Liberdade de expressão pra quem?

Faço, primeiramente, um breve resumo do principal acontecimento motivador desse post, cujo objetivo é incitar a discussão, o debate, sobre um tema que merece a nossa atenção.

Em 18 de agosto foi noticiada nacionalmente a ação movida por grupos LGBT em Ribeirão Preto contra a veiculação, feita por uma igreja local, de passagens bíblicas que condenam o homossexualismo.

Os trechos bíblicos contidos no Outdoor eram (1) “Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável…” Levítico 20:13; (2) “Por causa das coisas que estas pessoas fazem, Deus as entregou a paixões vergonhosas, até as mulheres trocam as relações naturais pelas que são contra a natureza. E também os homens deixam as relações naturais com as mulheres e se queimam de paixão uns pelos outros. Homens tem relações vergonhosas uns com os outros e por isso recebem em si mesmos o castigo que merecem por seus erros.” Romanos 1: 26-27; (3) Portanto arrependam-se e voltem para Deus, a fim de que ele perdoe os pecados de vocês.” Atos 3:19

A alegação daqueles que buscaram a justiça para que os outdoors fossem removidos é de que no dia 21 de Agosto aconteceria a 7ª Parada Gay de Ribeirão Preto e que a veiculação dos outdoors seria uma demonstração de “ataque” ao evento. Agatha Lima, que faz parte do grupo responsável pela Parada Gay de Ribeirão Preto disse que “todos os seres humanos têm direito a expressar o que quiserem, mas têm o ano todo para fazer isso. Fazer na semana da diversidade é uma maneira de ataque, não tinha essa necessidade.” (Fonte: http://www.anoticiagospel.com.br/2011/08/justicaderibeiraopretodecideretiraroutdoorsevangelico )

Aluísio Ruggeri, Defensor Público disse que, em sua opinião, o outdoor expressa três direitos constitucionais: a liberdade sexual, a religiosa e a de expressão, “mas, desses valores, penso que deve prevalecer o da liberdade sexual e o combate à homofobia”, completou. Segundo a Presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB de São Paulo, Adriana Galvão Moura, a homofobia é caracterizada pela incitação ao ódio contra o homossexual.

O outdoor não cita mensagem de ódio, mas traz citações sobre uma visão ético/moral/religiosa comum entre os cristãos, e traz uma passagem mostrando que há possibilidade de redenção (segundo essa mesma visão ético/moral/religiosa). Os textos usados de base para as citações feitas no outdoor são de livre circulação.

Por fim, na noite do dia 19, a Justiça acabou concedendo uma liminar que determinava a retirada dos outdoors, com uma pena de 10 mil reais pelo descumprimento.

Outros fatos que inspiraram o post:

 Gilberto Kassab vetar e chamar de inconstitucional a Lei que criava o dia do Orgulho
Heterossexual na cidade de São Paulo.

A Marcha para Jesus ter sido transferida da Avenida Paulista enquanto esta foi
disponibilizada para a Parada Gay.

Ter ouvido N pessoas, que se manifestaram em favor do PL 122, dizerem que as marchas pela família/Jesus são ridículas.

Agora deixo algumas perguntas:

Liberdade de expressão tem data?!

Quando a ação de grupos vai além da busca de igualdade de direitos e passa a ser uma busca por privilégios devemos permanecer calados?!

Poder expressar sua opinião é liberdade, ouvir a do outro é ridículo, preconceituoso,
discriminatório?!

 “Dormi em um país democrático e acordei em um país ditatorial!” Antônio Hernandez Lopes, pastor da igreja responsável pela veiculação dos outdoors sobre a liminar que exigiu a retirada dos mesmos.

“Se os movimentos homossexuais ou qualquer outro querem respeito devem também respeitar a opinião daqueles que discordam. Neste País, não podemos permitir que haja cerceamento à expressão do pensamento, à liberdade de opinião e, sobretudo, ao direito daqueles que são cristãos, ou espíritas, ou católicos, ou evangélicos, seja lá o que for, de expressarem livremente sua convicção e de, com recursos próprios, fazerem propagandas como essa” Senador Marcelo Crivela em seu discurso no Senado Federal tratando da matéria dos outdoors de Ribeirão Preto.

A multiplicidade de opiniões e o debate é que geram e mantém um governo democrático e plural, os oprimidos deveriam buscar ser vistos e tratados como iguais aos opressores, e não condenar privilégios que esses possam ter enquanto buscam privilégios para si mesmos.

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/961624-outdoorevangelicogeracriticadegaysemribeiraopretosp.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/962638-justicamandaretiraroutdoorevangelicocriticadoporgaysemsp.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/962781-mensagensemoutdoorevangelicocriticadoporgayssaoretiradas.shtml

http://www.anoticiagospel.com.br/2011/08/justicaderibeiraopretodecideretiraroutdoorsevangelico

http://universouniversal.wordpress.com/tag/%C2%AAvaracivelderibeiraopreto

André Atadeu, Cristão, que vê na Bíblia uma mensagem de amor a todos e de respeito mútuo, mas nem por isso de concordância.

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8 comentários em “Liberdade de expressão pra quem?

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  1. Na minha opinião (e que fique bem claro que é minha e apenas uma opinião), a questão maior é que a liberdade de expressão não é um valor absoluto. Ela posiciona-se na nossa Constituição ao lado de outros ‘valores’, mas não se sobrepõe e nem é subjugada por eles. Em cada caso, há de se analisar todos esses valores e decidir qual prevalecerá. Talvez, essa escolha seja um tanto arbitrária, uma vez que não se excluem os ditames morais e crenças daqueles que estão julgando, mas essa é a forma que escolhemos.
    Em nome de uma liberdade de expressão, poderíamos permitir o racismo, por exemplo. Há quem ache, de fato, que negros, pela cor da sua pele, são verdadeiramente seres inferiores. Eles têm o direito de pensar isso? Tem. Tem o direito de expressar essa opinião? Não. Alguns textos religiosos dizem que a pele negra é uma maldição que foi lançada sobre Caim, uma marca deixada em seus descendentes para que fosse possível identificá-los. Sob essa ótica, o preconceito racial seria aceitável como é a homofobia? (Porque, sim, a homofobia é perfeitamente aceita pela nossa sociedade!)
    Qual é o limite entre uma opinião e uma ofensa? De quem é a liberdade? Porque apenas aqueles que tem acesso as mídias é que são capazes de expressar a sua, o que torna toda a coisa não tão livre assim. Além disso, temos responsabilidade por aquilo que dizemos. Não existem palavras soltas, tudo está dentro de um contexto social. Pessoas que vissem o tal outdoor enquanto outros celebravam a diversidade poderiam ser facilmente levados à reprodução do preconceito, usando-se, inclusive, de violência.
    Assim, não há respostas fáceis, nem verdades completas, mas creio que a reflexão é muito mais profunda.

  2. Acho que algumas coisas podem ser ditas em relação ao seu tema.
    Primeiramente, concordo que é um debate importante. Mas depois desta frase, creio discordar de tudo.
    Primeiramente, gostaria de reivindicar que você não chame a homossexualidade de homossexualismo. O radical “ismo” é atribuído a ideologias (mas muitos afirmam ser doença também), e isso não compactua com a condição natural de determinados seres humanos de ser atraídos (não só sexualmente, mas afetivamente) por pessoas do mesmo sexo. Embora, após ter escrito tudo isso, fico me perguntando se é exatamente por acreditar que é uma escolha e tem uma redenção em Deus, que você usou homossexualismo.
    Em segundo lugar, é importante pensarmos em qual contexto estamos dizendo as coisas que dizemos alegando ser liberdade de expressão. Uma marcha em orgulho da Heterossexualidade num país onde a cultura patriarcal reproduz em todos os níveis violências como as de homofobia, a marcha é sim, inconstitucional, afinal, usa de um repertório conquistado pelos grupos LGBT de expressar (livremente diga-se de passagem) sua sexualidade que era, e é, oprimida para sua privacidade, afim de reafirmar a posição de livre expressão da sexualidade hetero, o que é, sim, violência. É violência por que se apropria de simbolismos advindos de uma luta por direitos básicos (como união civil – não ousarei dizer casamento para que não orem por minha alma). É violência por que prega, não o reconhecimento de uma condição que é relegada à marginalidade, mas sim a reafirmação de um grupo que – por vontade própria ou não – oprime todos os dias. Oprime por que olha torto um casal homoafetivo que anda de mãos dadas, oprime por que não deixa que um homem chame outro homem de amor, ou que duas mulheres façam plano de mensalidade família num clube, numa academia, ou um programa de domingo no parque.
    Da mesma forma, o cartaz não expressa a liberdade sexual, mas, num contexto onde a Igreja católica (mas não só católica) não somente salva e prega, mas condena e reprime (e não vamos falar que a repressão é somente para os meros pecadores “civis” por que sabemos que há padres, bispos e sacerdotes homossexuais sobre os quais a Igreja não fala), o cartaz violenta por uma coisinha básica que eu chamaria de vontade de verdade. Ora! A Igreja não é como eu, ou você, ou meu porteiro, ou minha advogada… estabelecendo formas de poder que repousam sobre uma instituição maior, que se fortalece dentro dos discursos de verdade que é capaz de sustentar e fazer-se reconhecer como se fossem verdades absolutas – ou, melhor talvez em se tratando de religião, sagradas.
    A igreja, apoiada na bíblia, produz verdade, produz frases que não soam como a opinião (aclamada!) do colega Marcelo. Elas reverberam como verdade pois a igreja tem a palavra de deus, a vontade de deus. Aliás, de deus não! De UM deus! De um deus cristão, de tradição grego-romana, e portanto de um deus ocidental. De um deus homem. De um deus que se fez ser humano no corpo de um homem branco, de olhos azuis e cabelos lisos (ou ao menos é assim que o retratamos hoje, apesar de sua origem judia abrir precedentes para pensarmos que isso é só uma adptação do retratado do nosso amado deus aos padrões de estética atual).
    Quanto à pessoas que se posicionem a favor de PL122 ou de Marcha de Jesus, não dê piti. Aprenda a ouvir e selecionar os argumentos que fazem sentido e os que não fazem. Isso é uma discussão.
    Por fim, acredito que, do seu texto, tiro a seguinte conclusão… Nós, minorias, deveríamos sim buscar ser tratados e vistos igual aos opressões. Minha maior vontade é essa. Mas eu não sou homem. Não sou caucasiana. Não sou cristã. Não sou heterossexual. Não sou rica. Sou mulher, negra, lésbica, umbanda, em ascendência financeira (Amém Senhor!). Minha luta não é para tirar privilégios de ninguém (apesar de não ser contra maior taxação de impostos nas classes mais altas não, já digo logo). Minha luta não é por PRIVILÉGIOS. Minha luta é por direitos. É por receber exatamente o mesmo tratamento que você recebe. Nem melhor. E nem pior!

    1. “gostaria de reivindicar que você não chame a homossexualidade de homossexualismo(…) fico me perguntando se é exatamente por acreditar que é uma escolha e tem uma redenção em Deus, que você usou homossexualismo”. Me perdoe se usei a expressão errada, não tinha conhecimento da diferença de significado entre elas, usei homossexualismo pois é a palavra que masi ouço, e a que me veio primeiro à cabeça.
      “Uma marcha em orgulho da Heterossexualidade” Só para que fique claro, não falei de marcha, mas sim do dia do orgulho hétero, e não me posiciono a favor desse dia, só acho que devem ser revistos alguns argumentos que são usados contra ele uma vez que no cenário atual a luta de uma parcela dos grupos minoritários deixou de ser por direitos e passou a ser por privilégios, ao menos ao meu ver.
      “Quanto à pessoas que se posicionem a favor de PL122 ou de Marcha de Jesus, não dê piti. Aprenda a ouvir e selecionar os argumentos que fazem sentido e os que não fazem” Não estou dando piti, estou apenas ressaltando que acho sem sentido alguem que acaba de justificar seu ato como liberdade de expressão condene outro que se legitima no mesmo argumento.
      “apesar de não ser contra maior taxação de impostos nas classes mais altas não, já digo logo” Sou completamente a favor do aumento da taxação sobre as rendas e patrimônios maiores, e sou contra alguns privilégios que parcelas da sociedade têm.
      “Minha luta não é por PRIVILÉGIOS. Minha luta é por direitos. É por receber exatamente o mesmo tratamento que você recebe. Nem melhor. E nem pior!” Eu, não só como cidadão, mas também como cristão, acredito e apoio essa luta. Só questiono aqueles que acham que as outras pessoas não tem direito de discordar de suas escolhas, respeitar é uma cosia, concordar é outra, e sim, sei que muitas formas de expressar a discordância acabam desrespeitando, e lamento por isso.

      1. Não queria ser grosseira, na mensagem apenas enfática. Acontece que, quando você relativiza demais a liberdade de expressão cria-se não um contexto de luta de direitos, mas de opressão defendida por uma bandeira de liberdade.

        Só queria lembrar que não se trata de sexualidade como escolha, por que nenhum homossexual, heterossexual ou transsexual fez, em qualquer momento, uma escolha por algo.

        E, neste sentido, concordamos. É possível discordar de ações de expressão, ou mesmo de lutas diversas por direitos n, o que não pode haver é desrespeito – a grande questão é… Quando é desrespeito? Quando o “oprimido” sente-se desrespeitado ou quando o “opressor” entende que desreseitou?

        Queria dizer ainda, que meu argumento vale pra tudo, inclusive para cristãos que são, em determinados casos, oprimidos e desrespeitados.

  3. É, Atadeu, não sei,

    Liberdade de expressão talvez até seja alguns dos princípios que venham reger aí a nossa boa democracia, mas, pressupor simplesmente um cenário em que “os oprimidos deveriam buscar ser vistos e tratados como iguais aos opressores” é talvez um tanto insustentável, ou tautológico.

    Buscando no Wikipedia o que seria essa tal-“tautologia” (perdoem-me, a palavra soa mal, mas é engraçada de se pronunciar), imaginei que ela caísse bem pra identificar na sua proposta algo que, em minha opinião, é o que exatamente tentam fazer os oprimidos: serem vistos e tratados como iguais aos que os oprimem. Acho que esta não é uma questão de privilégio, não. É uma questão de justiça dispor de condições iguais entre todxs. Sua proposta de mudança na postura dos “oprimidos” me parece, por isso, recair naquilo por que lutam essas pessoas.

    No entanto, igualdade e justiça não é algo “dado” – com uma só possibilidade. Dispor ou acomodar-se a uma ordem ou forma de se manifestar ou “competir” pelo reconhecimento de direitos é também se submeter às regras do jogo que não foram construídas no vácuo, ou de modo “imparcialmente” justo. Mas, antes de tudo, ajustar-se às regras que são mais cômodas às disposições de poder de alguns sobre um monte outras e outros – os oprimidos, dos quais você falou.

    Neste sentido, Atadeu, como é possível, nessas regras estabelecidas de liberdade de expressão e de reconhecimento de direitos dos “opressores” – como você mesmo falou -, os “oprimidos” terem direitos iguais reconhecidos e, até mesmo, deixarem de ser oprimidos, para serem, finalmente e com todxs, verdadeiramente iguais?

    Se em uma ordem desigual os “opressores” são mais iguais que os “oprimidos”, de que forma essa lógica pode permitir igualdade de direitos para segmentos que estão estruturalmente desfavorecidos?

    Se, como você mesmo admite, há esses tais “oprimidos”, você não acha pedir demais de segmentos já condicionalmente injustiçados disputarem e lutarem por reconhecimento como se fossem pessoas “opressoras”? Acho que ser oprimido (ou gay, ou negro, ou mulher, ou nordestino, ou pobre, ou portador de necessidades especiais, ou idoso…) é diferente de ser outra coisa que não isso (olha eu aqui, tautologando…); e, isso influi, sim, na forma com que é possível requerer direitos e exprimir necessidades. E, talvez, um mundo realmente livre para esse direito de expressão que você fala fosse um lugar em que essas necessidades pudessem ser manifestadas da forma clara com que são sentidas. Coisa que, imagino, você deve também achar que não vem ocorrendo.

    Acho que liberdade de expressão, como está colocada aqui, pode até ser de alguma maneira relevante do ponto de vista da construção de um mundo mais justo, mas acho que ela não pode se colocar a frente da integridade e do respeito a segmentos que estão, sim, de forma bastante sensível – seja cultural e/ou materialmente – impossibilitados de terem suas formas de (boa)vida respeitada. Falo aqui das formas de identidade e de manifestação que não estão orientadas a excluir outros modos de viver, mas que querem um espaço para a manifestação e a satisfação de suas necessidades.

    Sinceramente, acho que é em favor disso que medidas como as que “restringem” a liberdade de expressão de segmentos cristãos e resguardam repertórios de manifestação de segmentos LGBT aparecem – e, com o perdão da palavra, Graças a Deus!
    Por que não é às custas de privilégios que essas medidas vem sendo implementadas, mas, pelo contrário, de muito sangue e silenciamento axs nossxs tantxs oprimidxs…

    Esse tema rendeu algumas ideias interessantes… quem sabe não há para o meu próximo texto no blog, né? =)

    Abraços,
    João

  4. Eu acredito que o ponto chave dessa questão foi mencionado pelo João: “Falo aqui das formas de identidade e de manifestação que não estão orientadas a excluir outros modos de viver, mas que querem um espaço para a manifestação e a satisfação de suas necessidades”. Quer dizer, o discurso cristão anti-homossexual nada mais é do que o desdobramento do impulso totalizante de muitas religiões; acho que ninguém está querendo impor que cristãos não sejam heteronormativos, mas porque alguns cristãos têm que se manifestar de forma a negar integralmente uma identidade? Como a Tatiana disse, o cristão vai se defender dizendo que aquela é a verdade absoluta (ou sagrada), e que cabe ao cristão lutar por isso (em busca da salvação do irmão perdido, talvez?). Sim, os cristãos têm o direito de pensar desta forma, mas tanto do ponto de vista formal quanto substantivo do Estado democrático de direito, eles só podem manifestar essa opinião se não denegrirem o equivalente direito de manifestação de crenças e valores de outrem. Do ponto de vista formal, acho que já foi bem explicado acima pelo Marcelo Caetano. Do ponto de vista substantivo, creio ser importante que cada grupo identitário tenha consciência de que a sua manifestação não pode partir da supressão de “outros modos de viver” (como dito pelo João). É aí que entendemos que democracia e liberdade de expressão devem também levar em conta o conceito de autolimitação, tão esquecido pelos que pensam que democracia é, entre outras coisas, poder falar o que quiser.
    Em síntese, acho que o discurso cristão mais corrente prega veementemente o combate à homossexualidade, enquanto os grupos LGBTT, via de regra, estão pouco preocupados em pedir o banimento de alguma religião, e mais preocupados em lutar por seus direitos, pelo direito de manifestar suas crenças e seus valores coexistindo com outras diferentes visões de mundo, e não a partir da exclusão delas.

  5. Parabéns pelo texto. Calar o outro praticamente jamais será a melhor ação a ser tomada em termos da construção de uma sociedade mais compreensiva.

  6. Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

    Parece improvável acreditar que muitos ainda não saibam mas o centro intelectual do Ocidente, na verdade, a principal matriz cultural e intelectual do Ocidente, que foi a cultura da Grécia dos filósofos, desde o Séc. VI a. C., já tenha sido uma civilização heterofóbica.

    É claro que esta fase não se refere a todo o período da epopéia filosófica do helenismo. Dentre outros legados que os filósofos gregos nos deixaram, a homossexualidade não foi um deles. Pelo menos como um sucesso de modelo social.http://professorrobertorocha.blogspot.com/2011/07/afinal-o-que-e-homofobia-intolerancia.html#!/2011/07/afinal-o-que-e-homofobia-intolerancia.html

    Tentaram, durante um período, constituir a prática da homossexualidade masculina como obrigatória para os cidadãos ilustres (na Grécia cidadão ilustre é pleonasmo, pois os cidadãos já eram distintos da sociedade justamente por terem status privilegiado). Os homens tinham nos homens seus melhores amantes, conselheiros, companheiros e parceiros sexuais. E, avançando no limite do politicamente incorreto, ainda incluíam para sua luxúria e deleite, a pedofilia, carinhosamente apelidados de efebos, de 12 anos de idade. Eram os infantes, meninos, que eram os namorados dos velhotes e adultos do sexo masculino, cuja companhia muito honrava aos pais destes pequenos escolhidos para serem amantes dos filósofos em tão tenra idade.

    O que pode parecer uma evolução para os simpatizantes do homossexualismo é na verdade um retrocesso histórico; esta não deve ser uma boa notícia. Que o homossexualismo tenha sido heterofóbico, além de ter sido uma prática do Estado, grego, e que não tenha prosperado como modelo de comportamento social, tendo desaparecido tão rápido como começou sem deixar heranças. Este modelo de sociedade nunca mais foi tentado na História da humanidade.

    Este modelo social heterofóbico não foi reincidente com o foram os modelos de: escravidão, tributarismo, machismo, patriarcado, matriarcado, socialismo, comunismo, patrimonialismo, monarquia, ditaduras, democracia, república, teocracia, totalitarismo, autoritarismo, tradicionalismo, feudalismo. Esta prática heterofóbica, ao contrário de todas as outras, somente se deu uma única e derradeira vez na História da humanidade. Só este fato deveria chamar a atenção dos teleólogos.

    Mas, o homossexualismo produziu uma grande tragédia na civilização moderna e contemporânea, jamais assumida pelos homossexuais masculinos. A Aids.

    Eu também sou um pesquisador da área, e é uma pena que os heterossexuais, mulheres, e os não-drogaditos-injetáveis tivessem que morrer para que o Estado (governo) pudesse fazer o ataque politicamente-correto aos aidéticos. Lembro-me muito bem das estatísticas da AIDS há vinte e cinco anos (Estes dados foram cuidadosamente ocultados do público pelo Ministério da Saúde e pela Presidência da República, foram obtidos da pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, publicados em jormal científico de circulação interna desta Instituição):

    Aidéticos-homossexuais = 90%
    Aidéticos-usuário-injetáveis = 10%
    Aidéticos-hetero sexuais masculino= 0%
    Aidéticos do sexo feminino heterossexuais= 0%

    No momento seguinte, cerca de 5 anos depois:

    Aidéticos-homossexuais = 70%
    Aidéticos-heterossexuais = 0%
    Aidéticos-bissexuais = 20%
    Aidético-usuários-injetáveis = 10%
    Aidéticos do sexo feminino heterossexuais= 0%

    Somente quando a AIDS saiu do gueto, deixando de ser doença exclusivamente dos GAYS, (lembre que surgiu para o Ocidente nos guetos gays da Califórnia, trazida por um comissário de bordo gay e se espalhou pela comunidade gay, forjando o apelido de “doença de gay”), é que o Estado pode começar a campanha para des-estigmatizar a doença e proclamar que finalmente não era um caso-gay, era um problema de saúde pública.. Que pena!

    Os heterossexuais já deram a sua quota de tolerância involuntariamente, reconheço, à causa gay, pagando com as suas vidas os erros e as hesitações do Estado, quando o mesmo poderia até mesmo isolar e estancar a doença, visto que a hepatite gay já era um fenômeno observado entre os homossexuais da Califórnia (San Francisco e Los Angeles).

    Imagine se um político iria fazer determinar a segregação de uma parte da sociedade em benefício da saúde do restante dela por causa da opção sexual(os gays), da etnia, do sexo, da sexualidade, da cultura, da estatura, da idade, da escolaridade, da riqueza. Sabemos os cientistas sociais que seria impossível tal ação, criando campos de segregação, concentração, estereotipando e estigmatizando um segmento social.

    Então todos têm que pagar pelo sacrifício? Ontem foram os gays, sabe-se se lá no futuro se uma doença como a AIDS atacasse um segmento visível e discreto da sociedade, como os negros, por exemplo, ou os anões, o que faria o Estado? Poderia segregá-los, ou eliminá-los? Esta é uma questão que devemos nos debruçar com atenção e cuidado para que não se reproduza a tática de avestruz, quando fechamos os olhos para o problema em lugar de discutirmos francamente e buscarmos saídas e respostas livres de preconceitos e estigmatizações, com seriedade e maturidade.

    Esquecem-se que todo mito tem função social educativa ou preventiva. Não se deve desprezar os mitos. Com relação à homofobia, seria muito leviano apenas declarar que constitui-se num simples e inexplicável preconceito.
    Mas, infelizmente, não é um simples preconceito. Existe uma longa História que determina este preconceito.
    Vamos inverter os argumentos, ao invés de apresenta-los, vou fazer perguntas.
    Onde viviam os gays e lésbicas há alguns anos passados?
    Nos becos escuros, nas boates sujas e irrecomendáveis, fazendo cenas obscenas nas ruas e praças, comportando-se de modo totalmente indiscreto e agressivo, libidinoso e provocante. Bem, é difícil não associar um gay ou lésbica ao submundo sexual, geralmente associado à prostituição, drogas, e companhias de pessoas de baixo calão, locais frequentemente não recomendados para pessoas decentes e famílias.
    Este foi e ainda é a realidade do mundo gay e lésbio para a maioria dos LGBT.
    Alguns GLBT, após a parada antológica, sentiram, com todo o orgulho, que a sociedade os haveria assimilado.
    Alto lá: a sociedade dos LGBT pode ir correndo pegar a senha de atendimento das demandas sociais dos agrupamentos minoritários da sociedade.
    Duas coisa esqueceram:
    a) a sociedade ainda não absorveu as demandas de outros segmentos há mais tempo reivindicando seu espaço e respeito de tolerância e dignidade, como os membros do grupo da terceira-idade, dos negros, das mulheres, dos cegos, dos cadeirantes, dos viciados em drogas, dos mutilados, dos sem-tetos;
    b) Entre os LGBT ainda nem começou a pacificação entre eles mesmos pois ainda está pendente de solução as diferenças e discriminação por causa de etinias, de escolaridade, de cultura, de riqueza, de capacidade de acesso aos sistemas de saúde e de transsexualidade cirúrgica. Peraí, quer dizer que eles não se entendem no básico, ainda não se veem como grupo coeso e homogêneo, estabelecem exclusão entre eles mesmos em função do status social, racial, de beleza, de idade, de acessibilidade, e exigem que todo o resto da sociedade faça o seu dever de casa?
    Poderia fazer uma lista de pensadores e líderes poderosos e influentes que fracassaram fragorosamente e historicamente ao tentarem afrontar a Religião. Começaria pelos filósofos gregos, há 2500 anos, quando decretaram o fim da tradição e da religião, substituídos pela verdade única da verdadeira ciência cética e lógica. Fracassaram. Vieram os ditadores como Hitler, Stalin, Lenin, os Iluministas, Sociólogos com Durkheim, Antropólogos com Mauss, Karl Marx, Proudhom, a lista de intelectuais não tem fim. Ao afrontar os princípíos religiosos, morais e as tradições os gays e simpatizantes estão subestimando a luta que terão pela frente, que terminará em mais uma histórica derrota.
    Sugiro outra tática ao enfrentamento.
    Os norteamericanos perderam a guerra do Vietnam principalmente porque não conquistaram corações e mentes, despejaram naquele País menor do que o Estado do Rio de Janeiro mais bombas do que todos países despejaram juntos durante toda a Segunda Grande Guerra, e com melhor tecnologia do momento, ainda assim perderam a guerra. Como disse Clausewitz “a guerra é antes de tudo um conflito de vontades, se vc não dobrar a vontade do inimigo de lutar voce perdeu a guerra, não importa a sua vantagem bélica”.
    Esta guerra dos gays e simpatizantes já nasceu perdida nos corações e mentes da sociedade e da comunidade.
    Depois de quase 70 anos de proibição comunista da prática religiosa, na ex-URSS, ao iniciar a glasnot as igrejas na nova Rússi e Satélites reabriram imediatamente seus templos como se nunca tivesse existido o comunismo ateu.

    Os papéis sociais que formam a categoria gênero, (e não são estanques), foram sendo construídos e reconstruídos de acordo com o contexto histórico, assim como os papéis do jovem / velho, pais / filhos, aluno / professor, marido / esposa, namorado / namorada, acho que já percebeu onde quero chegar, né… Papéis sociais refletem uma época, uma geografia, a trajetória histórica de uma comunidade, por isso as revoluções / reformas dos papéis são quase que obrigatórias e desejadas pelo inconsciente coletivo, (desculpe a aula de Sociologia), para quem não acredita nisso, serve a um necessário processo evolutivo inelutável.

    Papéis sociais são expectativas de comportamento da sociedade. Podem ser contraditórios, cooperativos, reforçados, criminalizados, reprimidos, reconstruídos, coercitivos, censuardos, reprovados socialmente, mas fazem parte do estatuto de pertencimento aos grupos e classes sociais, onde o indivíduo multifiliado pode e deve pertencer a diversificados grupos simultaneamente, e ter de prestar lealdade a cada um dos grupos e classes sociais em função destes papéis sociais, muitas vezes ocultando conflitos pessoais e alterando o seu comportamento em função destas lealdades primárias.

    Sociedades criam e deletam os papéis sociais.
    Não se nasce masculino ou feminino.
    Os gêneros são construídos no sistema político-social.
    Ninguém nasce negro ou branco, os trejeitos masculinos ou femininos, negroides ou branquelos são resultantes de treinamentos sociais fornecidos pelos estatutos obrigatórios dos grupos sociais.
    Estamos assistindo à construção do papel social dos terceiros e quartos gêneros: homossexual-masculino, homossexual-feminino, e, uma combinação destes dois últimos com os anteriores em diversas gradações e nuances.
    Estes novos papéis precisam “pegar”, ou seja, precisam passar pelo teste social e encontrarem o seu lugar na hierarquia social já congestionada pelos migrantes, pelos religiosos, pelos mestiços, pelo regional.
    Vê-se que a maioria dos LGBT subestimaram muito o enorme desgaste que terão em sua longa caminhada para a afirmação deste novo status social.

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