… Neste momento ela também sorriu.

A vida não se resume a produzir resultados. Ser o melhor, conquistar tudo. A vida é simples, bela tanto na mais delicada criação quanto na mais complexa composição.

Professor não é aquele que nos cobra, mas é aquele que sabe quando a bronca é necessária. Não é aquele que vai lhe falar para desistir, mais vai lhe mostrar maneiras para superar os obstáculos. Não é um ser perfeito, mas já teve experiências suficientes para nos avisar quando iremos nos machucar.

Obrigado professor, professora, por nos ajudar a crescer. Por nos ajudar a alcançar os nossos sonhos.

 Texto da petiana Louize Helena

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Um comentário em “Mentor

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  1. Lindo texto, Louise! Gostei principalmente da conclusão! Eu acho que você descobriu um dos segredos de lecionar! :)

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