Será Realmente Cega a Justiça?

Segundo a Constituição Federal de 1988, o Brasil é uma República Federativa, um Estado Democrático de Direito. Assim, o poder fica dividido entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada um responsável por uma área a fim de garantir o bom funcionamento do sistema –  o Executivo, no sistema presidencialista, é regido pelo presidente da República, que designa ministros para tratar dos mais diversos assuntos; o Legislativo, dividido em duas casas – a Câmara dos Deputados e o Senado – fica responsável pela criação das leis; e o Judiciário, que tem como função primordial a aplicação e a interpretação das normas jurídicas. É importante saber também que, mesmo em equilíbrio, algumas vezes um acaba incidindo sobre a área do outro. Mas será que realmente os poderes ficam fechados nessas três vertentes? Será que não existiria um quarto poder, um poder que sobre os demais teria influência?

Acredito na existência do quarto poder – e este está sobre a forma da mídia. A informação e seus meios de distribuição são de importante influência. Qualquer trabalho que seja feito em um dos três poderes é divulgado – tanto em notas oficiais, quanto em distribuições abrangentes para todos os cidadãos.

Manter-se atualizado é uma forma de exercer cidadania. Acompanhar o que acontece e o que fez o deputado que você elegeu é uma forma de se creditar o direito do indivíduo. Ter voz e manifestar-se é uma forma de garantir que seus direitos sejam ouvidos.

A liberdade de comunicação e informação é algo extremamente importante para que a democracia exerça seu rumo completo. Mas será que às vezes essa forma de poder não é utilizada de maneira exaustiva? Como importante meio de informação, algumas vezes ela acaba tomando o espaço dos três poderes reconhecidos, influenciando no seu processo de tomada de decisão. Cada vez mais a influência da mídia sobre o processo jurídico vem aparecendo mais.  A citação a seguir foi feita pela Alene Holmes, mãe de James Holmes, o jovem que atirou dentro do cinema da exibição de estréia do filme da franquia Batman. Ela demonstra preocupação com o sensacionalismo que pode atrapalhar nos processos judiciais:

 

“Uma coisa desta dimensão deve ser tratada em um tribunal, na justiça, e não nos meios de comunicação”, disse Alene Holmes por intermédio de sua advogada, Lisa Damiani, de San Diego.

 

Afinal, no sistema judicial em que acreditamos e que deixamos reger nossas vidas, todos têm direito a serem julgados. Por mais que todas as provas apontem contra a sua inocência, todos têm direito a um advogado e de serem julgados em um tribunal. Vivemos num momento de massificação da informação – em qualquer lugar, e a qualquer instante, a notícia é veiculada. Tomemos como outro exemplo o caso da menina Isabella Nardoni – o pai da menina recebeu tantas denúncias por parte da mídia que até telespectadores (que não tinham relação alguma com o caso) fizeram dele bode expiatório.

Temos direito de ter informação, mas massificar, e muitas vezes influenciar no processo do julgamento, é uma forma sensacionalista de exploração da imagem e uma maneira equivocada de passar a informação. No demais, o símbolo da justiça é uma mulher com os olhos vendados segurando uma balança. Pena que ela não tem algo para tampar seus ouvidos…

 Um texto da petiana Louize Helena

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/07/mae-do-atirador-de-aurora-afirma-que-nao-suspeitava-do-filho.html

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