Maria(s)

Maria, maria… / Foto por Zé Pinho, disponível no Flickr em CC

Maria da Silva, Maria Batista, Maria Araújo, Maria Senhora, Maria Garcia, Maria de Lourdes e Maria do Espírito Santo. São sete Marias que contam suas histórias, são sete Marias que representam muitas mulheres que sofreram e sofrem com a violência doméstica.

O documentário “Maria Cheia de Dor” conta a história de cada uma dessas Marias a partir de seus relatos, que, quase sempre, tem contornos extremamente parecidos.
O documentário começa com a voz de uma criança contando sua experiência de violência em casa. Após esse discurso, conhecemos Maria da Silva, que conta das ameaças do marido possessivo, da condição imposta que se ela não fosse só dele não seria de mais ninguém.
Ao longo do documentário percebe-se a nítida semelhança nos depoimentos de Maria Batista, Maria Araújo e Maria Garcia.
Sandra Melo, delegada especializada em atendimento a mulher, explica que esses homens encaram a mulher como um objeto que lhe pertence. Eles acreditam possuir um certo grau de superioridade que lhes autoriza dispor do corpo dessa mulher, da sua psiquê, de tudo de bom que ela pode ter a seu bel prazer.

Carla Dalbosco, psicóloga, explica como a violência sempre deixará marcas que são irreversíveis.

“De repente do riso fez-se o pranto
(…)E das mãos espalmadas fez-se o espanto”

É apresentada, então, Maria de Lourdes, mulher de esperança nos olhos e uma tentativa de sorriso no rosto. Ela conta como vem levando sua vida depois da tentativa de assassinato de seu marido, em que ela foi queimada, mas conseguiu sobreviver, apesar das marcas e feridas.

Já Maria do Espírito Santo conta das vezes que chagava na delegacia com a roupa toda rasgada e os policias perguntavam a ela rindo quem era seu estilista e aconselhavam-na a voltar pra casa e cuidar de seus filhos.

 

“A cada quinze segundos uma mulher é agredida no Brasil. E a realidade não é nem um pouco cor-de-rosa. A cada ano dois milhões de mulheres são espancadas por maridos ou namorados.”

 

Cada Maria nos surpreende com sua história, com sua dor. Com uma história que se repete a cada dia, em um país que do universo de mulheres vítimas de violência apenas 40% denunciam (DataSenado/2007).
O que percebemos no documentário “Maria Cheia de Dor”, a partir dos depoimentos das vítimas e das especialistas que falam sobre o assunto, é que insultos morais, xingamentos, deterioração da auto-estima são lugar-comum; as ameaças, violências e a maneira como cada qual foi ferida mostra uma constante nos agressores.
O começo com as agressões verbais, que passam para empurrões e tapas, e que vão se tornando cada vez pior com o tempo, com gradual e expressivo aumento de violência é, muitas vezes, a realidade do cotidiano dessas mulheres. E com a promessa de que isso nunca mais se repetirá vem o pedido de desculpa e a promessa de felicidade, que se mostra falsa na próxima briga, em que o grau de violência sofreu expressivo aumento.

E é por isso que a Lei Maria da Penha, lei essa que “cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher (…)¹” é de extrema importância e urgência que seja conhecida, difundida e, principalmente, cumprida. Para que a história dessas Marias não mais seja tão pertinente, cotidiana e triste.

“Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta”

Um texto da petiana Inayara Oliveira.

Bibliografia:

MARQUES, Júlia; MACHADO, Suélen. Documentário: Maria Cheia de Dor. Direção de Júlia
Marques e Suélen Machado. Brasília, IESB, 2007. Duração: 26 minutos.

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm&gt; Acesso em: 12/
08/12

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