Quanto menos, melhor

Em meus devaneios neste espaço já investiguei a diferença entre o sonho e a realidade no que tange à filosofia oriental, antiga e moderna e já procurei ilustrar a importância da espiritualidade para a cultura humana, no entanto ainda não dissertei sobre nenhum aspecto da esfera material, propriamente dita. Explorando este tema, vos faço uma pergunta inteiramente secular: qual a melhor maneira de relacionar-se com a política, economia, moral e cultura de seu tempo? Numa palavra, qual a melhor maneira de viver frente à sociedade? Objetivo, neste texto, apresentar um conceito diferente que pode responder à esta pergunta, a saber, a vida simples (simple living). Ao contrário do que possa parecer, este conceito não é novo e se faz presente no pensamento Budista, Hindu, Epicurista, Cínico, Estóico, Anarquista, Anarco-individualista, Eco-anarquista, Individualista, Ambientalista e Liberal. Ora, basta tomar os baluartes das correntes que acabei de citar para descobrir os autores que um dia foram expoentes deste conceito. Contudo, como o espaço é pouco, me valerei de um deles principalmente, Henry David Thoreau. Iniciemos a exposição dissertando um pouco sobre quem foi e sobre a obra deste grande pensador. O autor morou dois anos perto do lago Walden, em um estilo de vida modesto, vivendo com o mínimo de recursos possível. Sendo assim, construiu a sua própria casa, plantou um jardim e, gastando o mínimo possível, comprou e cultivou comida. Costumava dizer que verdadeiramente livre é aquele indivíduo que não herda ou assume para si encargos de outras pessoas. Não necessariamente ao herdar uma fazenda e tornar-se fazendeiro, o indivíduo tende a contemplar-se a atingir o que se pode chamar de felicidade, na verdade, para Thoreau, quanto mais se possui, mais pobre se é, pois um homem é rico em proporção ao número de coisas de que pode prescindir. Outra característica do autor é seu desprezo pela opinião alheia. Nunca devemos nos importar com ela, a opinião pública é uma débil tirana; o que indica o destino de um homem é o que ele mesmo pensa de si. Talvez seja pela resignação à própria autonomia que a maioria dos homens leva vidas de sereno desespero. Para o autor, eles não percebem que existem outros tipos de vida além daqueles que aceitam ou consideram como bem sucedida. Assim, em sua experiência de dois anos recluso às margens do lago Walden em Massachussetts, Thoreau afirma que são poucas as coisas realmente necessárias à vida; dentre aquelas indispensáveis, são apenas quatro: alimento, abrigo, roupa e combustível. Infelizmente, coisas supérfluas são freqüentemente elevadas ao status de necessidade. Vemos neste aspecto que a matéria se mistura com a subjetividade, o que é realmente necessário não só à sobrevivência mas também à felicidade é dado não pela realidade mas pelo juízo que fazemos das coisas tomando, por exemplo, uma mansão de 24 quartos como indispensável à um solteiro recém saído da faculdade. Não pretendo julgar quais são as necessidades reais ou supérfluas aqui, e nem o autor. Na verdade este é exatamente o ponto chave de seu pensamento, aquele que poderá fazê-lo é puramente o indivíduo em sua especificidade. É de Thoreau a seguinte afirmação “É desejável que cada um se empenhe em descobrir e seguir seu próprio caminho; a auto-manutenção, se conduzida com sabedoria e simplicidade, é um passatempo, e não um sofrimento”. No entanto no que tange ao simple living, a lei não é o excesso mas o equilíbrio. Thoreau afirma que foi para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontando-se apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a lhe ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Compete a todo homem fazer a própria vida, inclusive nos pormenores, para que suas horas mais elevadas e críticas sejam dignas de contemplação. Isso não significa dizer que o simple living prega ou propõe o isolamento, também não significa dizer que o isolamento seja misantropia ou solidão, na verdade, não faz sentido acreditar que alguém que vive fora da sociedade está se isolando, uma vez que acompanhado da natureza não se está só, e longe dela ainda existe o todo no qual o indivíduo se insere. “Deus é só, porém o diabo é legião”. Dentre as práticas de Thoreau em seus anos de reclusão está a da boa dieta e o respeito à natureza, podendo este autor ser considerado um dos pais do pensamento ambientalista americano. Famoso por afirmar “Mais que amor, dinheiro e fama, que se dê a verdade”. A lucidez é, para o autor, digna de elogio, pois uma pessoa deve priorizar o tem que dizer e não o que deveria dizer. Assim, só amanhece o dia para o qual estamos acordados. Thoreau vê a libertação como emancipação de necessidades artificiais, assim como um maior contato com a natureza. O que importa é avançar confiantemente, esforçando-se por viver a vida que se imagina e quer. Por fim, Thoreau não pretendia apenas mostrar como a vida no campo poderia ser agradável; queria descredibilizar a sociedade industrial do Século XIX, demonizar o progresso e o desenvolvimento material. O individualismo suficiente e harmônico de Thoreau era mais um modo de vida que uma corrente política. O autor nunca apelou aos seus concidadãos e leitores que o seguissem, dizendo “eu nunca pediria a ninguém que adotasse meu modo de vida em qualquer circunstância…mas eu pediria a cada um que fosse muito cuidadoso em descobrir e perseguir o próprio modo de viver e não o de seu pai, seu avô, sua mãe ou seu vizinho”. Agora que se conhece um pouco sobre um de seus mais importantes expoentes resta investigar que, afinal, se consiste o simple living. Alguns poderiam dizer que a vida simples pode ser caracterizada por indivíduos sendo satisfeitos com o que eles precisam ao invés do que eles desejam. Apesar de se parecer com ascetismo, a vida simples diverge em alguns aspectos deste último modo de vida, a vida simples também se diferencia da pobreza forçada, uma vez que é voluntária enquanto que aquela é imposta. Tem início com os Shramanas que é o nome dado àqueles monges andarilhos exemplificados por Budha Gauthama ou pelos narazenos bíblicos (João baptista, por exemplo). Vários indivíduos notáveis afirmaram ter optado pelo simple living por motivos espirituais, como Francisco de Assis, Ammon Hennacy, Leon Tolstói, Rabindranath Tagore, Mohandas Ghandi, etc. No entanto o simple living também foi executado por pensadores não religiosos como Jean-Jacques Rousseau, (para saber mais, leiam devaneios de um caminhante solitário). O primeiro princípio da vida simples poderia ser aquele de reduzir o consumo, contudo não pode se afirmar que seja apenas isso. Além do consumo, a vida simples também postula a redução da renda, e das posses. Gastar muito dinheiro implica diretamente em gastar muito tempo para obtê-lo, na verdade fazer dinheiro e acumular coisas não deveriam ditar os caminhos do homem nem a pureza de sua alma, vida ou mente. Existem grupos de eco-anarquistas nos Estados Unidos e no Canadá que promovem estilos de vida como estes. A vida simples pode reduzir o consumo, renda e a posse até o momento em que o contato seja apenas aqueles com as coisas necessárias à sobrevivência. Outro princípio norteador do simple living é aquele que afirma que paralelo a redução anterior, deve-se maximizar a auto-suficiência. Isso seria o mesmo que dizer que reduzindo sua dependência relativa à economia e ao dinheiro, aumenta-se proporcionalmente sua independência e ética do faça você mesmo. Na verdade seria a simples substituição do consumo pela produção. A vida simples postula que com pouco, pode-se produzir muito e que em casa, ou no lugar que se habita um pequeno espaço pode dar lugar a uma horta, a um ambiente de costura, de cultivo ou de reaproveitamento. A vida simples, apesar de ser um conceito que sobreviveu através dos séculos não deixou de evoluir com estes. Outro postulado desse estranho modo de viver é a re-significação da tecnologia. A tecnologia, para o simple living, não é de maneira nenhuma prejudicial, fazer a correta utilização da mesma não significa trair os preceitos do consumo, renda e posse zero. Claro que também não significa viver em função de um telefone celular da apple, antes, significa utilizar a própria tecnologia para reduzir a emissão de carbono do indivíduo, para se beneficiar da compostagem, reciclagem e reaproveitamente, a utilização da mesma para escrever, por exemplo, reduz a quantidade de papel que seria necessária ao indivíduo. Energia Eólica, turbinas de água para geração de energia, ou então energia motriz gerada do próprio esforço ou atividade física (o combustível de Thoreau), o aproveitamento da energia solar, da água pluvial, do sal oceânico e outra variedade de tecnologias que reduzem a necessidade do consumo individual. O modo de vida do simple living se relaciona diretamente com a política e com a economia mundial. Isso porque a relação entre o crescimento econômico, a guerra sobre recursos naturais são muitas vezes pautadas pelo excesso, um adepto da vida simples pode muito bem deixar de exigir determinadas políticas predatórias. Um aspecto popularmente conhecido do simple living talvez seja aquele denominado Downshifting, que foi tão praticado ao final dos anos 1990. O downshifting se constitui no abandono de uma situação econômica individual atual em troca de uma vida simples para escapar do materialismo, consumismo, estresse, vício em trabalho (workaholic) e perturbações psicológicas tão características do modo de vida produtivo, principalmente no meio acadêmico. Apesar de que o simple living possa ser praticado junto com outras pessoas, em uma república, por exemplo, o foco deste estilo de vida incia-se e termina no crescimento individual e alcance da felicidade pessoal. Enquanto que o movimento “Hippie” sessentista (por ex.) propunha, claramente, um modo de vida alternativo ao modo de vida americano, ou seja, tinha antes de tudo um objetivo político, geral, comunitário, o simple living se reduz a encontrar o equilibrio pessoal não necessariamente surge como salvação imposta para todos os indivíduos. Ao contrário do que se propunha fazer o movimento de 1960, a vida simples na maioria das vezes é praticada só, buscando libertar-se dos grilhões da necessidade, uma vez que tudo que se precisa está em si e não na comunidade, em si e não na política, em si e não na melhor ou pior maneira de viver. Assim, o simple living, ao permitir essa descoberta faz de seu adepto auto-suficiente em qualquer ambiente, (daí vem a influência sobre o anarco-individualismo), seja em uma comunidade coletivista ou seja em uma hierarquia inescapável, o indivíduo sabe que não precisa interiorizar nem os valores nem as práticas, ainda que esteja cercado e seja obrigado as aceitar. Seria o mesmo que dizer que é possível se ver livre sem se isolar. É claro que, seria ingenuidade supor que o simple living também é insento de críticas ao modo de vida predatório, afinal são de Thoreau as seguintes frases, “Por falta de iniciativa, os homens estão onde estão, comprando e vendendo, desperdiçando a vida como escravos”. E “Bem que gostaria de contar tudo que sei a propósito e nunca me ver obrigado a pintar em meu portão: Entrada Proibida”. Uma clara crítica à propriedade privada. A última característica que nos traz este conceito seria justamente o fato de que não devemos de nenhuma forma temer a mudança, de nenhuma forma temer ser os primeiros a mudar, nas palavras de Thoreau, “Se um homem não mantém o mesmo passo que seus companheiros talvez seja porque ele escuta um ritmo diferente, deixe-o caminhar sob a música que escuta, seja ela boa ruim ou indefinida”.

“SIMPLICIDADE! Simplicidade! Simplicidade! Eu digo! Deixe seus assuntos e problemas serem dois ou três e não uma centena ou um milhão… Simplifique, Simplifique.” (THOREAU, H.D. 1985 p.69)

THOREAU, Henry David. Walden, a vida nos bosques. 1985. Ed. Signet Classics.

EMERSON, Ralph Waldo. Selected Writings of. 1965. Ed Signet Classics.

www.estudoshumanistas.blogspot.com

Um texto de Luiz Fernando Roriz.

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5 comentários em “Quanto menos, melhor

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  1. Muito interessante o texto, e definitivamente muito inspirador.
    No turbilhão de coisas que somos pressionados (ou não) a dedicar nosso tempo, passamos despercebidos pelas coisas que realmente importam, coisas simples e óbvias que edificam o homem e traz a tão estimada felicidade e paz espiritual.

  2. Talvez este movimento se junte ao outro, de humanização da srelações capitalistas.
    Que tal esta alternativa, tb?

    Trabalho assalariado: o último bastião, vestigial, do escravismo

    Parece incrível que este sistema de organização da sociedade ainda sobreviva aos tempos modernos.

    Ao longo dos séculos as fases de acomodação cultural e comportamental ditadas pelas condições da civilização humana foram construindo sistemas de organização social que tentaram a melhor fórmula para a satisfação das necessidades sociais e individuais.

    Estes sistemas diversos de divisão do trabalho social tem sido os objetos de estudos filosóficos os quais não pretendo cotejar, entre outros motivos, pela complexidade que tal abordagem exigiria, e porque o aprofundamento deste tópico torna-se desnecessário ante a pretensão teleológica desta dissertação que é desconstruir a instituição do contrato de trabalho assalariado.

    Começando pelo fim, diríamos que o trabalho assalariado tem sido visto, desde os pressocialistas, e principalmente, por ninguém menos do que Karl Marx que foi o maior crítico desta forma de organização social capitalista como uma exploração do ser humano, desumanizando-o. Seus preceitos foram duramente condenados por Marx que considerou o trabalho assalariado o maior escândalo social do capitalismo: uma exploração criminosa da mãodeobra pelo processo da maisvalia capitalista, onde, segundo Marx, o trabalho humano assalariado explorado pelo capitalista produz uma diferença em favor do capitalista através da exploração financeira da mãodeobra de modo selvagem, segundo ele, um roubo.

    Aparte o importante aspecto econômico privilegiado pela análise marxista, pretendo explorar o importante aspecto emocional da exploração e da estrutura social do trabalho assalariado.

    Quanta dor tem trazido à sociedade esta forma de dependência do indivíduo assalariado quando esta dependência é quebrada pelo advento da situação do desemprego.

    Estamos todos submetidos na sociedade a este contrato social da divisão social do trabalho social e do processo do contrato social da divisão social das tarefas laborais nas instituições humanas.

    Foi um passo importante para a sobrevivência da humanidade o momento em que o ser humano deixou de ser autônomo e compartilhou habilidades para que a interdependência entre os seres humanos fosse aceita como uma das mais importantes conquistas da nossa civilização, sim, civilização de civilis, cidade, a vida na cidade constituiu esta forma de organização social em oposição à vida rural, silvestre, penosa, sem conforto, dura e rústica.

    As diversas formas de organização social se prevaleceram de duas variantes principais: uso de seus próprios recursos, ou, uso de recursos alheios.

    As organizações sociais consideradas mais primitivas carecem de uso e da exploração de recursos alheios dos seus membros, cada um cuida de suas necessidades e demandas para o seu conforto e sobrevivência, no tipo de organização de indivíduos autônomos, sem hierarquia social, sem divisão social do trabalho e contando apenas com a solidariedade dos seus parceiros para desenvolverem atividades comunitárias sem nenhuma forma de exploração de mãodeobra alheia.

    As comunidades maiores acabaram por criar organizações sociais em que predomina o uso de recursos alheios por membros privilegiados dos grupos os quais exploram recursos alheios, quer seja a força de trabalhos de outros trabalhadores, quer seja pela exploração do trabalho escravo, quer seja pela exploração da renda de outros através de cobrança de taxas, impostos, aluguéis, multas, e pela exploração da energia animal, mecânica, elétrica, nuclear, solar, térmica, química, biológica, e combinações destas matrizes energéticas.

    Custaram muitos avanços e retrocessos, muito sofrimento, genocídios e catástrofes humanitárias históricas o processo que conduziu até a abolição do sistema de exploração do trabalho escravo. Foi um longo processo que ainda resta residual em alguns lugares do mundo a existência do trabalho escravo.

    O sistema de trabalho à base da mãodeobra assalariada atual não passa de um sistema escravista disfarçado. Senão vejamos.

    A rigidez do contrato de trabalho assalariado, as relações de dominação dos chefes e dos empregadores sobre os seus subordinados beiram à total submissão da vontade do empregado ou do funcionário aos caprichos do seu chefe ou empregador, estes são os principais motivos das expectativas do fim do trabalho assalariado no mundo capitalista liberal.

    Visando o aumento da produtividade empresarial alguns teóricos da ciência da Administração propuseram alguns conceitos e práticas gerenciais que mudaram as maneiras diversas de se administrar e de se produzir.

    A mais importante e impactante destas técnicas administrativas é a conhecida como a linha de montagem, onde ficou conspícua a setorização e a especialização extrema da execução das tarefas em uma linha de produção industrial e comercial, em alguns casos extremos foi aplicada também no setor de serviços, como vemos em uma burocracia bem típica, onde cada pessoa executa uma parte pequena do processo de despacho do trâmite completo de informações na organização desde o protocolo até a sanção final do documento em tramitação.

    Assim vimos desfilarem as diversificadas escolas de administração desde a escola da administração científica, cujo prócer foi Taylor, a escola da administração Clássica preconizada por Fayol, a escola de administração sociológica, a escola de administração sistêmica, a escola de administração, Burocrática, Relações Humanas, Neoclássica, Estruturalista, Behaviourista, Contingência e Mudanças, e, Culturas e Desenvolvimento Organizacionais.

    As macrovariáveis da ciência da administração concentram-se nos problemas de como atingir os objetivos, como acompanhar as mudanças ambientais, como estimular a cooperação dos empregados, como estabelecer uma estratégia com relação aos competidores, como maximizar os recursos materiais, financeiros, tempo, tecnologia, habilidades humanas, capital de giro, capital fixo, prazos, expectativas dos clientes, endomarketing, marketing, relacionamento com a cadeia de produção, expectativas da sociedade, legislação tributária, legislação de posturas municipais, relacionamento com as filiais, enfim, a única escola que se preocupou com os sentimentos e com o bem-estar do empregado ou do subordinado foi a escola administrativa das relações humanas, cujo prócer foi o médico e sociólogo Elton Mayo.

    A Teoria das Relações Humanas, ou Escola das Relações Humanas, é um conjunto de teorias administrativas que ganharam força com a Grande Depressão criada na quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929. Com a “Grande Crise” todas as verdades até então aceites são contestadas na busca da causa da crise. As novas idéias trazidas pela Escola de Relações Humanas trazem uma nova perspetiva para a recuperação das empresas de acordo com as preocupações de seus dirigentes e começa a tratar de forma mais complexa os seres humanos.

    Essas teorias criaram novas perspetivas para a administração, visto que buscavam conhecer as atividades e sentimentos dos trabalhadores e estudar a formação de grupos. Até então, o trabalhador era tratado pela Teoria Clássica, e de uma forma muito mecânica. Com os novos estudos, o foco mudou e, do Homo economicus o trabalhador passou a ser visto como “homo social”. As três principais caraterísticas desses modelos são:

    • O ser humano não pode ser reduzido a um ser cujo corportamento é simples e mecânico.

    • O homem é, ao mesmo tempo, guiado pelo sistema social e pelas demandas de ordem biológica.

    • Todos os homens possuem necessidades de segurança, afeto, aprovação social, prestígio, e auto-realização.

    A partir de então começa-se a pensar na participação dos funcionários na tomada de decisão e na disponibilização das informações acerca da empresa na qual eles trabalhavam. Foram sendo compreendidos aspectos ligados à afetividade humana e percebeu-se os limites no controle burocrático por parte das organizações como forma de regulamentação social.

    A Escola das Relações Humanas surgiu efetivamente com a Experiência de Hawthorne, realizada numa fábrica no bairro que dá nome à pesquisa, em Chicago, EUA.

    O médico e sociólogo australiano Elton Mayo, fez testes na linha de produção, na busca por variáveis que influenciassem, positiva ou negativamente, a produção.

    O primeiro teste foi realizado para encontrar a relação entre a intensidade da luz e a produtividade. Nesse teste, porém, foi encontrada uma variável difícil de ser isolada, o fator psicológico dos trabalhadores. Por conta desse fator mudou-se o foco da pesquisa, observando o comportamento dos trabalhadores a cada pequena mudança (ex: lanches, intervalos, mudança nos incentivos e nos horários de trabalho)

    As Experiência de Hawthorne geraram um novo paradigma para os administradores mundiais. Suas conclusões mais importantes são:

    • Integração social como determinante da produção, ou seja, quanto maior sua integração social no grupo maior será sua vontade de produzir, ao contrário do que dizia a Escola Clássica, que coloca fatores físicos como determinantes.

    • Comportamento do empregado é baseado no comportamento dos grupos e organizações informais, cada empregado não age isoladamente.

    • As necessidades psicológicas e sociais e a atenção para novas formas de recompensa e sanções não-materiais.

    • O despertar para as relações humanas dentro das organizações.

    • A ênfase nos aspectos emocionais e não-racionais do comportamento das pessoas.

    • A importância do conteúdo dos cargos e tarefas para as pessoas, eram realizadas trocas de posição para evitar a monotonia, mesmo que provacassem queda na produtividade aumentavam a moral do grupo.

    A experiência de Hawthorne foi realizada em 1927, pelo Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos (National Research Council), em uma fábrica da Western Electric Company, situada em Chicago, no bairro de Hawthorne e sua finalidade era determinar a relação entre a intensidade da iluminação e a eficiência dos operários medida através da produção. A experiência foi coordenada por Elton Mayo, e estendeu-se à fadiga, acidentes no trabalho, rotatividade do pessoal (turnover) e ao efeito das condições de trabalho sobre a produtividade do pessoal

    A direção da fábrica de Western Electric, situada no bairro Hawthorne da cidade de Chicago, Condado de Cook, estado de Illinois, contratou uma equipe de Harvard (Elton Mayo- médico especializado em psicopatologia e Fritz Roethlisberger) para conduzir experimentos relacionando produtividade e condições fisicas de trabalho. Nessa fábrica havia um grande departamento onde moças montavam relés de telefone. A tese era que aumentando a luminosidade, a produtividade também aumentaria. A Western Electric fabrica equipamentos e componentes telefônicos. Na época, valorizava o bem-estar dos operários, mantendo salários satisfatórios e boas condições de trabalho. A empresa não estava interessada em aumentar a produção, mas em conhecer melhor seus empregados.

    Para analisar o efeito da iluminação sobre o rendimento dos operários, foram escolhidos dois grupos que faziam o mesmo trabalho e em condições idênticas: um grupo de observação trabalhava sobre intensidade de luz variável, enquanto o grupo de controle tinha intensidade constante. Os operários se julgavam na obrigação de produzir mais quando a intensidade de iluminação aumentava e, o contrário, quando diminuía. Comprovou-se a preponderância do fator psicológico sobre o fator fisiológico: a eficiência dos operários é afetada por condições psicológicas. Reconhecendo o fator psicológico apenas quanto a sua influência negativa, os pesquisadores pretenderam elimina-lo da experiência, por considera-lo inoportuno. A conclusão (que ficou conhecida como experiência de Hawthorne) é que a produtividade sobe quando há a percepção dos trabalhadores que a direção da empresa dá atenção a eles.

    Começou em 1927. Foi criado um grupo de observação: cinco moças montavam os relés, enquanto uma sexta fornecia as peças para abastecer o trabalho. A sala de provas era separada do departamento (onde estava o grupo de controle) por uma divisão de madeira. O equipamento de trabalho era idêntico ao utilizado no departamento, apenas incluindo um plano inclinado com um contador de peças que marcava a produção em uma fita perfurada. A produção foi o índice de comparação entre o grupo experimental (sujeito a mudanças nas condições de trabalho) e o grupo controle (trabalho em condições constantes). O grupo experimental tinha um supervisor, como no grupo de controle, além de um observador que permanecia na sala. Elas foram convidadas para participar na pesquisa e esclarecidas quanto aos seus objetivos: determinar o efeito de certas mudanças nas condições de trabalho (período de descanso, lanches, redução no horário de trabalho etc.). Eram informadas dos resultados e as modificações eram antes submetidas a sua aprovação. A pesquisa foi dividida em 12 períodos.[2].

    • 1° período: Durou duas semanas. Foi estabelecida a capacidade produtiva em condições normais de trabalho (2.400 unidades semanais por moça) que passou a ser comparada com os demais períodos.

    • 2° período: Durou cinco semanas. O grupo experimental foi isolado na sala de provas, mantendo-se as condições e o horário de trabalho normais e medindo-se o ritmo de produção. Serviu para verificar o efeito da mudança de local de trabalho.

    • 3° período: Modificou-se o sistema de pagamento. No grupo de controle havia o pagamento por tarefas em grupo. Os grupos eram numerosos (mais de cem moças), as variações de produção de cada moça eram diluídas na produção e não refletiam no salário individual. Separou-se o pagamento do grupo experimental e, como ele era pequeno, os esforços individuais repercutiam diretamente no salário. Esse período durou oito semanas. Verificou-se aumento de produção.

    • 4° período: Início da introdução de mudanças no trabalho: um intervalo de cinco minutos de descanso no período da manhã e outro igual no período da tarde. Verificou-se novo aumento na produção.

    • 5° período: Os intervalos de descanso foram aumentados para dez minutos cada, verificando-se novo aumento de produção.

    • 6° período: Introduziram-se três intervalos de cinco minutos na manhã e três à tarde. A produção não aumentou e houve quebra no ritmo de trabalho.

    • 7° período: Voltou-se a dois intervalos de dez minutos, em cada período, servindo-se um lanche leve. A produção aumentou novamente.

    • 8° período: O grupo experimental passou a trabalhar até às 16h30min e não até às 17 horas, como o grupo de controle. Houve acentuado aumento na produção.

    • 9° período: O grupo passou a trabalhar até às 16 horas. A produção permaneceu estacionária.

    • 10° período: O grupo experimental voltou a trabalhar até às 17 horas. A produção aumentou bastante.

    • 11° período: Estabeleceu-se a semana de cinco dias, com sábado livre. A produção diária do grupo experimental continuou a subir.

    • 12° período: Voltou-se às mesmas condições do 3° período, tirando-se todos os benefícios dados, com a aceitação das moças. Esse período durou 12 semanas. Inesperadamente a produção atingiu um índice jamais alcançado anteriormente (3.000 unidades semanais por moça).

    • As moças gostavam de trabalhar na sala de provas porque era divertido e a supervisão branda (ao contrário da supervisão de controle rígido na sala de montagem) permitia trabalhar com liberdade e menor ansiedade;

    • Havia um ambiente amistoso e sem pressões, na qual a conversa era permitida, o que aumentava a satisfação no trabalho;

    • Não havia temor ao supervisor, pois este funcionava como orientador;

    • Houve um desenvolvimento social do grupo experimental. As moças faziam amizades entre si e tornaram-se uma equipe;

    • O grupo desenvolveu objetivos comuns, como o de aumentar o ritmo de produção, embora fosse solicitado trabalhar normalmente.

    • Os pesquisadores, fixados no estudo das relações humanas no trabalho, verificaram que, no grupo de controle, as moças consideravam humilhante a supervisão vigilante e constrangedora. Assim, em 1928 iniciou-se o Programa de Entrevistas (Interviewing Program) com os empregados para conhecer suas atitudes e sentimentos, ouvir suas opiniões quanto ao trabalho e tratamento que recebiam, bem como ouvir sugestões a respeito do treinamento dos supervisores. O programa obteve sucesso. Foi, então, criada a Divisão de Pesquisas Industriais para ampliar o Programa de Entrevistas. Entre 1928 e 1930 foram entrevistados cerca de 21.126 empregados. Em 1931 adotou-se a técnica da entrevista não diretiva, onde o operário pode falar livremente, sem que o entrevistador desvie o assunto ou tente impor um roteiro prévio. O Programa de Entrevista revelou a existência da Organização Informal dos Operários a fim de se protegerem das ameaças da Administração. Nela, os operários se mantêm unidos através de laços de lealdade.

    • Para analisar a relação entre a Organização Informal dos Operários e a Organização Formal da Fábrica, foi escolhido um grupo experimental para trabalhar em uma sala especial com condições de trabalho idênticas às do departamento. Um observador ficava dentro da sala e um entrevistador fora entrevistando o grupo. O sistema de pagamento era baseado na produção do grupo. O salário só poderia ser maior se a produção total aumentasse. O observador pôde notar que os operários dentro da sala usavam uma porção de artimanhas – logo que os operários montavam o que julgavam ser a sua produção normal, reduziam seu ritmo de trabalho. Os operários passaram a apresentar certa uniformidade de sentimentos e solidariedade grupal. O grupo desenvolveu métodos para assegurar suas atitudes, considerando delator o membro que prejudicasse algum companheiro e pressionando os mais rápidos para estabilizarem sua produção por meio de punições simbólicas.

    • Conclusões da Experiência de Hawthorne

    • Nível de Produção é Resultante da Integração Social

    • O nível de produção não é determinado pela capacidade física ou fisiológica do empregado (como afirmava a Teoria Clássica), mas por normas sociais e expectativas grupais. É a capacidade social do trabalhador que determina o seu nível de competência e eficiência e não sua capacidade de executar movimentos eficientes dentro do tempo estabelecido. Quanto maior a integração social do grupo, maior a disposição para trabalhar[4].

    • Comportamento Social dos Empregados

    • Os trabalhadores não agem ou reagem isoladamente como indivíduos, mas como membros de grupos. Portanto, a administração não pode tratar os empregados um a um, mas sim como membros de grupos e sujeitos às influências sociais desses grupos. A Teoria das Relações Humanas contrapõe o comportamento social do empregado ao comportamento do tipo máquina, proposto pela Teoria Clássica.

    • Recompensas e Sanções Sociais

    • Os precursores da Administração Científica, baseados no conceito de homo economicus, pelo qual o homem é motivado e incentivado por estímulos salariais, elaboravam planos de incentivo salarial, para elevar a eficiência e baixar os custos operacionais. Para a Teoria das Relações Humanas, a motivação econômica é secundária na determinação do rendimento do trabalhador. Para ela, as pessoas são motivadas pela necessidade de reconhecimento, de aprovação social e participação nas atividades dos grupos sociais nos quais convivem. Daí o conceito de homem social.[5]

    • Grupos Informais

    • Enquanto os clássicos se preocupavam com aspectos formais da organização como autoridade, responsabilidade, especialização, estudos de tempos e movimentos, princípios gerais de Administração, departamentalização etc., os autores humanistas se concentravam nos aspectos informais da organização como grupos informais, comportamento social dos empregados, crenças, atitude e expectativa, motivação etc. A empresa passou a ser visualizada como uma organização social composta de grupos sociais informais. Esses definem suas regras de comportamento, formas de recompensas ou sanções sociais, objetivos, escala de valores sociais, crenças e expectativas que cada participante vai assimilando e integrando em suas atitudes e comportamento.

    • Relações Humanas

    • As relações humanas são as ações e atitudes desenvolvidas a partir dos contatos entre pessoas e grupos. Cada pessoa possui uma personalidade própria e diferenciada que influi no comportamento e atitudes das outras com quem mantém contato. A compreensão das relações humanas permite ao administrador melhores resultados de seus subordinados e a criação de uma atmosfera na qual cada pessoa é encorajada a exprimir-se de forma livre e sadia.

    • Importância do Conteúdo do Cargo

    • A especialização não é a maneira mais eficiente de divisão de trabalho.Trabalhos simples e repetitivos tornam-se monótonos e maçantes afetando negativamente a atitude do trabalhador e reduzindo a sua satisfação e eficiência.

    • Ênfase nos Aspectos Emocionais

    • Os elementos emocionais não planejados e irracionais do comportamento humano merecem atenção especial da Teoria das Relações Humanas. Daí a denominação de sociólogos da organização aos autores humanistas.

    Em oposição às relações feudalistas, as quais eram construídas pelas bases tradicionalistas de laços de lealdades e fidelidades primárias, estas novas classes marxistas assalariadas criadas no capitalismo firmaram-se nas relações burocráticas baseadas em contratos de trabalho que não se sustentavam apenas na lealdade, nem em fidelidades, mas em obrigações, direitos e deveres estatuídos em leis entre os proletários e os capitalistas.

    Para suportar tais contratos foi necessário reformular o arcabouço jurídico através da constituição de novas leis e de novas instâncias jurisdicionais: os tribunais de justiça dos Estados de Direito Laico nacionais e no foro internacional.

    No diagnóstico marxista, os proletários eram vítimas da exploração assimétrica do capital pela classe burguesa. Em geral, os proletários assalariados deveriam libertar-se do jugo e do jogo de exploração da classe dominante.

    A maior libertação do proletariado, nos dias atuais, foi a consciência de classe autônoma, classe-para-si, com identidade de instituição.

    O contrato de trabalho os redimiria de culpa, estabilizaria as relações trabalhistas, através de mecanismos institucionais como: rede de proteção social, contrato coletivo de trabalho, substituto processual, associações de classe, sindicatos e federações de trabalhadores, partidos trabalhistas, amenizando, minimizando e atenuando a exploração em uma relação contratual menos assimétrica a ponto de atualmente a contrareforma social-laboral discutir a redução dos ônus da mãodeobra para os patrões e para o custo marginal dos produtos e serviços que demandam mãodeobra.

    O trabalhador atualmente não seria ou não deveria ser um mero insumo, e nem um objeto de consumo capitalista.

    Se Bill Gates procurasse emprego no Brasil, ou mesmo na empresa que ele fundou, a Microsoft, seria descartado pelo Departamento de recursos humanos. O seu currículo é longo demais, ele tem mais de 40 anos de idade, não tem formação superior, não possui qualquer pós-graduação, nem tem diploma algum na área de informática de graduação ou de especialização.

    Os seus algozes seriam os profissionais de recursos humanos das empresas que funcionam como um gatekeeper impedindo que pessoas como Fernando Henrique Cardoso, Bill Gates, e outros (fico imaginando como seria Bill ou Fernando colocando as suas experiências profissonais em uma ou duas páginas, como exigem os profissionais de RH – “Fundou a maior empresa de informática, adquiriu algumas do ramo, fez algumas inovações em informática; foi presidente da república, ministro de algumas pastas, escreveu alguns livros, criou teorias sociológicas, fundou partidos políticos, participou de organismos internacionais multilaterais, fala algumas línguas”) ingressem no mercado de trabalho. Ainda não conseguem distinguir recursos humanos de insumos humanos, confundem capital humano com ser humano.

    Por quê os tais profissonais se julgam ou agem como deuses? Será que já se esqueceram que um dia foram ou serão também candidatos à vagas de emprego, também, e que serão examinados por outro colega? São eles quem selecionam (eliminam) os candidatos sem experiência laboral antecedente, ou eliminam os que a possuem em excesso, eliminam os jovens, os velhos, os negros, os deficientes físicos e mentais, os baixinhos, os gordinhos, enfim são narcisistas, preguiçosos pois não gostam de ler currículos longos, para isso criam suas próprias versões de normas para currículos, ignorando as normas internacionais consignadas na ABNT.

  3. Perfeitamente, Roberto.
    Estou mais que familiarizado com a teoria das relações humanas e o experimento de Hawthorne e posso dizer que compartilho da sua visão acerca das relações sociais de produção no que tange à instituição do trabalho assalariado. Realmente, de certa forma, é uma escravidão disfarçada. Infelizmente a visão mecanicista do trabalhador ainda possui força descomunal na sociedade moderna e como você bem pontuou os algozes da área de recursos humanos estão bem cientes disso. No entanto, não sei se tento humanizar as relações capitalistas, antes, tento colocá-las em segundo plano, onde merecem estar, até porque não sei se se faz possível tornar humano certos abusos. Proponho, antes, de certa forma assumir um controle sobre estas relações evitando que o inverso aconteça. Isso é possível por meio do simple living. Como você bem pontuou, sociedades “primitivas” carecem da utilização de recursos alheios. Nesse ponto você está totalmente correto exceto pelo fato de que por primitivas eu entenderia sociedades preferenciais à complexidade da outra forma de organização. Não as vejo como primitivas, antes como mais complexas uma vez que, como próprio Thoreau propõe o indivíduo se faz livre conforme a quantidade de coisas que pode prescindir. Nada mais faço do que propor esta inversão, que tal irmos de uma sociedade complexa escravizada pela dependência de recursos alheios para aquela outra? Na verdade se os próprios grupos, que você muito bem ressaltou, que organizam a base produtiva pudessem optar por essa inversão, bem talvez houvesse inclusive uma mudança em uma proporção macro. Mas isso já entra na esfera dos devaneios, previsões e intuições que como bem sabemos, não tem nada de científico. Obrigado pela reflexão afinal, é de suma importância que o experimento de Hawthorne seja evidenciado, tão pouco difundido na academia, além disso a teoria das relações humanas e o conceito de homo social são bastante satisfatórios inclusive para àqueles extremistas que insistem em justificar o fracasso de certas organizações capitalistas com a existência exclusiva do homo economicus. Por fim, compreendestes corretamente meu ataque à instituição do trabalho assalariado. Quem sabe a mudança se faça mais provável partindo da pequenez dos grupos/indivíduos que pela substituição de todas as instituições capitalistas e o estabelecimento de outras que, de forma alguma se pode garantir eficiência maior em todos os aspectos a serem levados em consideração.
    Um abraço, Luiz

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