Mudar o mundo: quem teria coragem?

Brad, um dia a mais nas barricadas conta a história de Brad Will junto ao CMI (Centro de Mídia Independente). Brad passou por diversos países do mundo, sempre acompanhando manifestações populares, protestos, revoluções sociais. Estava sempre na linha de frente, tendo sido, por diversas vezes, detido pela polícia.

Brad Will

Brad começou participando de ações na América do Norte e na Europa. Bloqueou reuniões da OMC em Seattle, foi para a Holanda, protestou contra o G8 no Québec, Canadá. Utilizava-se sempre da ação direta: se uma floresta estivesse ameaçada, ele era o primeiro a subir em uma árvore e ficar morando nela; quando um prédio estava sendo demolido, com os pertences e animais domésticos dos moradores ainda dentro do prédio, ele ia até o topo para impedir. Também tinha um jeito muito debochado de falar sobre os policiais e, mesmo quando estava tratando de temas sérios, sobre os quais parecia conhecer bastante, continuava sempre a esboçar um sorriso no rosto.

Em algum momento, começou a se interessar pela América Latina. Sua ideia inicial era promover um intercâmbio entre o Sul e o Norte; uma troca de ideias, equipamentos, estratégias, técnicas, informação. Nas suas visitas, sempre havia algo ocorrendo e o jovem se dispunha a participar onde quer que fosse necessário. Percorreu o México, a Bolívia, o Peru e o Brasil. Passou a voltar todos os anos, ficando 04 ou 05 meses por ano, todos os anos, na América Latina.

Brad, como todo bom lutador, nunca teve medo da luta. Não deixou de enfrentar seus adversários só porque eram mais fortes; nem mesmo quando eles eram “infinitamente” mais fortes. Brad não estava sozinho; ele estava ao lado do povo, seus companheiros. Também contava com seus amigos do CMI e outras redes de apoio. Porém, mesmo todo grande lutador, um dia acaba por encontrar um adversário capaz de vencê-lo. Em outubro de 2006, em Oaxaca, no México, Brad foi morto enquanto filmava um movimento de resistência popular. Morreu Brad e, com ele, um pedaço do povo, mas, de maneira nenhuma, morreu seu desejo de “globalizar a justiça”.

Qualquer um que esteja a disposto a enfrentar o poder de maneira tão direta e cotidiana estará sujeito a um fim parecido com o de Brad. Provavelmente, a maioria das pessoas sabe disso. Por isso mesmo, talvez, seja por isso que a maioria das pessoas não está disposta a se colocar nessas situações. Mudar o mundo, todo mundo quer, de um modo ou de outro, mas quem é que tem coragem de levantar da cama e partir para o mundo, perseguir os conflitos? De certa maneira, era isso que Brad fazia: as batalhas estavam no mundo e ele poderia simplesmente ficar em casa assistindo, mas, ao contrário, decidiu ir atrás delas, buscá-las, caçá-las, persegui-las. Brad queria mudar o mundo e mudava sua vida todos os dias para tentar fazer isso. Mas quem de nós teria coragem?

 Texto do petiano Marcelo Caetano que, utopicamente, ainda tem coragem de dizer que quer mudar o mundo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: