Entre Revoluções e Liberdade

Qual preço você daria pela sua liberdade? Até que ponto deixaria sua família para conhecer um novo mundo de oportunidades? Conseguiria viver em um lugar opressivo sem deixar-se ser esmagado pelas forças que atuam contra sua liberdade?

A proposta deste texto é contextualizar os telespectadores para o cinema político dessa semana e propor uma reflexão sobre liberdade.

            O nome do filme – “Persépolis” – significa, em grego, a cidade dos persas, capital da Pérsia a partir do reinado de Dario I, ao final do século VI a.C. O país hoje chamado de Irã era conhecido como Pérsia até 1935. Foi o império de grandes figuras como Ciro, o Grande, Dario I e Xerxes I, que marcaram a história por vários feitos. Entre eles, destacam-se diversas lutas por conquista ocorridas tanto no continente asiático quanto no europeu.

            Várias dinastias marcaram presença na história do Irã. A última, antes da proclamação da República Islâmica, foi a Pahlavi, com seu representante, o Xá Mohammad Reza Pahlavi. Seu governo teve início durante a Segunda Guerra Mundial e foi marcado pela grande repressão militar. Uma curiosidade do período foi a sua aliança com o ocidente durante a Guerra Fria.

            Mohammad Reza deveria governar segundo a constituição, mas cada vez mais gerou descontentamento, principalmente entre estudantes e intelectuais, que se sentiam impulsionados por uma reforma democrática. Ao se auto-intitular Rei dos Reis (Imperador do Irã), desagradou boa parte da população. A situação ficou ainda mais complicada quando o Xá decidiu comemorar os 2500 anos da monarquia persa, o que impactou principalmente a religião islâmica. Mohammad utilizava-se da sua polícia secreta, o Savak, para controlar, suprimir e marginalizar seus oponentes.

            Ayatollah Khomeini (exilado em Paris) foi o líder da oposição contra o reino de Reza. Quando o último abandonou o país, no dia 16 de janeiro de 1979, Ayatollah pôde retornar para o Irã. No dia primeiro de abril, declarou o Irã uma República Islâmica, após fazer um referendo que consistia apenas em duas opções: a favor ou contra seu tipo de governo. Tornou-se líder espiritual supremo (Valy-e-Faqih), e novas regras, entre elas o código de vestimenta feminino, foram impostas.

            Não bastando o fato de terem entrado em uma nova forma de repressão, a população iraniana teve que agüentar uma longa guerra contra o Iraque durante o período de 1980 a 1988, movida por disputas políticas e territoriais.

O Iraque invadiu o Irã principalmente por querer a reapropriação de três ilhas no Estreito de Ormuz, a cessão da autonomia às minorias dentro do Irã, a desestabilização do governo islâmico do Teerã e a anexação do Khuzistão. O confronto só terminou quando a ONU agiu como mediadora para um cessar-fogo no dia 15 de agosto de 1988.  Estima-se que o número de mortos e feridos, civis e militares, do lado do Irã, tenha sido de 750 mil a um milhão ao longo dos oito anos.

O filme “Persépolis” mostra a vida da jovem iraniana, Marjane Satrapi, que viveu durante a Revolução Islâmica (1979) e a Guerra do Irã contra o Iraque (1980-1988). É uma animação adaptada do livro de Satrapi. Totalmente auto-biográfico, o longa retrata momentos marcantes na vida da autora, como: a infância no fim do reinado do Xá Mohammad Reza Pahlavi, a mudança no seu cotidiano ao ser instaurada a República Islâmica (ter que usar a Burca) e a constante sensação de perigo que teve de enfrentar ao longo da guerra.

O longa-metragem teve 25 indicações (inclusive ao Oscar) e ganhou 18 prêmios. Vale destacar o prêmio do juri de Cannes.

Marjane Satrapi vive atualmente em Paris e, recentemente, lançou a história em quadrinhos “Bordados”. O ritual de “bordar”, que ocorria na casa de sua avó, era o ritual de reconstituição do hímen para aquelas mulheres que optavam por ter uma vida sexual antes do casamento.

Sempre engajada em temas de sua terra natal, Marjane, em “Persépolis”, nos envolve no eterno conflito humano entre o amor inerente à sua pátria e a necessidade vital pela liberdade de expressão.

Um texto da petiana Louize Helena

Bibliografia

CIVILIZAÇÃO PERSA – História da Civilização Persa. In: História do Mundo – Portal BrasilEscola.com. Diponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/persa/civilizacao-persa.htm&gt; Acesso em 27 de novembro de 2011.

IRAN-IRAQ WAR (1980-1988). In: GlobalSecurity.org. Disponível em: <http://www.globalsecurity.org/military/world/war/iran-iraq.htm&gt; Acesso em 27 de novembro de 2011.

IRAN. In: CIA: The World Factbook. Disponível em: <https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ir.html&gt; Acesso em 27 de novembro de 2011.

HISTORY OF IRAN. Islamic Revolution of 1979. In: Iran Chamber Society. Disponível em: <http://www.iranchamber.com/history/islamic_revolution/islamic_revolution.php&gt; Acesso em 27 de novembro de 2011.

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