A Construção do Indivíduo – uma análise que nasceu devido a influências musicais

Ao nascer, cada indivíduo consiste de uma parte importante de um todo. Sua individualidade, em contraste com os demais, ganha espaço, relacionada com suas preferências e atitudes. Não tem como negar a influencia daqueles que estão perto de você no seu desenvolvimento – uma criança é uma esponja, moldada a partir do que os adultos fazem. A superproteção da parte de alguns pais pode acabar virando uma verdadeira barreira – algumas crianças vão encontrar uma maior dificuldade para ultrapassar esse limite que foi criado por seus genitores. Cabe a cada indivíduo saber os limites que essa barreira terá em sua vida.

Traumas existem e não vão deixar de existir. Às vezes a mais simples atitude de um adulto, como, por exemplo, ignorar a criança para continuar seu trabalho, pode parecer irrelevante, mas para uma criança aquilo significa um universo de fatores. São as diversas maneiras de interpretar a realidade, conectadas com fatores inexplicáveis. Medos podem surgir simplesmente porque nenhuma luz foi deixada acesa ao longo da noite. Complexos de inferioridade podem ser gerados a partir das mais simples brincadeiras de criança. Os pequenos não tem vergonha de dizer a verdade – sempre dizem o que pensam – e isso muitas vezes pode ser doloroso até mesmo para alguém mais velho. Toda essa suscetibilidade está relacionada com o caráter da pessoa de enfrentar esses fatores (pois eles sempre irão existir).

Segundo aquela frase cantada pelo Michael Stipe da banda REM, “Everybody hurts”, tudo mundo pode ferir, relacionamentos sempre existirão e da mesma forma a chance de se ferir. O que vai variar é a suscetibilidade individual. Tudo depende de como a pessoa encara a realidade, e se ela se deixa magoar pelos mais simples detalhes. Relacionamentos são complicados, algumas pessoas, por exemplo, não tem o tato suficiente para ver que certas brincadeiras não foram feitas para ser feitas.

Quando vejo o filme The Wall consigo entender porque o personagem principal, Pinky deseja se excluir dos demais. O filme da banda Pink Floyd é incrivelmente rico de significados, principalmente os que eu pretendo compartilhar. Os personagens como o professor, a mãe, o pai e a esposa são apresentados como fatores importantes para a vida de Pinky e como influenciadores da depressão em que ele se encontra. A repressão em sala de aula, como exposta na letra da música Another Brick in the Wall é tida como uma violência para com as crianças, o sarcasmo dentro da sala de aula seria como uma arma. Já na música Mother, acredito que não exista melhor frase que explica a relação mãe-filho que a “Momma’s gonna put all of her fears into you” (Mamãe irá colocar todos os medos dela em você) – ao mesmo tempo em que uma mãe busca proteger seu filho ao máximo, ela está fazendo com que ele fique frágil nos relacionamentos com os demais. O personagem do pai nunca aparece explicitamente no filme, mas sabemos que ele morreu na guerra, o que faz com que a imagem do pai vire um eterno vazio para a vida de Pinky – “Dad, what you leave behind for me??” (Pai, o que mais você deixou para trás para mim?). A esposa representa a dolorosa relação que o amor pode gerar – e acredito que a melhor cena que simboliza o que Pinky sente é a da música Empty Spaces (pois é nessa música que aparecem duas flores, que no começo se amam e que de repente começam a se destruir).

Alguns, por autoproteção ou por consideração aos demais, irão construir essa barreira que os protege de maneira que seja tão resistente que ninguém mais poderia ultrapassá-la. Esse é o ponto para que exista essa parede imaginária que tanto falam ao longo do filme. O indivíduo pode construir essa barreira tanto quanto a sociedade pode ajudá-lo a construir. Mas será que essa parede é maligna? No fundo, será que ela não representa o que há de mais pessoal dentro de nós? Seria bom destruir essa barreira? Acredito que sim, essa parede simboliza o que há de mais profundo e que construiu o que podemos chamar de nossa personalidade. Por mais que possa ter sido construído por aspectos negativos, nós somos a soma de vários fatores, tanto bons quanto ruins, que aconteceram e continuam acontecendo em nossas vidas. O que eu aponto como preocupante é a construção dessa parede a ponto de desligarmos toda e qualquer relação com o outro. O Pinky se isola a tal ponto de chegar á loucura. Não podemos viver fora da sociedade, socialização é inerente ao ser humano. Acredito que um dos desafios que enfrentamos é aprender a viver com os demais.

Texto da petiana Louize França que acha que a música (em todos seus aspectos e formas) representa uma verdadeira forma de analisar a realidade e expressar o indizível.

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2 comentários em “A Construção do Indivíduo – uma análise que nasceu devido a influências musicais

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  1. Você tem o direito de adquirir um caminhão Mercedes 1315 e usá-lo com veículo de passeio familiar. Pode também adquirir um mini automóvel Fiat 500 para fazer as entregas de água mineral e gás de cozinha de sua loja. Pode também adquirir uma trator para passear pela mata em torno da sua fazenda, como pode adquirir um automóvel Fiat Pálio para arar a terra de sua chácara.
    Em qualquer destes casos voce pode adaptar a muito custo estes veículos para as suas novas atividades para as quais não foram projetados.
    Em alguns casos seriam adaptações radicais, em outros casos, sem adaptação alguma. O que todos teriam em comum é que em nenhum dos casos eles poderiam desempenhar os novos papéis com a mesma eficiência, e em alguns casos teriam um desempenho muito pífio e até mesmo ineficiente. Assim acontece com os desvios dos comportamentos. Um gênero pode até simular o comportamento sexual do outro oposto, mas nunca será melhor do que o outro por que não foi feito para isso.
    Até para fazer o contraste é que os modelos de comportamento social, também chamados papéis sociais, nos são apresentados pela sociedade.
    Fico pensando: que opções teria uma criança afegã, ou rajastã que não fora apresentada a outras opções de comportamento social, sexual, religioso, cultural, musical, criada dentro dos padrões que lhe são apresentados podem ser censuradas por que discriminam as mulheres, cumprem rituais sociais completamente ininteligíveis para nós os ocidentais.
    Do mesmo modo que os alemães orientais, ao findar do Muro de Berlin continuam achando a propaganda e publicidade ocidentais muito superficiais, e apelativas, pois passaram 4 décadas sendo apresentados aos intelectuais da cultura mais proeminentes do ocidente e oriente.

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