Veritas

Por Luiz Fernando Santos Roriz.

“Louco é quem me diz e não é feliz” os Mutantes

Acordei apenas alguns segundos antes que ele me acertasse. Um pouco depois e eu estaria no chão, sangrando. No entanto, já estava lá fora, correndo. E corri, corri e corri mais um pouco, cheguei até um bosque que havia nas redondezas. Quando olhei para trás, não o vi, seja ele lá quem fosse. Pensei que estava seguro. Encostei-me a uma árvore. Respirei fundo. E quando finalmente meu coração voltou ao normal, senti suas mãos apertarem meu pescoço. Não sabia o que fazer e ouvia-o gritar: “Vá embora, maldito! Vá embora! Sou eu quem manda agora! Você não é mais! EU dou as ordens!”. Desesperado, vendo que o que eu fizesse determinaria o fato deu continuar vivo ou não, tentei afastá-lo com a mesma violência com que ele apertava meu pescoço. Segurei os braços que me sufocavam e gritando empurrei-os para frente com todas as forças que consegui reunir. E foi então que senti minha garganta livre. Mas também foi então, que eu vi que não tinha empurrado ninguém.

Olhei ao redor, totalmente confuso, “meu Deus”, pensei, “o que diabos aconteceu aqui”? Como não encontrava nenhuma possível resposta, resolvi prestar atenção às circunstâncias que me encontrava. Primeiro, tentei descobrir onde estava. Pelo que me lembrava estava num bosque, perto da cabana onde dormia, encostado a uma árvore. No entanto, quando dei por mim estava em um deserto, mas não um deserto arenoso, cheio de dunas e etc. Era mais como um horizonte infinito de terra. Sem árvores, sem vegetação, sem animais, sem vida, inóspito. Pensei que isso era loucura. Sim, loucura. Eu devia estar ficando louco. Foi quando comecei a escutar novamente a voz de meu assassino. Olhei para a esquerda, nada. Para a direita, nada. Mesmo assim, ouvia-o gritar: “Você está me deixando louco! Preciso parar com isso, você precisa morrer!”. Pensei que por estar escutando sua voz, podia até não vê-lo, mas devia estar bem próximo, por isso decidi me afastar, o mais rápido possível, de onde estava, seja lá onde fosse isso. Andei umas três horas, mas a voz continuava no mesmo volume. Dessa vez dava ordens, dizia que eu parasse de pensar, de falar, de agir, de raciocinar, que ele não obedeceria, que eu faria o que ele mandasse. Incomodado, na verdade bastante incomodado com o seu discurso, eu respondia, baixinho, mas respondia, que ele deveria se calar, que sua voz me machucava, que não poderia continuar. Assim seguimos por um bom tempo, ele gritava, eu respondia, caminhando quase sem forças por aquele deserto. O sol estava escaldante e eu não recordava o último gole d’água que havia tomado. Estava sem forças, caí de joelhos. Olhei ao redor, vi aquele lugar sem vida e percebi que em instantes eu o completaria, pois a minha vida também haveria de cessar. Assim pensei: “eu devo estar ficando louco”. E então escutei seu gargalhar. Ria triunfante, meu assassino, em toda a sua glória por assistir, de seu camarote metafísico minha derrota, minha morte. Mas ao contrário do que ele estava ansiosamente esperando, sua risada me deu forças, na verdade, raiva. Gritei que não poderia morrer sem saber o que estava acontecendo, e pensei: “se estou louco, isso não existe.”

Na mesma hora em que disse isso, uma luz estranhamente forte me cegou os olhos, e quando recobrei a visão, estava de volta à cabana onde dormia, no entanto, ela não estava mais no bosque, ela estava ao pé de uma montanha, onde havia neve. Eu nunca havia visto neve, não sabia como seria tocá-la e então saí do refúgio e caí de joelhos para senti-la. No entanto, não senti nada. Eu segurava uma bola de neve entre as mãos, mas não sentia sua consistência, seu frio, sua rigidez ou fluidez, eu a segurava, tinha certeza disso, mas se fechasse os olhos não poderia dizer que o que possuía em minhas mãos era neve de fato. Resolvi me concentrar, e fechar os olhos, talvez se pudesse esquecer o que estava acontecendo, pudesse sentir a neve como tal. E no momento que cerrei as órbitas, vi meu assassino correndo em minha direção, seu olhar estava furioso, gritava, emanava um som horrível, um misto de raiva e desespero, estava quase me alcançando quando abri os olhos e vi novamente a neve. Foi então que percebi minha cruel situação: Meu assassino… Estava dentro da minha própria mente.

O próximo som que escutei, foram gemidos, um som triste e ao mesmo tempo desesperador, de alguém que é forçado até o final de seus dias a conviver com uma dor terrível e infinita. Mas dessa vez sabia que o som não vinha de lugar algum, se não do interior do meu cérebro. Dessa vez quem estava desesperado era eu. Cada vez mais, enquanto caminhava por aquele cenário, as coisas faziam sentido. Aquele que estava nos confins do meu inconsciente era com certeza uma dupla personalidade. Julguei que a razão era a única escapatória possível e rapidamente associei aquela manifestação com esquizofrenia, apesar de não saber muito sobre isso, sabia agora que eu estava doente, não louco, que o que sofria apenas tentava desconstruir minha realidade, mas que não seria bem sucedido, se eu não deixasse. Era por isso que queria me matar, não meu corpo físico, mas minha personalidade, a fim de assumir o controle, é por isso que me dava ordens, tentava me anular, me tornar um vegetal, um boneco de cordas manipulável para o seu bem entender. Concluí, pelo pouco que sabia de psicanálise que não poderia deixar isso acontecer, que um de nós deveria morrer, e que seria ele, pelo simples fato dele ser aquele que não era real. Mas para vencê-lo, precisava de ajuda. No entanto, não sabia ainda onde eu estava, talvez no seu esforço de confundir a minha mente até conduzi-la a um colapso, eu tenha me desligado do senso de direção e de um passado recente, isso explicaria tudo. Racionalmente concluí que deveria haver alguém ali. Afinal, aquela cabana não era minha. Por isso resolvi explorar os arredores a procura de um ser humano. Alguém morava ali, precisava morar, eu queria que morasse.

E de repente me vi de frente a uma figura esguia, trajava uma tanga, uma espécie de pano que cobria apenas suas partes intimas. Era magro, minha impressão era a de que não comia havia semanas, uma barba branca e bastante longa contrastava com a ausência de cabelos, complementada por um rosto senil, tranqüilo, no entanto gasto, notei por fim que era cego. Contudo, ele me olhava. Aproximei-me e perguntei: “Olá senhor, quem é você?” E contrariando a lógica racional de um diálogo comum ele respondeu a minha pergunta com outra pergunta: “a pergunta, jovem, é quem é VOCÊ?” Julguei ridícula sua resposta, “como assim quem eu era” pensei. Isso era uma pergunta muito óbvia, eu tinha total consciência da totalidade do meu ser, sabia exatamente quem eu era, então respondi: “ora, velho, eu sou…”.

“Espere um momento”, pensei, “eu não consigo me lembrar do meu nome, eu sei que eu sou eu, mas não sei quem sou eu”. “Quer dizer, como as pessoas me chamam, me classificam, até porque não consigo lembrar de ninguém fora meu assassino que só me chamou de você”. Maldito seja, meu assassino, deve ter me confundido ao ponto de ter perdido em parte minha memória. Então respondi o velho: “não sei, você sabe?”

E ele me disse: “que importa? De que vale saber quem você é se você ainda não sabe o que você é?”. Meditei um pouco naquela pergunta e disse “ora, sou um ser humano, e você é um velho tolo e cego que não quer me responder onde eu estou e quem é você!”. “Será?” o velho me respondeu. “quem é que não enxerga aqui? Eu, ou você?”. “ora, por favor, eu tenho mais o que fazer e o senhor também, posso supor, já que está seminu nesta neve toda”. “Neve? Disse ele. “Que neve? Você se refere àquela que a pouco você pegou e notou que não era fria? Aquilo não era neve não, meu jovem. Aliás, nem aquilo estou vendo mais, na verdade, só consigo ver terra seca e quente”. Foi quando eu percebi que estávamos de novo, novamente no deserto. Como se não bastasse, escutava os gemidos desesperados do meu assassino, da minha dupla personalidade, pedindo misericórdia e para que eu morresse. Aquilo já havia ido longe demais, pensei.

“Velho”! Gritei. “Velho! Já chega dessas brincadeiras, estou doente e preciso voltar ao mundo real! Não tenho tempo para enigmas, quero sair de uma vez desse sonho”! O ancião se virou para mim e disse “AH! Mas agora você chegou na questão fundamental! Ah! Ah! Qual a diferença entre o sonho e a realidade? Há há há”!

“Que maluquice”, pensei. Mas lembrei então que minha esquizofrenia já me classificava como louco, consequentemente resolvi dar uma chance ao discurso daquela estranha figura. “Como assim qual a diferença? O sonho não tem lógica, o sonho é impossível! Além disso, o sonho se cessa enquanto a realidade é contínua! O sonho só acontece quando nos colocamos para dormir, a realidade não acontece porque não nos colocamos para dormir no sonho! Além disso, a realidade é racional, o sonho não, ela é causal e consequencialista, como um discurso, como meu discurso”!

“Ah! Ah!” O velho exclamou. E depois de uma pausa, pois se a falar: “E assim o é, meu jovem, na sua concepção! Ah! Ah! Será que o sonho não tem lógica? Será que não é racional? Podemos não nos colocar à dormir quando sonhamos, mas a realidade sempre começa quando nos colocamos a acordar! Ah! Ah! O que é real, meu jovem?”

“é o que enxergamos! É o que vemos, apreendemos, são nossas sensações!”

“Ah! Mas você não se lembra de ter sentido que aquela neve era fria, não é mesmo? Seria ela irreal? Ou teria o sonho um quê de realidade?” E o velho continuou: “Assim, se você que julga ser um pensador, pensasse, veria que quando as sensações são fornecidas ao corpo, objeto imediato do conhecer, o entendimento (ou cérebro) as toma como um efeito e, pela causalidade, remonta temporalmente até a sua origem, posicionando-as no espaço como representações intuitivas, ou seja, objetos constituídos, imagens do mundo. O que você chama de “entendimento” é uma espécie de artesão que constrói o mundo, a realidade, sendo mais corretamente designada de efetividade, que realidade, isto é, ela (a realidade) é um fazer-feito do sujeito que intui. Ah! Ah! Vê agora? A realidade é intuição? Ou não? Ah! Ah! Se a realidade parte da intuição, o princípio do mundo não é algo racional, inteligível, mas antes algo volitivo, cego e sem-fundamento. A expressão conceitual jamais a alcança. O real, portanto, pode furtar-se ao princípio de razão. Numa palavra, o fundo último das coisas é a-lógico, irracional. Uh! Uh!” disse o velho com um sorriso que continha poucos dentes amarelos.

“Se acalme”, pensei, “este velho é provavelmente mais maluco que você!” Respirei fundo e disse: “Mas na realidade existe razão, velho tolo!”

“Ah ah! Nesse sentido, cabe à razão trabalhar o material do entendimento, ou seja, as intuições. A razão decanta essas intuições, as abstrai, fornecendo ao fim os conceitos ou representações. REPRESENTAÇÕES! Se a razão existe na realidade, o que ela faz é só representar, o que à meu ver, é factível que haja no sonho, não é ele uma representação?”

Olhei atônito, o velho continuou: “Kant, já que você quer ser racional, em algum lugar, diz que o conhecimento do mundo começa quando dados do exterior nos são fornecidos nas formas puras a priori da sensibilidade, o espaço e o tempo. (não é o que você disse antes?). Assim, o real é real porque ocupa um espaço e possui um tempo. No entanto, assim como o sujeito “pode” depender do objeto para existir e o objeto “depende” do sujeito para existir, o espaço depende do tempo e o tempo depende do espaço. Observe que se você anula o tempo, o espaço simplesmente não pode ser real, uma vez que não pode estar no presente, nem no passado, nem no futuro, mas se você anula o espaço, qual é o sentido de haver estas divisões temporais que se tornam, de fato, inobserváveis? Ah! Ah! Se ambos são dependentes um do outro para existir, o real é real porque conjuga esses quatro elementos, a saber, sujeito, objeto, espaço, tempo. Me prove, meu jovem, que no sonho, estes elementos estão ausentes? No sonho, não é você como sujeito, diante de algo ou uma situação, ou alguém, como eu? Ah! Ah! E não está você em algum lugar, e estando em algum lugar automaticamente não está frente à um tempo porque ambos são dependentes um do outro? Ah! O sonho é real! Ah! Ou a realidade é que não existe?”

“Ora velho, mas nada é sem uma razão pela qual é. Isso é kantiano, se quer saber. Se você relativizar tudo, fugirá a esta máxima que é o pressuposto de você estar diante de mim e eu diante de você.”

“Ah! Ah!” Disse o velho. “Se este princípio tudo explica, ele mesmo, entretanto, não é passível de explicação. Procurar uma prova para ele denota ausência de clareza de consciência, pois quem exige uma prova para ele, isto é, seu fundamento, já o toma como verdadeiro, e assim cai no círculo que exige a prova do direito de exigir uma prova. Ah! Ah!” E continuou: “Somos limitados pelo nosso aparato cognitivo (sentidos, mente e inteligência) que apenas apreendem a realidade de um determinado jeito, sob uma série de categorias. A verdade do mundo nunca se mostra inteiramente, e mesmo se se mostrasse, nós não a perceberíamos em sua plenitude! Então o que é o seu real? Em? E essa limitação cognitiva é menor nos sonhos? Você é por acaso um extra-terrestre super-poderoso nos seus sonhos? Ou enxerga colorido como quando acorda? E essa limitação cognitiva não tornaria a realidade falseável? Como num sonho? Ah! Ah! Toda a realidade em torno de nós não passa de representação mental, contudo, tão convincente que cremos nela com toda força! De nada adianta aferirmos à realidade um grau maior de vivacidade do que ao sonho, posto que quando sonhamos tudo aquilo é extremamente real.”

“Ah, cale a boca! Velho maldito, vou enlouquecer! Tudo o que eu quero é voltar para a realidade, ficar livre dessa voz que me queima os ossos, dessa morte iminente, da inescapável previsão de que posso morrer em breve assassinado por alguém que está neste ou em um outro plano!”

“Então, meu jovem, o que você mais quer não é voltar para a realidade (assumindo assim que você está fora dela), mas fugir desesperadamente dela. Ah! Ah!” Começou a gritar repentinamente: “Upanishads, a Bhagavad Gita, o Vishnu Purana”!  “Você já ouviu falar nos Vedas, pequeno maluco?” Disse o velho para mim. “Vedas”? Respondi. “Era só o que me faltava, estou a um passo de assumir que estou sonhando, não preciso escutá-lo sobre essas insanidades! Ahh! Suma daqui velho maluco!” E não foi que o desgraçado desapareceu? Assim, diante de meus olhos, sem mais, sem menos. Ele se desmaterializou, ou tornou-se invisível, não sei, na verdade eu não sei de mais nada. Ou melhor, eu sei que isso pode ter sido a prova de que estou sonhando. Mas isso FOI a prova, então existe SIM razão em um sonho! Então o que afinal diferencia isto da realidade? Se acabei de observar que aqui existe razão. Por Deus, aquele velho precisa voltar! “Velho! Velho! Volte, velho maluco! Eu não sei mais o que fazer!”

“Você!” Disse o velho aparecendo a minha esquerda.

“Já” Disse ele desaparecendo e reaparecendo à minha frente.

“Ouviu falar nos Vedas?” Disse por fim, apoiando-se no meu ombro à minha direita.

Caindo de joelhos e levando as mãos ao meu rosto tentando manter o que me restava de sanidade, disse que não, jamais havia ouvido falar naquilo. E o velho sorrindo, continuou “NÓS, Vedas, encontramos muitas afirmações que indicam que a compreensão correta acerca da realidade deste mundo se baseia em sua temporalidade (asasvatam) e em sua condição como um local de inúmeras misérias (duhkalayam). Essa é a compreensão a priori que devemos ter sobre o mundo para não alimentarmos falsas esperanças e ilusões quanto a este, ou aquele mundo. Todos os seres nascem confusos e iludidos pelo prazer e pela dor. São forçados a envelhecer, adoecer e morrer. Seus planos são frustrados pela natureza material, seus apegos arrancados e seus medos muitas vezes realizados. Pois o mundo constitui o inferno, e os homens formam em parte os atormentados, e noutra, os demônios. Tudo o que sabemos sobre o mundo e o universo é apenas ilusão, fantasia. Todo e qualquer conhecimento é uma construção mental que justifica a si mesma e, deste modo, até a Ciência positivista seria apenas um sistema de crenças que só é mais persuasivo por ser o sistema dominante e vencedor. Ah, Ah! Ciência é apenas uma interpretação válida da realidade, e não a interpretação única! Para nós Vedas, isto é e não pode ser.”

“Mas velho maluco! Saber disso nos ajuda a viver? Algumas pessoas, a partir de tais reflexões, podem afundar no mais crônico niilismo, tornando-se indiferentes à vida, uma vez que ela não passaria de ilusão.”

“Ah! No entanto, saber disso pode talvez se constituir na única maneira de realmente provar o delicioso e raríssimo suco divinal do qual é feito a liberdade”. E continuou: “CONTUDO, saber que o mundo, a vida é sofrer, não é um motivo de lamentação para um sábio, mas o é apenas para os tolos, que se identificam com a matéria e suas transformações. Este mundo é o samsara, o ciclo de nascimentos e mortes! Uh! Uh!”

“Velho burro! Se tudo é ilusão, não é uma ilusão saber que tudo é uma ilusão?”

“Ah! Ah! Sim! Sim! E é aí que chegamos finalmente a algum lugar, se a felicidade ou a liberdade não está na matéria, pois ela é falseável, e também não está aqui onde estamos porque isto também só pode ser ilusão, elas só…”

“Podem estar no “não ser”, no nada, no vazio”. Continuei. “Porque se eu me anular, uma vez que sou falso, estarei finalmente livre da espiral da ilusão como verdade. Estarei livre do sofrimento do mundo! Da vontade! Do niilismo, da tristeza, da morte, do nascimento, do existir e de todo o fardo que este simples fato pressupõe!”

“Ah! Ah!” disse o velho!

“Se a matéria não é importante e escraviza”. Disse eu. “Se a busca pela realidade e pela verdade é um esforço sobre-humano e somos e seremos apenas humanos, tentar alcançá-la nos condenaria ao sofrimento eterno. Ora, eu tenho que descobrir ora se quero ser real ou se preciso ser real! Acho, contudo, que essa necessidade de ser real vem antes da ignorância que da plenitude, ignorância por só conhecer uma possível realidade! Ah quão cego eu fui! No fim, você que era cego era quem enxergava! Estou decidido! Vou partir! Anular-me! Lá me tornarei o verdadeiro não ser, e mesmo assim SERei livre e me TORNAREI. O que prova que as coisas não são duais, antes, são únicas, e únicas formam o todo completo que move o sublime universo.” Disse: “Adeus, velho tolo! Tolo pois o sábio é o quem sabe ser o mais tolo. E não precisa responder quem você era. O verbo ser é a corrente que nos prende e a que rompida, pode nos libertar. Adeus e até ontem ou nunca mais.”

“Alô, Doutor? Doutor, o Sr. está aí?? Não, nada, na verdade, bem, é que… Eu acho que estou curado! Eu não escuto mais a voz dele na minha cabeça, nem sonho mais com ele no deserto ou na cabana, me dando ordens ou me respondendo. Doutor, já faz algum tempo que não o vejo nem o escuto. Nunca mais tentei matá-lo como o senhor tinha me recomendado. Como se ele tivesse se anulado! Não sinto mais nada, estou livre doutor! Curado! Deus o abençoe, doutor! Sou eu mesmo novamente!”

“Ah, Ah!” Disse o doutor. “Meu jovem, que assim seja, para todos nós”

À Arthur Schopenhauer... Resolvi me concentrar, e fechar os olhos, talvez se pudesse esquecer o que estava acontecendo, pudesse sentir a neve como tal. E no momento que cerrei as órbitas, vi meu assassino correndo em minha direção, seu olhar estava furioso, gritava, emanava um som horrível, um misto de raiva e desespero, estava quase me alcançando quando abri os olhos e vi novamente a neve. Foi então que percebi minha cruel situação: Meu assassino… Estava dentro da minha própria mente.

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Um comentário em “Veritas

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  1. Texto muito bom. Parabéns!

    Lembrei-me de um trecho do Hagakure – O Livro do Samurai:
    “Enxergar o mundo como se fosse um sonho é um bom ponto de vista. Quando tem um pesadelo, você acorda e diz a si mesmo que era apenas um sonho. Dizem que o mundo em que vivemos não é muito diferente disso.” (Hagakure)

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