Meritocracia, critérios de avaliação e o caso da arbitragem

Como o estereótipo de brasileiro, sou apaixonado por futebol, choro, grito, esperneio, tudo pelo meu (um dia) grandioso Atlético – MG. E como qualquer torcedor as falhas de arbitragem me revoltam, por isso resolvi dar uma olhada mundo a fora, e descobrir se o descaso com a qualidade da arbitragem é um caso particular do Brasil, ou se estamos apenas seguindo um padrão de descaso internacional.

Primeiramente procurei como funcionava a arbitragem no Brasil, procurei com a paixão de um torcedor revoltado e o que consegui achar foi que é uma profissão ainda não regulamentada, que a CBF exige que o cidadão tenha outra profissão para que possa atuar como árbitro no país ( o que complica imensamente na questão das viagens), que os árbitros recebem por partida apitada e que a decisão de quem vai apitar cada partida, e se um árbitro vai ou não trabalhar é feita por sorteio, ou seja, o cidadão passa a semanas se preparando e nunca sabe quando vai receber por seu esforço. Quanto à avaliação da arbitragem no país, encontrei notícias sobre avaliações físicas e teóricas, feitas juntamente com um inspetor da FIFA para que os árbitros sejam homologados por essa entidade e pela CBF, mas não encontrei nenhuma avaliação da “qualidade do apito”. O único incentivo para um árbitro é poder ter uma das 10 vagas reservadas à CBF para árbitro da FIFA, e assim poder apitar jogos internacionais em competições oficiais.

Seria isso suficiente? Aparentemente não, por isso a UEFA (Union of European Football Associations) criou um sistema de avaliação da qualidade de um árbitro que vai além da avaliação física e teórica, mas abarca também a prática da profissão, e essa avaliação é feita pelos chamados Observadores. “Os observadores são convidados a analisar as decisões reativas ou preventivas com influência no andamento do jogo, avaliar os julgamentos que correspondem às regras da modalidade e a forma como os árbitros reagem na sequência de situações ou decisões complicadas. Quem desempenha o papel de observador deve, também, dispensar toda a atenção a decisões importantes, como faltas ou simulações junto da grande área, negação de oportunidades de gol, atos de violência, confrontos e protestos perante as decisões do árbitro, segundo cartão amarelo e decisões no âmbito da lei de impedimento.” (http://www.cartaovermelho.esp.br/index.php?name=News&file=article&sid=326)

Esses observadores, que na Inglaterra são ex-jogadores e ex-técnicos, têm a missão não só de avaliar, mas também de aconselhar as equipes de arbitragem, dando-lhes, ao fim de cada jogo, um feedback de sua atuação com diretrizes para a melhora dessa.

Ja na NFL (National Football League), a principal Liga de Futebol Americano, criou um sistema próprio de avaliação e pontuação das equipes de arbitragem, em que as notas também são dadas relativamente à habilidade “no apito” que cada árbitro tem, as equipes de arbitragem podem ser “rebaixadas” às ligas menores caso não tenham um desempenho satisfatório, e novas equipes são “promovidas” para apitar jogos da NFL a partir da avaliação de seu desempenho ao atuar e outras ligas. Além disso, um grande sistema de incentivos foi criado para eleger de forma meritocrática, e não sortear, os árbitros de cada posição que apitarão o Super Bowl, senão o maior, um dos maiores eventos esportivos anuais dos EUA e do mundo.

Isso esclarece muitas duvidas minhas, e de grande parte dos torcedores brasileiros, quanto ao compromisso da CBF com a boa atuação dos árbitros no país. Muitos árbitros e torcedores descordam de como as coisas vem sido feitas, o que os leva a criar coisas como o Placar Real (http://www.placarreal.com.br/), uma iniciativa que faz uma classificação paralela do campeonato brasileiro que, ao contrário da CBF, leva em conta a atuação da árbitro, onde o resultado de cada jogo é definido pelo resultado oficial (-) ou (+) os erros da arbitragem, e, ao fim do campeonato será dado um trofeu ao Campeão Moral do Brasileirão, este sendo ou não o mesmo que o campeã oficial e que ainda tem um “Favorecimômetro”, que classifica os times mais favorecidos e prejudicados pela arbitragem no campeonato.

Mas seriam a meritocracia e um sistema de incentivos mais complexo as soluções para o problema da arbitragem brasileira? E como implantar isso uma vez que a CBF é o latifúndio de Ricardo Teixeira, e raramente cede a nós, povo, os trabalhadores de seu plantation?

Um texto do petiano André Atadeu.

Um comentário em “Meritocracia, critérios de avaliação e o caso da arbitragem

Adicione o seu

  1. É verdade que os políticos estão na vanguarda quando se fala de corrupção. Mas, por outro lado, imagine voce se alguém lhe dissesse que ganhou em sorteios da Megasena 200 vezes seguidas. Isso já aconteceu na política, como farsa, é claro. Mas, o que diria alguém de um caso mais escabroso de um vencedor que ganha há mais de 50 anos seguidamente?
    É assim que funciona o futebol profissional no Brasil. Veja que em meus 56 anos de vida cansei de esperar por uma mudança do ranking dos quatro maiores times de futebol do Rio de Janeiro, melhor dizendo, dos quatro vencedores natos do futebol carioca. Apenas para argumentar; o mesmo se pode dizer em São Paulo, em Minas Gerais, em Rio Grande do Sul.
    O que se vê é que contrariando a ciência da Estatística, os quatro grandes são ocupantes vitalícios do olimpo futebolístico, a saber: Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo.
    Não venham dizer que é questão de escala ou de investimentos. É muito mais que isso: é muita sorte que os outros times não têm, como, por exemplo: Bangu, Canto do Rio, Friburguense, Cabofriense, Campo Grande, América os quais nunca, repito, nunca cheguam a figurar entre os grandes times.
    Neste caso a mão-invisível do acaso é muito conspícua.
    Vai ter azar assim no inferno!
    Na ciência que estuda o acaso, a Estatística, não existem as probabilidades 100% nem 0%, mas, o futebol profissional desmente este axioma matemático.
    Compreendo as paixões que despertam nos torcedores a trajetória histórica destas instituições, que as obriga a não se encaixarem em qualquer lógica matemática, mas os casos inúmeros de pequenas e grandes fraudes, no final resultam na alteração das expectativas matemáticas, mais ainda, nas esperanças estatísticas.
    Nem o melhor matemático do mundo conseguiria explicar este fenômeno, onde tudo é muito previsível, visto que as variáveis estão todas sob controle, e não é do controle emocional; interesses sociológicos, políticos, financeiros, geopolíticos, de Estado, eleitorais, de segurança pública, étnicos, sexuais, estão todos entrelaçados impedindo que o acaso decida as relações históricas, fazendo com que a História se repita, contrariando a Dialética, essa História que se repete como uma farsa muito desejada e ansiosamente esperada.

    http://professorrobertorocha.blogspot.com/2011/07/maior-farsa-da-historia-da-humanidade.html#!/2011/07/maior-farsa-da-historia-da-humanidade.html

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: