Cinema independente pra quê?

Primeiramente: o que é cinema independente? Você com certeza já ouviu falar… Talvez por outros termos, como underground, alternativo, ou até marginal. O que importa aqui é falar sobre o valor (subestimado) que esse tipo de cinema tem no mundo de hoje. Os filmes independentes – que, não por acaso são o grande tema do Cinema Político do PET/Pol desse semestre – encontram mais dificuldades em se verem realizados, justamente pelo fato de, em geral, contar com menos recursos que os filmes produzidos por grandes estúdios, como os clássicos de Hollywood. Com recursos reduzidos, logo se deduz que haja uma limitação em termos de produção, assim como de efetivação das ideias, no sentido de não se poder filmar tudo aquilo que se tem em mente. Nem sempre isso acontece. Muitos filmes comprovam o contrário, já que se faz dessa forma um apelo maior à imaginação e criatividade. Às vezes, a simplicidade, dado os poucos recursos, é o mais genial do filme, como os exemplos de cinema nacional “Cinco Vezes Favela ” (1962), ou o recente “Edifício Master ” (2002).

Mas cinema independente não quer dizer apenas cinema feito à margem de grandes produtoras, distribuidoras, ou mesmo diretores/as. Creio que o essencial de um filme independente é sua ideia, essa sim independente. Independente em relação aos temas clichês filmados com tendência a nunca acabar, porque vendem. Independente em relação aos efeitos visuais e sonoros cada vez mais deslumbrantes e que são feitos para competir todos os anos pelos grandes prêmios que não se cansam de ciclicamente dar o primeiro lugar àqueles que, em geral, mais vendem. Independente em relação aos esquemas de real concorrência desleal dos filmes hollywoodianos, esquemas estes que imperam no Brasil e seguramente em muitos outros países do mundo.

A ideia do cinema feito de forma independente, já que na maioria das vezes não pode contar com todos os recursos necessários, dá muito mais importância à criação, no sentido de que, ao se ter situações mais adversas para concretização de um filme, confere-se mais valor ao seu processo construtivo; o/a cineasta, realizador/a, diretor/a, documentarista, etc., que tem obstinadamente a pretensão de fazer um filme, mas que não conta com tudo o que gostaria para fazê-lo em termos materiais, arranja alternativas mil para efetiva-lo, de forma que finalmente a mensagem seja passada.

Outra definição para os filmes independentes atribui a eles a ideia de que têm conteúdos, como já mencionado, marginais em relação aos temas usuais dos filmes de grandes estúdios e produções – o que engloba todos os gêneros cinematográficos, pois afinal todos eles têm seus clichês particulares. Dessa forma, é muito comum assimilar filmes independentes a temáticas políticas, críticas e engajadas de uma forma geral. E é aí que se pode encarar a relevância e valor do cinema independente. A ideia que, mesmo com todas as dificuldades, quer ser expressa. A imagem que, apesar do pouco espaço disponível para ser notada, quer ser vista. A palavra que quer ser dita: a mensagem deve ser passada. O conteúdo e a forma dos filmes independentes, em geral, convergem para o fato da necessidade em se mostrar aquilo que não possui muito espaço institucional na nossa sociedade.

Apesar das críticas um pouco radicais, há ainda bastante esperança em termos de divulgação dos filmes independentes. Veja-se, por exemplo, os cada vez mais frequentes e numerosos festivais de cinema regionais, internacionais, temáticos, enfim. Não se pode negar a importância que esses filmes têm nesses meios. Os filmes independentes, em sua forma em si, questionam os valores difundidos pelo cinema comercial – se é que esse é um bom antônimo para cinema independente –, e muitas vezes tentam mostrar o outro lado do fato, dar voz a quem nunca sonhou falar, contar uma história tida como desimportante para a vida dos seres humanos do século XXI, relembrar um evento e trazer à tona memórias que se apagariam se não fossem contadas. Em tudo isso está o valor inestimável do cinema independente. Em propor diferentes visualizações de mundo, diferentes olhares sobre os fatos, em conceber a possibilidade de diferentes realidades sociais.

Valorização da cultura de forma autônoma: nisso está parte do que se busca nas produções independentes. Mas não se pode conferir tamanha responsabilidade apenas a seus realizadores e difusores diretos. Nós, o público, de fato, somos o maior responsável por promover o cinema, nesse caso, o cinema independente, e podemos nos valer dos inúmeros canais de comunicação da atualidade, bem como passar a dar importância a festivais, mostras e cineclubes também independentes a fim de incentivar e contribuir para uma maior produção e difusão cultural, o que é fundamental.

Para maiores conhecimentos, abaixo uma lista de links interessantes:

http://docverdade.blogspot.com – blog com documentários imperdíveis

http://www.festbrasilia.com.br – sítio do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

http://www.itsalltrue.com.br – sítio do Festival Internacional de Documentários

http://www.curtaocurta.com.br – sítio difusor de curtas brasileiros

http://www.portacurtas.com.br – sítio com vários curtas de variados temas

Isadora Cardoso, autora do texto, gosta muito de cinema, mas não sabe muito bem por que, e talvez não queira saber o motivo.

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Um comentário em “Cinema independente pra quê?

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  1. O cinema independente pode e assume muitas formas e conceitos. Mas talvez o que tenha ficada mais comum dizer é sua postura marginal perante a grande industria, as distribuidoras, como bem você disse. Me pergunto serão, os filmes caseiros e amadores parte deste processo de indepedância do fazer fílmico? As imagens amadoras estão se alastrando e os dispositivos formais de comunicação cada vez mais se apropriam destas imagens.
    parabéns a vocês do PET/POL.

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