E porque não?

Tenho poucos escritos no atual blog do PET-Pol, no entanto, aqueles que puderam acompanhar pelo menos alguns notam minha predileção por afastar-me da ciência política como assunto principal das minhas publicações. Isso é claro, tem um motivo: acredito veemente que este espaço tenha por objetivo a livre expressão da criatividade e das características do atuais petianos (e também dos precedentes) assim, minha proposta de texto para hoje foge ao tema da política explicitamente, a questão é: e porque não? No caso, trataremos hoje de um assunto pouco explorado, a meu ver, no entanto muito, muito sério. Antes de adentrar no conteúdo do texto, deixo claro que a abordagem de um objeto como esse, por mais exótico que possa parecer, não deve ser subestimada, deixo claro também minha condição de mero admirador, não praticante, leigo e não possuidor de domínio profundo do assunto que se segue. Sem mais delongas, trataremos aqui da “lenda” de Shambalah, peça importante e magnífica da cultura indo, sino, mongol e tibetana, Vos pergunto novamente: E porque não? Shambalah é uma das 8 cidades sagradas pertencente ao continente conhecido como Agartha, situado, nada mais nada menos, que no centro da terra. Reza a “lenda” que no interior do planeta existe uma extensão de terra, oceanos e outros elementos (inclusive um sol, talvez associado ao núcleo terrestre), cuja capital seria a cidade sagrada de Shambalah. Há várias vertentes que versam sobre a descrição deste lugar místico, uma delas descreve este continente como sendo governado pelo ser chamado Melki-Tsedeq. Este misterioso personagem é citado na bíblia (Gên. 14:18-20 e Heb 6:17-20 e 7:1-3). Nestes trechos, respectivamente, o monarca se encontra com Abraão e é descrito como rei de salém (que quer dizer Paz) e como rei da justiça. Há vertentes que entendem Melki-Tsedeq como ser que teria a mesma vibração energética de Jesus, não explorarei muito este assunto pela falta de informação. Fato é que, entre as diversas culturas da humanidade, desde o início dos tempos, existe a tradição de conceber a idéia de paraíso terrestre, terra sagrada ou terra pura, onde os mais elevados ideais da humanidade são realidades vivas. Na grécia antiga, o reino de Agartha ou até mesmo a cidade de Shambalah, pode ser associada aos Campos Elísios, nos tempos Védicos era conhecida como Ratnasanu (pico da pedra preciosa), Hermadri (montanha de ouro) e Monte Meru (lar dos deuses do Hinduísmo). Os Eddas (textos islandeses referentes a mitologia nórdica) também mencionam uma cidade como Shambalah situada na terra de Asar. Os Egípcios, no livro sagrado dos mortos a chamam de Amenti, os hindús, de a cidade das Sete Pétalas de Vixnu, há por fim, a cidade dos sete reis de Edom, ou, Jardim do Éden. Os persas descreveram tal lugar como Alberdi ou Aryana, os hebreus, Canaã, os olmecas Tula ou Tolan, os astecas de Maya-Pan, os conquistadores espanhóis pintavam tal cidade como Eldorado, os aborígenes australianos de Manoa. Na idade média, por fim, havia a associação como a ilha de Ynys Wydryn mais popularmente conhecida como Avalon, enfim, o paraíso terrestre. No nosso caso, nos atentaremos à interpretação indo-tibetana desse lugar magnífico, especificamente, à cidade de Shambalah. Este lugar é entendido como sendo um lugar de paz, tranquilidade, felicidade e harmonia. Tudo começou quando o Shakyamuni Buddha (que não é, necessariamente, o Buddha Gautama), ensinou a mandala do KALACHAKRA TANTRA, ao sagrado rei Dawa Sangpo, de Shambalah. Esse ensinamento constitui a essência do lugar. Acredita-se que ao práticar este tantra, as pessoas tornariam-se iluminadas, atingindo tal grau de evolução mental e espiritual que permitiria o estabelecimento de uma sociedade utópica e perfeita. A cidade de Shambalah, aparece pela primeira vez nos textos Puranas e Vedas, que são propriamente hindus, no entanto, sua vertente budista tibetana também existiu de maneira contemporânea. Shambalah é governada por uma dinastia de reis, 32 no total, 8 de uma linhagem sagrada (associada aos avatares hindus, que seriam descritos como descendentes diretos dos céus na terra, uma deidade encarnada, comportaria um ser supremo no mundo material, seu avatar) e 24 de uma linhagem denominada Kalki, monarcas que garantem a integridade e a prática do Kalachakra Tantra. Este tantra, como é conhecido atualmente, não em sua forma pura (pois esta seria sagrada), envolve o conceito de tempo (kãla) e de ciclo (Chakra), associando os ciclos planetários com os ciclos da respiração humana, ensina a prática do trabalho como forma de energia pura dentro do corpo do indivíduo e caminho à iluminação. Como o kalachakra é o tempo e tudo que existe compreende um tempo, o tantra representa o todo (inclusive o atemporal). Há várias vertentes teóricas que versam sobre a localização de Shambalah, alguns dizem que está abaixo da Ásia central, ou no nordeste do Tibet. Os mongóis, por exemplo afirmam que ela se encontraria em algum lugar na Sibéria, o budismo moderno aceita uma provável localização como sendo no Himalaia. Há várias entradas para o reino de Agartha, algumas inclusive no Brasil, a mais famosa sendo a da serra do roncador (que possui este nome porque suas chapadas produzem um som tal como um ronco misterioso, vindo do interior da terra). Um nome atribuído à Shambalah na literatura ocidental seria Shan-gri-la, primeiramente descrita na obra de James Hilton (“Os horizontes perdidos”). Helena Roerich liderou uma expedição até Shambalah que durou 4 anos, de 1924 a 1928. Gleb Bokii, chefe dos criptógrafos Bolcheviques e um dos chefes da polícia secreta soviética junto com um parceiro Alexander Barchenko embarcou numa jornada para atingir Shambalah, na tentativa de trazer o Kalachakra Tantra para o comunismo nos anos 1920. A idéia fracassou por motivos de discordância da alta cúpula comunista. Outro que se aventurou na tentativa de encontrar Shambalah foi Heinrich Himler e Rudolf Hess, ambos ministros do partido nacional-socialista (nazista) liderado por Hitler. Sua expedição teve início em 1930, tendo sido feita novamente em 1934 e por fim em 1938. Shambalah pela prática desse tantra é, portanto, um lugar onde os mais altos ideais estariam concretizados. A idéia da cidade compreende tanto um plano físico quanto um plano espiritual, um plano exterior e um plano interior. Isso significa dizer que ela exista materialmente mas somente pode ser percebida por espíritos iluminados ou com o karma apropriado para visualizá-la. Alice Bailey (1951) afirma ser Shambalah um reino situado em um dos multiversos possíveis, ou seja, em uma outra dimensão, ou até em uma dimensão espiritual, uma realidade fora do plano etérico, governada por Sanat Kumara que, um avatar, habita o logo planetário da Terra. A interpretação versa que Shambalah não é apenas um lugar terreno, mas antes interior, comparável a terra pura do Budismo, de caráter mental e moral, um estado de iluminação que todas as pessoas podem aspirar e alcançar. Para mérito ilustrativo, basta trazer a contribuição de Blavatski (s/d) que exemplifica o caráter interior da cidade ao dizer que a aparência de Shambalah variaria segudno a natureza espiritual do observador: “Por exemplo, certa ribeira, pura e simplesmente a mesma, pode ser vista pelos deuses como um rio de néctar, como um rio de água pelos homens e como uma mistura de pus e sangue pelos fanstasmas esfomeados e por outras criaturas como um elemento no qual se vive”. É um lugar interior. Por fim, traremos aqui um pouco sobre as profecias de Shambalah. Uma vez que se está tão em voga dissertar sobre o final dos tempos, vejamos o que versam as culturas envolvidas sobre esta questão, afinal, porque não?

Segundo Alexander Berzin (2001), o primeiro rei da dinastia Kalki predisse que haveria em 624 DC (em nossa datação ocidental) a fundação de uma religião não-índica cujos seguidores viriam a governar a India. Da sua capital, o rei desses seguidores, Krinmati, tentaria conquistar Shambalah em 2424 DC (ironias à parte, acho que 2012 não se deu muito bem nessa profecia). Em resposta, o vigésimo quinto rei Kalki (lembrem-se que estamos no atual período do vigésimo quarto), iria se mobilizar até a terra para derrotar tais forças invasoras numa grande guerra. A sua vitória marcaria o fim do Kalyuga (idade das disputas) durante a qual a prática do Dharma degeneraria. Depois disso, uma nova era dourada se seguiria, durante a qual os ensinamentos irão florescer, especialmente os de Kalachakra. Assim, essa era de ouro se caracterizaria pela revelação dos mistérios do kalachakra à Terra e à sua prática, levando à harmonia e paz. A ideia de uma guerra entre as forças do bem e do mal, terminando com uma batalha apocalíptica liderada por um messias, apareceu primeiro no zoroastrismo, fundado no século VI a.C., várias décadas antes do Buda ter nascido. Incorporou-se no judaismo, algures entre o século II a.C. e o século II d.C.. Subsequentemente, entrou no cristianismo inicial e no maniqueísmo, e mais tarde no islã.

No entanto, na versão Kalachakra, essa profecia da guerra teria um significado simbólico. Isso quer dizer que a luta contra essas forças negativas não seria uma guerra real. A batalha real seria dentro dos próprios indivíduos. A intenção do primeiro rei Kalki ao descrever a guerra era dar uma metáfora para a batalha interna da profunda consciência da vacuidade contra o não percebimento e o comportamento destrutivo. Simbolicamente, os 12 deuses hindus que ajudariam a ganhar a guerra representam o fim dos 12 elos do surgimento, dos 12 movimentos diários das respirações cármicas dos próprios indivíduos. As 4 divisões do exército na batalha representariam os níveis mais puros das 4 atitudes imensuráveis do amor, da compaixão, da alegria e da equalidade. As forças maléficas representariam as mentes de forças cármicas negativas apoiadas pelo ódio, pela malícia, pelo ressentimento e pelo preconceito. A vitória sobre elas seria a realização do caminho para auto-liberação e auto-iluminação. Sem que nos alonguemos muito, afinal, sempre me criticam pela extensão de meus escritos, vimo-nos diante de uma belíssima parte da cultura indo tibetana. Antes de tudo, não convém devanear sobre a veracidade da descrição (se Shambalah realmente existe ou não), ao contrário, estamos diante de uma magnífica interpretação, crença ou realidade, de que o ser humano pode ser melhor. Ainda que, para isso, ele tenha que habitar determinada localização ou fazer determinadas práticas. Ao pensar em paraíso terreno estamos, automaticamente, assumindo que onde vivemos não é o paraíso, que há dor, maldade, infelicidade e medo ao nosso redor. Crer em Shambalah, é crer no potencial do ser humano para melhorar a realidade vigente. Talvez nem mesmo seja necessário crer, conhecer a história, é atentar-se para a possibilidade de evoluir, seja por qualquer meio religioso (judaico, cristão, islâmico, hindu, budista), ou pela própria razão, no sentido de atingir a harmonia que tanto nos falta nos dias atuais. Olhemos ao nosso redor, nos jornais, na TV, na internet, observemos o caos econômico, social, mental, espiritual, direcionemo-nos para as guerras, violência, morte e por fim perguntemos diretamente ao nosso interior, “e porque não?”

Um texto de Luiz Fernando Roriz.

 

BERZIN, Alexander, 2001. Disponível em http://www.berzinarchives.com/web/pt/archives/advanced/kalachakra/relation_islam_hinduism/holy_wars_buddhism_islam/holy_war_buddhism_islam_shambhala_long.html . acesso em 12/10/2011

BLAVATSKI, Helena Petrovna. Glossário Teosófico. São Paulo, Ground, S/D

REDFIELD, James. O segredo de Shambalah, São Paulo, Editora Notícias, 2001

Anúncios

4 comentários em “E porque não?

Adicione o seu

  1. Texto lisérgico/psicodélico, hein Luti?
    Eu não me simpatizo muito com a Blavatski e esse papo gnóstico da teosofia. Como diria o Eric Voegelin, isso soa como “divinização da realidade”. Se bem que é extremamente comum na História o ser humano querer adentrar demais nos mistérios do Universo…
    Porém, de fato achei interessante essa estória de Shambalah!
    Para mim, a melhor parte do texto é a seguinte: “Gleb Bokii, chefe dos criptógrafos Bolcheviques e um dos chefes da polícia secreta soviética junto com um parceiro Alexander Barchenko embarcou numa jornada para atingir Shambalah, na tentativa de trazer o Kalachakra Tantra para o comunismo nos anos 1920. A idéia fracassou por motivos de discordância da alta cúpula comunista.” – WHERE IS YOUR GOD NOW, REDS? =D

  2. Segundo o filósofo Jean Jacques Rousseau, o surgimento da propriedade privada durante a pré-civilização criou o indivíduo proprietário egoísta e transformou a convivência social numa competição selvagem pela sobrevivência individual, obrigando-nos à constituição da sociedade baseada no contrato social de defesa do indivíduo proprietário e do direito à propriedade.
    Assim, segundo Rousseau, foi destruído o pacto grupal comunitário que unia os nossos antepassados na pré-civilização.
    Como não é mais possível a dissolução deste contrato social e o retorno ao sistema de posse comunal; como também não é mais possível a volta ao sistema patrimonialista teremos que construir formas e contrato para os dois tipos de posse de bens: a) a propriedade privada; e b) a propriedade pública.

    Sociedade pós-moderna

    Com o advento da sociedade contemporânea, pós-industrial, surgiram demandas sociais que obrigaram as sociedades humanas a ultrapassarem as velhas definições de propriedade privada.
    A nova res-pública exige que toda propriedade privada atenda ao interesse social e submeta-se ao interesse público, primacialmente.

    Propriedade privada de interesse social

    O usufruto da propriedade privada fica limitado pelo interesse social, limitando a posse e o usufruto da propriedade privada, transformando-a em semipública, ou, propriedade público-privada.
    A corrupção, portanto, é quando um bem público ou de interesse social é apropriado ou usufruído como bem privado strictu senso. O bem público é todo bem, serviço ou facilidade colocado à disposição pelo Estado para o cidadão nas condições de acesso que a lei determinar. (concessão, permissão, compra, aquisição, arrendamento,usufruto, enfiteuse, aluguel, posse, empréstimo, retrovenda).

    A Relação de Religião com a Corrupção

    A investigação da influência da religião no comportamento social consiste em uma linha de investigação no mínimo interessante, haja vista os trabalhos que relacionam a religião ao comportamento moral e político.
    Referências antigas a este respeito vem principalmente de Tales de Mileto na Grécia, 550 a. C., fundador da Filosofia. Tratou Tales de afastar a religião e a tradição da esfera política e científica, para construir os fundamentos da racionalidade filosófica; deixando-nos a Ciência da Ética em lugar da Religião e da tradição para nos servir de referência para as regras de conduta social e moral.
    Outro autor de destaque que desfere ataque contra a religião é Maquiavel, quem declara existir duas éticas: a religiosa, ou, moral, e, a da política. A ética moral é a ética de convicção, incondicional; a ética política seria a ética da responsabilidade, a qual indica que os fins determinam os meios, justificando-os. Outro autor que se refere à religião escreve um importante trabalho sobre o tema que é o maior dos antropólogos, Èmile Durkheim, o qual em seu estudo sobre o suicídio egoísta, suicídio autruísta, suicídio social e suicídio anômico e a relação do suicídio com o Calvinismo, mostrando que havia uma imbricação e entrelaçamento entre eles com o Capitalismo ocidental.
    E para concluir, o sociólogo e economista Marx Weber, o qual indexou a questão religiosa do protestantismo ao espírito do Capitalismo.
    Outros grandes autores podem também serem citados por sua correlação contruída entre o capitalismo e a religião, entre o comportamento social e a religião, com Karl Marx , Immanuel Kant, Husserl, todos relacionando a ética religiosa à racionalidade, comportamento e expectativas humanas, obviamente os psicanalistas dialogam permanentemente com a religião, como se vê nas obras de Jung, Freud, Sartre e Lacan.
    Todos estes autores concordam que a religião tem ponderado e pautado o comportamento e as expectativas humanas, sendo referência para o estabelecimento de padrões de comportamento econômico, social, político, pessoal e moral da humanidade.

    A Miséria como Causa da Corrupção

    A miséria é o principal indicador socioeconômico e político. Segundo os marxistas, é o fator estrutural do sistema capitalista.
    A precarização econômica e material do indivíduo faculta e oportuniza a tomada de atalhos e descaminhos para a obtenção dos meios de sobrevivência.
    A miséria é um indicador frequentemente associado à violência: a fragmentação da convivência social, enfraquecendo e vulnerando a noção de legalidade, empurra o indivíduo, fragilizado e precarizado pela carência material, a caminhar sempre no limite extremo da sobrevivência, da dignidade, da decadência, da decência, da licitude, da moralidade, da honestidade, obrigando-o a estar sempre na circunstância de decidir entre o legal e a privação; entre o ilegal e a satisfação da carência, da carência premente: ou o indivíduo recusa a oportunidade de delinquir e passar por privações, ou pode cometer pequenos e justificáveis delitos em função do estado de necessidade famélica extremada.
    A miséria é uma porta aberta para o delito, e só pode ser fechada ou pela privação consciente, ou pelo socorro às necessidades prementes vindo de fora.

    A Moral e a Ética

    A questão moral (costumes), que é a Ética secular da praxis social, foi derivada da tentativa de substituição à época dos filósofos gregos desde 550 a. C., dos preceitos determinativos do comportamento social e pessoal dados pela religião e pela tradição: tais preceitos doutrinários e dogmáticos.
    Quando tentou-se substituí-los (a religião e a tradição) pela racionalidade filosófica, dando-se aos preceitos éticos justificativas lógicas e principiológicas para o comportamento considerado reto, socialmente aceitável, baseados na razão instrumental.
    Eliminar-se-iam o medo da punição eterna, da punição de consciência, o medo da reprovação social baseada nos costumes tradicionais intraduzíveis, místicos e míticos, pelas variantes racionalistas principais: a) Ataraxia; b)Epicurismo; c) Ceticismo; d)Justiça; e) Estoicismo.
    a) Ataraxia: é a busca da completa serenidade interior, pelo abandono total das perturbações produzidas pelo desejo, através do abandono total de todo desejo; é o desejo não realizado, não concretizado, que leva à frustração. E o principal de todos os desejos é o desejo de felicidade. A frustração levada às últimas consequências conduz à violência ou à apatia, tornando o indivíduo antissocial.
    b) Epicurismo: ou hedonismo, seria a busca utilitarista da felicidade através do prazer, fazendo-se um balanço desta busca da felicidade através da economia e escolha racional entre o parazer e o dever, entre o sacrifício e o prazer, fugir da dor e do sacrifício desnecessário e improducente, minimizando as expectativas de sofrimento e maximizando as expectativas de prazer e de vantagens através do cálculo egoísta entre o dever e o prazer, entre o custo e o benefício.
    c) Ceticismo: seria a busca racional da verdade absoluta pelo abandono de todas as idéias e noções préconcebidas e apriorísticas; buscar a verdade livre de quaisquer condições preexistentes, epoché, imutáveis ou indiscutíveis, insofismáveis. tudo pode e deve ser questionado, examinado, verificado, investigado, posto à prova, nada pode ser desprezado ou excluído da censura e da dúvida.
    Duvidar de conceitos e das verdades eternas e das afirmações insofismáveis.
    Tudo pode ser questionado, verificado, discutido e modificado. Tudo deve ser testado, demonstrado e atestado. Somente pode ser verdadeiro aquilo que sobreviver ao fato concreto. No limite, chega-se ao niilismo Nietzcheriano: nada é nada, nada é tudo, e tudo é nada, não existem propósitos nas ações e intenções humanas.
    d) Justiça: a noção de justica, representada pela balança, indica que os nossos atos não podem exceder nem ficarem aquém da medida certa e exata, nos momentos e lugares certos: sem excessos nem falhas, ou faltas. Sendo justos estaremos sempre mantendo o equilíbrio da balança; nem bondade, nem maldade; nem doar nem receber; nem retirar nem entregar nada que não seja direito. Cumprir os deveres na estrita medida do necessário.
    e) Estoicismo: é aquela corrente filosófica que ficou conhecida por defender a importância do sacrifício pelo futuro, deixar de gastar hoje para usufruir depois, pois nada se consegue de útil sem sacrifício, sem o esforço devido. O sacrifício de agora, a poupança, a previdência, a prevenção, abstinência é que podem prover e determinar o amanhã.
    A vida sem coragem para fazer renúncias, para abrir mão do imediatismo dionisíaco e das fantasias e dos sonhos acaba em arrependimento e frustração; o planejamento, a obstinação, a frugalidade, a simplicidade e a abnegação são os únicos caminhos para o sucesso.

  3. Muito interessante, acho que simpatizei bastante com a ataraxia que era, até então, desconhecida por mim. Me lembrou um pouco da filosofia trancedentalista Emersoniana na qual o auto-domínio e a harmonização interior com a natureza e a realidade externa conduzem o indivíduo à superação das frustrações terrenas e do drama existencial. Também acredito que hajam outras saídas para o dilema humano (ética, moral, epicurismo, ceticismo, etc). A própria ataraxia é muito interessante. Ressalto que ao pontuar sobre o tema religioso não tomei-o como verdadeiro (e nem desejo fazer juízo sobre sua veracidade), observei como admirador, afinal, a própria fé na razão não deixa de ser fé, nem deixa de ser admirável. Obrigado pelo comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: