Por que ser feminista?

[Não tão brevemente sobre mim…] Quando entrei na universidade, tinha pouquíssimo contato com o feminismo em qualquer uma das suas formas – seja o militante, o teórico-acadêmico, ou o feminismo quase intrínseco que algumas mulheres carregam. Confesso, portanto, que sinto uma ponta de inveja quando escuto ou leio que minhas e meus colegas de luta se sentem feministas desde muito cedo na infância ou que tem uma experiência quase revolucionária na adolescência que xs fez feministas…

Eu, pelo contrário, lembro-me muito bem das conversas que tinha com um amigo petiano em especial, na qual eu criticava a linguagem inclusiva e o (então considerado excessivo) recalque lingüístico de algunxs professoraes da Universidade de Brasília. Lembro-me de concordar com o meu pai sobre a não necessidade de se afirmar feminista num mundo onde o que importa não é quem você é, mas o que pensa, faz, fala… Lembro, acima de tudo, de afirmar veementemente que a fome e a miséria são problemas muito maiores do que a igualdade entre os gêneros, e que a pauta feminista portanto, não fazia sentido para mim.

Lembro-me de tudo isso com um tanto de remorso de mim mesma, mas com a certeza de que o meu caminhar na construção de uma feminista é parte significativa de quem eu sou como mulher e sujeito, dentro e fora do movimento, dentro e fora da academia. Hoje não consigo me imaginar desvinculada de todo um pensar que construí em salas de aula e na convivência diária com pessoas maravilhosas, muitas delas ex-petianas também. Toda essa reflexão, essa introspecção de me entender enquanto feminista, surgiu em um momento muito oportuno (e talvez por causa dele): quando me deparei com espaços diferentes daquele que participaram ativamente na minha sensibilização para com o feminismo.

Foi nestes espaços, nos quais nada via de feminismo (pelo contrário, foi me deparando com o machismo velado e desvelado), que passei a realmente pensar em por que ser feminista e a valorizar tal posicionamento meu como um projeto político para o mundo. Assim, chego, (finamente!) na minha pergunta inicial… Por que, afinal, deveríamos ser feministas?

Devemos ser feministas, homens e mulheres, negrxs, brancxs, homo e heterossexuais (mas também todas as outras pessoas que não se enquadram nas extremidades destas dicotomias, ou entre outras várias que não citarei aqui).

Devemos ser feministas porque acreditar, como eu acreditava, que nosso mundo, nossa sociedade, é um espaço onde o que importa não é quem você é em termos de gênero ou raciais, por exemplo, é ignorar a realidade que se mostra a nossa volta em termos objetivos, para não mencionar a realidade subjetiva e as exclusões diversas nas esferas mais invisíveis existentes.

Devemos ser feministas porque o feminismo também pensa a fome e a miséria e a violência e a opressão em todos os termos, em todos os níveis, e para com todas as pessoas. E pensa, além do problema, em soluções para além da lógica masculina de redistribuição de recursos, por exemplo; pensa em soluções para a construção da autonomia dos sujeitos, para o empoderamento, para a mudança verdadeira da sociedade.

Devemos ser feministas porque o feminismo é um ponto de partida para pensar o mundo (academicamente ou não) de outra forma, desconstruindo os parâmetros que temos a partir não somente da crítica dos posicionamentos ou conceitos, mas da reflexão acerca de como estes conceitos, parâmetros, posicionamentos e afins foram construídos e internalizados por cada um de nós.

Devemos ser feministas porque ser feminista é um exercício constante de questionar seu próprio lugar de fala e de repensar o quanto da nossa linguagem molda o nosso mundo e o quanto do mundo será transformado por meio da nossa linguagem.

Devemos ser feministas porque o machismo não só mata, mas também oprime; e o faz não só com as mulheres, mas com homens, com as crianças, com homossexuais e com as famílias. Por que o padrão estético e a expectativa social de um comportamento determinada generificadamente é agressiva com todxs e em todo o momento.

Devemos ser feministas, finalmente, por acreditarmos em um mundo diferente, em uma democracia diferente, em uma lógica de pensamento diferente, nos quais os valores sociais são outros, os quais pregamos mais justos, inclusivos e, acima de tudo, mais convergentes com um mundo no qual viver seria, simplesmente, mais prazeroso.

*Levem em consideração, ao ler o texto, que o feminismo é, como a democracia, um conceito em disputa. Existem muitos feminismos (e não só na teoria!), muitas agendas, muitas mobilizações, muitas contradições, muitas discordâncias… Trato aqui de uma visão bastante pessoal que foi, contudo e como expliquei, construída por meio dos espaços dos quais participo e em contato com as maravilhosas pessoas com quem tive (e tenho!) o prazer de conviver – a elas um imenso obrigada!

Escrito pela feminista Catarina Corrêa

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35 comentários em “Por que ser feminista?

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  1. Belo manifesto. Parabéns!

    Acho que esta é uma contribuição, além de vibrante, bastante esclarecedora para quem acha que o feminismo é uma causa de um só grupo.
    Ainda que hoje (não pensei assim sempre) eu acredite que o feminismo é uma luta de protagonismo principalmente da mulher, acho que, como você defendeu muito bem, a opressão machista é algo que agride não só a mulher, mas a vários outros segmentos sociais de mulheres e de homens, alguns mais e outros menos sutilmente violentados por esse patriarcado presente no nosso cotidiano, né?

    Mais uma vez, meus parabéns =)
    Abraços.

    1. Agradeço o comentário e os elogios sempre.
      Acho que é mesmo importante desmistificar o feminismo e mostrar o quão mais universal ele é!
      Isso é importante na política, na militância, mas também, na academia.
      Abraços,
      Catarina

  2. Parabéns pelo texto, cata! Um belo debate sobre o tema! Temos que combater cotidianamente as práticas machistas que estão tão enraizadas na nossa sociedade, que oprimem a todas e todos!

  3. Catarina,
    acabei de ler o seu texto.`, é fantastico e despertador.

    vou compartilhar com amigo de Mocambique que é activista-femenista

    D

  4. Eu não tenho conhecimento suficiente sobre a prática, o exerccío ou o possicionamento que define o feminismo. Mas sou muito desconfiado das nomenclaturas. Achei seu texto belíssimo, sendo homem procuro falar não como homem, mas como o que há de feminino em mim. Há algo maior que o sujeito, e embora o sujeito não possa ser desconsiderado, esse algo que é maior que o sujeito é tanto masculino quanto feminino. Quero só citar um texto de Antonin Artaud no qual ele fala de um imperador romano, Eligábalo (se não me engano com o nome) que em seu reinado assumiu a forma de seus deus que era em si o masculino e o feminino. Artaud cita por exemplo, que o rei substituiu os sacerdotes homens por sacerdotizas pq acreditava numa potência específica do feminino. Por isso penso que o problema não se resolve nas filtragens que leva às nomenclaturas, mas ao contrário, nas filtragens que nos dá de volta as grandezas, e vejo que em cada objeto que paira sobre o mundo o masculino e o feminino se encontra em cada um. A sociabilidade ignora isso, e portanto toda sorte de segregação, racismo, preconceito ocorre. Não sei, são divagações. Seu texto é muito bonito, mas gosto de pensar em ações que restituam as grandezas, as potências que habitam em cada sujeito, o masculino e o feminino em cada ser.

    1. Concordo quando você fala que o importante é restituir as grandezas em cada sujeito. E o que perpassa isso, na minha opinião, é pensar o sistema de valores que possuimos, ou seja, por que valorizamos coisas que são tidas como masculinas? Por que não valorizar o emotivo e o sensível como caminhos para o conhecimento, por exemplo?
      Mas, para além destas perguntas, reside, para mim, uma pergunta maior: Por que pensamos em essencia do masculino e do feminino? Será que consideramos algo como feminino somente por ser um sentimento privado, algo que não pertence ao espaço do social, mas sim, ao indivíduo? Quando fazemos isso, creio estarmos reafirmando que o feminino é aquilo que é preso no lar, no interior, ao contrário daquilo que é e deve ser livre.

      Catarina

      1. Que massa o rumo que vc deu à conversa Catarina! Quando falo do masculino e do feminino estou justamente fazendo o contrário; tentando extrair essas potências (não essencias) do privado. Vendo-as como potências, não nos desobrigamos de tratar do sujeito, mas me parece que obtemos mais clareza para compreender o uso que foi feito ao longo da história destas potências, como as articulações sociais foram se estruturando a ponto de produzir as bizarrices de gênero (masculino-homem ou feminino-mulher). É preciso ver masculino-feminino como potências que não surgem no privado. Pensemos no inconsciente por exemplo, nele há essas potências saca, mas como tratá-las na vida social, nas definições cotidianas? Você pergunta: “Por que não valorizar o emotivo e o sensível como caminhos para o conhecimento, por exemplo?” Isso é o central, sentir-se feminino sendo homem ao mesmo tempo que masculino, ou sentir-se masculino sendo mulher, ao mesmo tempo que feminino. São sensações, sentimentos. Podemos observar graus em nossas sensações e acabamos por dar nomes a essas sensações, pelas qualidades e intensidades delas. Serão sempre construções sociais, mas nossa luta é impedir que elas nos levem a uma segregação insuportável. O que advém disso, homo-afetividade, hetero-afetividade, etc, etc. devem sempre buscar o equilibrio dessas potências. Todo movimento político pode ser profundamente válido e necessário, mas isso que chamamos de “humano” infelizmente tende sempre à unilateralidade, é quanto a esse risco que devemos veementemente nos precaver. Os movimentos entre os sujeitos homo-afetivos são a única razão pela qual suas lutas foram sendo ganhas, o feminismo também, mas às vezes as pessoas assumem posturas em nome de uma verdade e se tornam tão opressoras quanto o machismo foi e tem sido ainda.

        Rodrigo

      2. Ah eu concordo bastante com o que você disse Rodrigo. O discurso único deve ser sempre posto em cheque.
        E acho bem legal a idéia das potências. Meu único medinho de chamar de feminino e masculino é a associação direta com o sexo (mulher-homem). No mais, acredito e gosto bastante do que você diz!
        Obrigada pela contribuição e conversa!
        Catarina

  5. Ótimo texto, além de inspirador!

    Lembro-me de como se afirmar feminista nos primeiros semestres de UnB era como um insulto tanto a homens quanto a mulheres que se diziam acima disso, afirmando que o feminismo era um assunto vencido. Ou ainda pior, várias foram as pessoas que me diziam que feminismo era o machismo às avessas. Além, é claro, da famosa piada da feminista como mulher mal amada, feia, recalcada, que ainda persegue muitas daquelas que não têm coragem de se afirmar como feministas.

    Acredito que textos como o seu mostram como o assunto não é ultrapassado, está sim no nosso dia a dia, na nossa casa, no nosso trabalho, seja nas ofensas, na violência velada ou explícita, nas estatísticas sobre homicídios cometidos por preconceito, por machismo, por intolerância…

    E são textos como esse que devem ser divulgados o máximo possível como um convite e um encorajamento àquelas que ainda passam por esses constrangimentos, e a todxs aquelxs que se identificam com a causa.

    Parabéns pelo belo texto e pela feminista que é! =D

  6. Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

    A falência do macho

    Não pense que estou me referindo ao machão, aquele tipo exacerbado da espécie masculina, estereotipado e deformado por anabolizantes e pelas recaídas hormonais causadas pelo excesso de excitações testosterônicas, não, estou falando do tipo normal que quer ser o mais discreto possível e que acredita ainda na superioridade desta outra metade da espécie que se chamou um dia de homo sapiens, hoje melhor seria chamá-la de femeal sapiens.
    É o crepúsculo do macho que se avizinha. Já se foi o tempo em que ser macho era sinônimo de arrojo e perícia, para não falar de inteligência e pioneirismo em todos os aspectos mais dinâmicos das atividades humanas da nossa civilização e das culturas em todos os continentes e em todos os tempos. Não. Esta Era está encerrada, definitivamente, pois que a mulher, assumiu o protagonismo da humanidade.
    As empresas de seguro de acidentes foram as primeiras a perceberem e a darem oportunidade às mulheres para obterem vantagens desta nova realidade. Os legisladores perceberam há muito tempo que as mulheres deveriam cuidar da prole quando o casal se dissolve, os filhos preferem a companhia de suas mães à de seus pais masculinos.
    Quando se procura uma mão-de-obra cuidadosa, precisa, atenciosa, delicada, paciente e complexa, se recorre ao recrutamento das operárias e tecnólogas.
    As estatísticas do INEP-MEC são devastadoras para a subespécie masculina: as meninas tem o melhor desempenho global de notas no ensino Fundamental; no ensino médio é uma avalanche de vantagens para as meninas-alunas em relação aos meninos-alunos. A evasão escolar dos meninos, no ensinmo médio, é o dobro da evasão escolar das meninas, e a defasagem de notas é ainda maior em favor das meninas. Prosseguido, as meninas já são maioria nos cursos superiores, nas pós-graduações que incluem especialização, mestrado e doutorado. Onde também o desempenho acadêmico das mulheres é superior ao de homens.
    Em algumas profissões já existe a hegemonia feminina indiscutível no Brasil, são elas a maioria das advogadas, médicas, enfermeiras, professoras, diretoras pedagógicas, empresárias médias e micros, só ainda não superaram os homens nos cursos de engenharia em geral, mas são maioria nos cursos de Matemática e Estatística.
    O que falta para elas assumirem o controle da sociedade? Só tempo. É uma questão de tempo para o Brasil e o mundo virarem uma Islândia ou uma Suécia.
    Não resta nada ao macho a não ser aceitar e acatar a marcha irreversível da redenção ou vingança feminina, com ou sem a interferência masculina, é inelutável.
    O avanço desta estatística talvez nos explique o avanço da homoafetividade na sociedade, visto que o mundo se torna cada vez mais feminino, o estilo feminino de ser se transforma on modelo de comportamento social e de símbolo de sucesso profissional e pessoal.

  7. Roberto da Silva Rocha, professor universitário e cientista político

    Síndrome da viúva-negra ou da androfobia

    Emily não consegue chegar perto de um homem “Esse medo me perseguiu a vida inteira e nem sei explicar como e quando começou. Ainda sou virgem e não consigo me aproximar de homens, mas não sinto atração sexual alguma por mulheres”, conta Emily, 26 anos de idade. “Sei apreciar a beleza dos homens em fotos, mas é impossível para mim ficar em um quarto sozinha com um sem sentir medo”, explicou. As informações são do jornal The Sun. Esse tipo de fobia geralmente surge após alguma situação traumática de abuso, o que não é o caso de Emily. Ela apenas tem medo dos rapazes desde sua infância, a qual passou em uma casa com mulheres apenas – já que seu pai se separou de sua mãe quando tinha apenas 6 anos e nunca mais apareceu. Uma das primeiras lembranças da britânica em relação ao medo incontrolável vem de quando tinha 13 anos. “Eu tinha que assinar para receber um documento e um homem que eu não conhecia batia na porta para entregá-lo. Entrei em um estado tão intenso que minha irmã achou que eu estivesse com febre e me mandou deitar”, contou. Emily conta que começa a se sentir mal e quente, como uma febre normal e, depois, vem a falta de ar. Os ataques geralmente duram entre 10 minutos e uma hora. “Até para encontrar meus amigos, fazia questão de que eles viessem até minha casa para que eu não visse os pais deles”. “Eu sei que tenho que ter domínio sobre meu medo. Se não conseguir, penso em considerar uma inseminação artificial para poder ter filhos”. Disponível em (bloguedofirehead.blogspot.com/2011/06/androfobia.html )

    Síndrome da viúva-negra (espécie de aranha que devora o macho após ser fertilizada por ele)

    Algumas inúmeras mulheres que conheço, que convivi, sofrem desta síndrome, onde o homem é objeto do desejo para o acasalamento e nunca para o casamento. Depois de cumprirem com seu papel de banco de esperma, são descartados e as viúvas-negras vivem felizes para sempre com seus filhotes e a gorda pensão alimentícia do macho morto. Para mim que fui um dos descartados, digo que não é nada bom e desejável, ainda mais quando o divórcio nos separa dos filhos, nos jogando para uma geografia que não sonhamos, nunca quisemos e jamais ambicionamos. Depois que conseguem os filhotes e matam seus machos, a única opção plausível para os homens é administrar a separação dos filhos e organizar um jeito de vê-los constantemente, participar de suas vidas e adaptar às nossas vidas às deles. (Cláudio Nunes Horácio).

    Muitas mulheres não percebem que podem ter problemas com a convivência masculina. As que conseguem perceber qualquer problema com a convivência masculina podem desenvolver comportamentos violentos ou comportamento ansioso.

    Muitas tentam superar esta dificuldade no relacionamento fóbico com o macho tentando transformar o macho em uma simulação feminina. Geralmente tem uma imagem do macho totalmente oposta a imagem feminina, portanto, plausível de ser modelada e transformada em algo mais assimilável ao jeito feminino de ser. Assim estas dedicadas transfomadoras veem o macho como algo a ser trabalhado, lapidado e transformado em sua versão malcheirosa, cheia de espinhos no rosto, peluda, bruta, malvestida, barulhenta, áspera, grosseira, indelicada, insensível, desatenta, assim sonham em transformar o macho numa espécie de bambi doméstico para o seu desfrute, às vezes sem combinar isso antes, durante e depois do início da operação de transformação.

    Se voce é mulher e não gosta do jeito masculino, tenho uma péssima notícia para voce: a culpa não é masculina. Voce nasceu assim ou em algum momento de sua vida voce foi afastada da convivência com o sexo masculino, a figura do pai ausente está deixando uma lacuna em seu modelo de masculinidade afetiva, ou pode ter sido pior: voce provavelmente sofreu violência sexual masculina e isto é a pior de todas as experiências na vida de uma pessoa.

    Muitas gerações têm sido gestadas em série de famílias onde o pai fica ausente durante todo o ciclo de desenvolvimento dos infantes, isto significa que a única imagem e modelo destes filhos é o da mãe que substitui o pai ausente. Esta circunstância em algumas regiões do Brasil é tão frequente que as meninas desenvolvem um instinto de aversão e comportamento extremamente agressivo com os seus futuros parceiros porque já está introjetada na cultura que a mulher deve ser sempre o único referencial de uma família.

    O matriarcado está em alguns casos implantado em mais de cinco gerações sem sofrer descontinuidade, o que seria para alguns um problema, passa a ser um estilo de vida.
    “Paraíba masculina muié macho sim-senhor” de Luiz Gonzaga parece ser uma profecia que se autorrealizou nas cidades pequenas principalmente do Nordeste do Brasil, e em todas as favelas dos centros urbanos onde grassa a miséria e a pobreza. Em Brasília hove um tempo em que durante a campanha de erradicação das favelas, aqui chamadas invasões -(CEI daí o nome da maior cidade do Distrito Federal se chamar CEIlândia), os títulos de propriedades das casas e lotes distribuídos aos favelados serem nominais às mulheres e não ao casal ou ao marido.

    A Lei Maria da Penha, as Delegacias especializadas no atendimento à mulher são paliativos que tangenciam o problema sem resolvê-lo, qual seja: a ausência do pai em muitas gerações cultivou uma enorme aversão ao masculino nas camadas sociais pobres do Brasil, criando um hiato entre os homens e as mulheres, e este comportamento tende a ser reforçado por medidas punitivas.

    Mulheres mais fortes e protegidas dos homens ao invés da reconciliação dos pais com os filhos levam ao agravamento da síndrome da viúva-negra e da androfobia.

    1. nossa, nunca li tanta bobagem junta! dizer que o natural do homem é ser um ogro e que a mulher q não gosta desse JEITINHO tem aversão a homem? eu não tenho aversão a homem, tenho aversão a falta de educação e grosseria. e essa visão de que o sonho de toda mulher é viver às custas de um homem (“gorda pensão alimentícia”) é de um machismo tão obvio q já tira toda credibilidade do “texto”

      quanto à catarina, fico feliz q vc tenha se reconhecido feminista. até pq se fome e miséria são tristes, é ainda pior constatar que um dos gêneros sofre mais com elas do que o outro sem qualquer chance de escolha, simplesmente pq a sociedade é construída assim

    2. Professor,

      É uma pena que o senhor venha sentindo tanto e, na minha opinião, tão cedo, a ascensão opressora da mulher sobre os homens. Fico pensando quão extinto estará o pobre homem na sua concepção da marcha evolutiva da mulher rumo à hegemonia no dia em que finalmente as mulheres tiverem parado de serem violentadas por seus maridos em todos os segmentos sócio-econômicos; de serem privadas, muitas vezes, da sua autonomia financeira e do direito sobre seu próprio corpo e no dia em que elas, finalmente, puderem se libertar desses usos-comuns da “mulher-emoção”, da “mulher-frágil”, da “mulher-recatada”, da “mulher-para-o-bom-homem” – coisas que insistem em compor a identidade da mulher como que coisa que nasce já com ela e que reprime a capacidade e o direito das mulheres de serem reconhecidas em sua diversidade na esfera pública – aliás, o campo político dá bons indícios de que, apesar da nossa Presidenta Dilma, a igualdade de reconhecimento entre homens e mulheres ainda não chegou por lá.

      Com todo o respeito, mas tenho preguiça dos essencialismos do yin-yang do ser e do não-ser e das naturalizações das categorias do que é ser homem e ser mulher. Naturalizações de modo geral e no tocante às questões que se referem às noções de gênero em particular, só vem servindo para vulnerabilizar segmentos sociais já fragilizados socialmente e engessar processos de mudança e lutas por igualdade em favor daqueles que há muito tempo estão em situação de poder sobre outras pessoas em condição subalterna. O “há muito tempo” do poder se coloca na nossa sociedade como se as coisas fossem assim “desde o início dos tempos”, e dessa forma, como se fosse algo “natural” permanecer e não mudar.
      Não duvido, professor, que as mudanças nas distribuições de poder entre os gêneros venham sendo sentidas por homens das mais diversas formas de vida, identidade e visão de mundo, mas isso não é motivo para supor que essas mudanças venham implicando na sobreposição da mulher em relação ao homem porque, creio, há ainda muitos limites e naturalizações como as que acho ter visto no seu texto que impedem mesmo que a mulher seja compreendida como uma ser humana tão autônoma e socialmente capaz quanto tantos homens hoje são. Limites como os que se colocam a respeito do que é ser mulher reprimem não só nossa capacidade de reconhecer outras possibilidades de identidade e de prática feminina como também formam sobre as mulheres uma experiência social marcada, para algumas mais e outras, menos, por uma condição de subalternidade, muito em função das disposições naturalizadas do que é ser mulher e que fazem delas mulheres reprimidas por sua própria idealização de sua identidade.

      A natureza, acho que principalmente no tocante à identidade feminina, reprime e inviabiliza talvez pensar em uma grande conspiração da mulher para dominar o mundo. Eu, na minha ignorância sobre as coisas, tenho pensado que, só agora, com o movimento ambientalista, a natureza veio deixando de ser argumento para matar pessoas e subvalorizar identidades. Às vezes, não muito raro, tenho vontade de trocar esse mundo das coisas naturais, embarcar numa nave e viver num planeta artificial =/

      Pensando melhor, aqui vai um apelo que talvez torne um pouco mais palatáveis as coisas desse nosso mundo plano:
      “Amigxs, destruam a natureza que existe no seu mundo social.”

      Abraços,
      Joana

      Ps.: E parabéns pelo texto do blog!

    3. Poxa, Roberto, você como um cientista polítco já devia saber que as feministas entenderam ainda na década de 70 que existe uma construção social que lança mulheres e homens numa divisão forte/fracx, inteligente/descapacitadx, violentx/dominadx, autores homens que devem ser do seu apreço intelectual, como Freud e Lévi-Strauss, podem te ajudar a entender isso. Essa inteligibilização na época se embasou muito na categoria “sistema sexo/gênero”, que está até ultrapassada, mas pode te ajudar nesse processo de autocomiseração. Gayle Rubin mesmo disse que produções como essas acabava com a necessidade de exterminar vocês homens, mas sejamos justxs e libertárixs, você tem livre-arbítrio para pular do barco quando bem entender.

  8. Parabens pelo texto! Me identifiquei muito. Principalmente com a trajetória nada feminista que tive, e, aos poucos fui percebendo construindo e desconstruindo valores. E, linda a parte do “feminismo e democracia” e do conceito em disputa. Acredito que o feminismo é auto-declaratório (ou deveria ser)! E é livre, é plural, é diverso, é aberto!
    Vou compartilhar nas listas.
    Um abraço,
    @juliazamboni

  9. Agradeço os comentários.
    A vitimização de segmentos demográficos tem sido objeto de muitos estudos sobre violência. No Brasil, a referência tem sido a profª. e dra. Lengruber.
    Vitimizar, de modo reducionista, consiste em visar de modo superficial, desculpe o pleonasmo, sem contextualizar, e, através de estereótipos, o papel da vítima, que introjeta tal percepção e afasta outras alternativas de análise. Assim, a violentada se autojustifica pelo sofrer a agressão, quando o agressor é sempre o mesmo, criando uma relação de dominação patológica e de dependência psicológica e afetiva entre ambos.
    Assim, permanece inesplicável, metodologicamente, por que a mulher (gênero) teve que esperar toda a evolução da espécie para finalmente dar o seu grito de intolerância, não sem antes culpar o macho. Até aceito que houve muita coisa que poderia ser diferente, mas, praticamente 2,5 milhões de anos de evolução, mais 5000 anos de civilização organizada, com governo, escrita, História, para que, somente com o advento de Betty Friedman e outras feministas darem o grito de liberdade e igualdade, merece por si só uma sessão completa com um bom psicanalista.
    Gostei das provocações, e espero muito mais das mulheres, pena que algumas permanecem olhando para traz sem perceberem o enorme avanço que se fez com pouco tempo e algumas bravatas, os homens já bateram em retidada com medo da nova mulher.

  10. Ensinar é trocar experiências. O professor deveria saber dos riscos a que se expõe em sala de aula. A cultura é um fenômeno desconhecido e misterioso. A cultura não pode ser anulada, transferida, censurada ou ensinada. Cultura não desaparece, nem surge do nada. Ditadores sonham que um dia, uma vez, podem submeter um povo ao seu domínio através da subordinação cultural.

    Não tem sido assim na História da humanidade. O dominador é dominado, e o dominado é o dominante.

    Assim, o capoeirista poderia ser preso praticando a sua arte maracial, antes da sociedade desistir de domá-la; mas, o Estado e a sociedade não assimilaram a lição. Perseguiram e estigmatizaram pela criminalização e pela exclusão social os primeiros capoeiristas, sambistas, os cabeludos, os barbudos, os skatistas, os rockeiros, os hippies, a feijoada, o bikini, a minissaia, a guitarra-elétrica, os artistas populares, o forró, tudo antes de virarem “chiques” e serem transformados pela fusão cultural.

    Este processo contínuo de transformação que termina na aceitação, não sem antes modificar os ingredientes da cultura insurgente modificando-a através de uma nova síntese, num processo dialético contínuo de reconstrução.

    A cultura é uma criação anônima e coletiva. É a ponta do iceberg de subculturas que vão se consolidando à medida que recebe reforços sociais construtivos e destrutivos, incentivos e discriminações.

    Nenhum professor sai ileso de uma sala de aula. É melhor não entrar nela quem pensa que vai ensinar alguma coisa aos seus discípulos. O professor e o aluno saem da sala de aula transformados, trocaram experiências sensitivas e cognitivas sem consciência do processo lento e vigoroso.

    Ambos se transformam em novas pessoas. Jamais serão as mesmas. A engenharia social consiste em misturar as experiências de etinias e culturas para forjar o novo. Assim como a América não se transformou na Nova-Europa, com a migração dos britânicos e dos germânicos protestantes, uma nova civilização diferente ali se construiu. E assim vai se construindo uma nova civilização contra a vontade dos israelenses no Oriente médio, porque será inevitável que as duas culturas. ou as muitas culturas árabes, ocidental, judia, cristã, muçulmana, fenícia já estão produzindo as suas variantes de novos islamismos, judaísmos, cristianismos sem que os seus protagonistas percebam ou o desejem.

    Nós do Ocidente não percebemos o quanto o judaísmo nos marcou. Quando acordamos aos domingos e ao invés de irmos trabalhar ou irmos para a escola tudo pára, é o costume judaico que nos obriga a guardar e separar o dia de domingo. O costume da monogamia, a supervalorização do dogma da virgindade, e, assim, sem o percebemos foram introjetados no nosso modo de vida elementos culturais alienígenas, e mesclados, e transformados, alguns destes elementos vão parar nas nossas leis, outros não escritos, como guardar o domingo e a virgindade, mesmo não escritos têm enorme importância tanto ou mais do que as normas formais.

    Assim, o silvícola domou e domesticou o jesuíta, ensino-o a gostar de fumo, de tomar banho, a amar a e reverenciar a natureza, comer tomate, batata, mandioca, chocolate, o jesuíta que pensou estar interferindo ou destruindo a subcultura inferior não percebeu que foi contaminado e contagiado por algo que julgava inferior e inútil.

    Os papéis sociais que formam a categoria gênero, (e não são estanques), foram sendo construídos e reconstruídos de acordo com o contexto histórico, assim como os papéis do jovem / velho, pais / filhos, aluno / professor, marido / esposa, namorado / namorada, acho que já percebeu onde quero chegar, né…

    Papéis sociais refletem uma época, uma geografia, a trajetória histórica de uma comunidade, por isso as revoluções / reformas dos papéis são quase que obrigatórias e desejadas pelo inconsciente coletivo, (desculpe a aula de Sociologia), para quem não acredita nisso, serve a um necessário processo evolutivo inelutável.

    Coisas que parecem sólidas dissolvem-se no ar. As certezas são trocadas pela perplexidade, e de repente novos paradigmas são colocados para situações que não respeitam as teorias conhecidas. Tudo vem abaixo. Tudo o que é sólido se desmancha no ar. (Proudhon)

  11. Papéis sociais são expectativas de comportamento da sociedade. Podem ser contraditórios, cooperativos, reforçados, criminalizados, reprimidos, reconstruídos, coercitivos, censuardos, reprovados socialmente, mas fazem parte do estatuto de pertencimento aos grupos e e classes sociais, onde o indivíduo multifiliado pode e deve pertencer a diversificados grupos simultaneamente, e ter de prestar lealdade a cada um dos grupos e classes sociais em função destes papéis sociais, muitas vezes ocultando conflitos pessoais e alterando o seu comportamento em função destas lealdades primárias.

  12. Seu texto é muito bom, Catarina. Parabéns. Mas confesso que sempre tenho receio quando as pessoas descobrem, na “primavera” de suas vidas, que têm “um projeto político para mundo”. O mundo é grande demais para termos a pretensão de que podemos fazer os outros se adequarem ou aceitarem nossos sistemas de crenças.

    O mundo precisa muito de feministas (na minha opinião, até de mais feministas). Mas seria uma tragédia de todos TIVESSEM que ser feministas. Eu não sou feminista. Acho simplesmente que, antes de homens ou mulheres, somos seres humanos e devemos ser respeitados na integridade que esta condição nos proporciona, sem exclusão de quaisquer direitos. Essa visão binária do mundo – tão limitada e na qual somos treinados a pensar desde a escola – me preocupa muito.

    O mundo está cheio de problemas e casa pessoa ou grupo tem o direito de fazer o seu ordenamento de preferências quanto às questões mais emergenciais. Eu tenho o meu. Você tem os seus. Seria triste se eu tivesse que ter o mesmo que o seu (o inverso também é válido).

    Quando ao feminismo, acho que você está muito certa quando diz que ele é um campo aberto, de disputa política. A sua visão é muito bacana, aberta, tolerante. Mas há setores do feminismo que são imensamente retrógrados e perigosos, que tentam vender a ideia de que as mulheres são “moralmente superiores aos homens” e que os homens são criaturas terríveis. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. A minha experiência de vida me mostrou que a mulher não é um ser inferior ao homem. Tampouco é superior. Nos resta vivermos juntos, como seres humanos que somos, compartilhando com sinceridade nossas imperfeições e fazendo o máximo para que todos tenham os mesmos direitos e sejam respeitados em sua integridade.

    Deixo uma reflexão na forma de vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=0fiNtsDYRzk&feature=player_embedded). É esse tipo de extremismo que me preocupa no feminismo e que me estimula a não ser um feminista. Não há a necessidade de ser feminista para acreditar na igualdade de direito entre homens e mulheres.

  13. É… pelo que posso verificar, nem todos os comentários enviados para este artigo foram publicados. E falo especialmente de um que, além de elogiar o texto, salientava que não havia a necessidade de ser feminista para acreditar na plena igualdade de direitos entre homens e mulheres. Para mim, é uma vergonha verificar isto em um artigo que diz defender ideias libertárias. No final, acabou como todas as “grandes ideologias que querem contribuir para o mundo”: um saco de blá-blá-blás onde o que interessa é aquilo com o que se concorda ou aquilo que se pode rebater. É muito fácil fingir-se faixa preta enquanto se luta com faixas brancas. Vergonha.

    Obs: guarde isso para si e não publique. Leve como uma crítica íntima, pessoal, para a sua vida. Seria muito fácil publicar isto e esperar as críticas vindas das respostas de todas as pessoas que concordam com suas ideias. Mas como evitar, para sempre, aqueles que não podemos rebater?

    1. Não encontramos, aqui no wordpress, nenhum comentário que não tenha sido publicado (talvez tenha ocorrido um erro no envio, não?). Publicamos todos, inclusive, para que nós mesmxs (todxs xs membrxs do grupos) possamos responder, debater, conversar…
      Quanto aos comentários sobre a necessidade de ser feminista… O texto pode, à primeira vista, parecer sugerir isso como um dever-ser, mas, se vocês lerem atentamente, verão que minha intenção não é de que o mundo seja feminista como um todo. Pelo contrário, é a diversidade, inclusive ideológica, que possibilita ricos diálogos.
      Meu apelo é para que, xs feministas em geral tenham a coragem de se dizer feministas. Para isso aponto o que acho bonito no meu feminismo.
      Att.,
      Catarina

  14. E melhor emitir sobre assuntos úteis uma opinião razoável do que sobre inutilidades conhecimentos exatos… e em nosso saber ha’ poucos principios e infinitas técnicas de combina- los….mas acho que falar bem é falar claro de modo que uma criança de 5anos entenda…Olha eu vejo voces se preocupando com coisas e esquecendo o que nos torna felizes …se e’ que muitos sabem…1exemplo veja um casal de pássaros em época de reproduçao:o macho caça em tempo integral…a femea caça em período parcial e cuida dos filhotes…é um ato involuntário sobre o qual eles não tem controle…que causa a felicidade deles…agora se fossemos possivel aplicarmos a regra do feminismo nesta situação ….colocar o macho para cuidar dos filhotes e por a femea para caçar em tempo integral seriam felizes? resposta: é claro que nao seriam,pois o organismo deles esta’ projetado para agir de forma natural…e nao artificial.

    sobre a regra de justiça ….base do FEMINISMO: para que o argumento de JUSTIÇA constitua o fundamento de uma demonstração rigorosa …os objetos aos quais ela se referem deveriam ser identicos….mas ,na verdade,isso nunca acontece .os objetos sempre sao diferentes em algum aspecto…e o grande problema e’ saber se as diferenças sao ou nao irrelevantes….exemplo disse uma certa um garoto ao pai :O SENHOR TRANSOU COM MINHA MAE MILHARES DE VEZES…PORTANTO ,É JUSTO QUE AGORA EU TRANSE COM A SUA TAMBÉM!!!eu acho que muitas feministas bateriam palma para o raciocinio do garoto!!!

    1. Se você quiser tratar todos com igualdade e
      justiça, vai se defrontar com o problema de que algumas pessoas fazem certas coisas
      melhor do que outras. Tratar a todos igualmente significa ignorar as suas diferenças,
      elevar o patamar dos menos capazes e rebaixar o daqueles que se sobressaem.Os que nao se esforçam se sentirão mimados e os que possuem alguma qualidade positiva ou poder se sentirão traídos e ficarão resentidos. Mais uma
      vez, muitos dos que se comportam assim estão na verdade usando uma outra estratégia
      de poder, redistribuindo os prêmios da maneira como eles próprios determinam…

    2. Bom, acho que existe uma grande confusão sua entre o que e natural, instintivo e o que é socialmente construído. Algo que diferencia animais e seres humanos, na minha opinião.
      Além do mais, é claro que os objetos de justiça são diferentes… Não acredito que nenhumx feminista bateria palma pro raciocínio que você apresentou… Primeiro por que trata a mulher como objeto, como se o sexo não precisasse do consentimento dela. Segundo por que não se prega justiça como uma partilha de direitos, mas sim, a partir do reconhecimento das diferenças. Homens podem ter corpos mais fortes, mas isso não deveria desvalorizar uma mulher que gostaria de trabalhar como mecânica, por exemplo.

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