Extensão: lugar de política.

No fundo, a Extensão quer responder ao desafio da qualidade política na formação universitária” (DEMO, 2001)

Pensar o papel da extensão na universidade, enquanto constituinte do chamado “tripé” de ensino, pesquisa e extensão, é na verdade pensar o papel da própria universidade. Muitas discussões a respeito do tema se desenvolvem entre estudantes, funcionários e professores, mas o alcance das mesmas infelizmente ainda é muito limitado. Buscarei, nestas breves linhas, comentar alguns pontos a respeito da extensão universitária, visto que este é um debate que, apesar de ser estabelecer em alguns espaços, ainda precisa de maior visibilidade, e acredito que esta minha humilde expressão de opinião possa contribuir para estimular a reflexão sobre a questão.

O “Lugar da Extensão”, segundo Demo (2001), deve ser repensado e redimensionado, de modo a estabelecer a atividade extensionista como central na vivência universitária, de modo que sua prática não se limite a uma “impressão de excrescência ou resíduo”, que “nunca apareceu na trilogia em pé de igualdade” 1.

Mostra-se essencial na prática da extensão a busca por uma maior valorização de projetos e ações que encarem a extensão enquanto prática que não pode ser dissociada de uma tomada de posição realmente política. Ao buscar a superação da relação desigual entre a universidade e o que chamarei com certo receio de “comunidade externa”, a extensão se apresenta como o lugar onde a ação da instituição universitária se implementa e se justifica.

Para a realização do que é buscado pela Extensão, no entanto, não se pode limitar a uma situação de mero prolongamento da universidade e de seus conhecimentos (como o termo “extensão” nos leva a pensar), ou a uma simples relação de comunicação, que é obviamente necessária, mas de maneira nenhuma suficiente.

Defendo que o que deve ser buscado para a plena realização da extensão, é a AÇÃO. Mais que mero jogo de palavras, acredito que através de ações que busquem aproximar e superar a situação desigual e hierarquizada que se verifica na sociedade entre aqueles que possuem certo conhecimento científico (em tese superior) e aqueles “incapazes” de produzi-lo, é que se torna possível uma transformação da situação atual.

Defendo também que a universidade deve sair da inércia de isolamento e abrir-se para inserção da “comunidade externa”, assim como reconhecer-se inserida nessa comunidade, que é a sociedade. Só assim é possível intentar partir para a AÇÃO, que guarda essencialmente uma intecionalidade POLÍTICA de transformação.

É essa ação política que deve estar inserida de modo central na reflexão e prática da Extensão.

É esse o nosso desafio.

É essa nossa luta.

Um texto de Dimitri Oliveira, que não busca trazer respostas, e sim mais perguntas.

1) DEMO, Pedro. “Lugar da extensão”. Em Construção conceitual da extensão universitária na América Latina. Dóris Santos de Faria (org.). Brasília: Universidade de Brasília, 2001.

 

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Um comentário em “Extensão: lugar de política.

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  1. Boa Ventura de Souza Santos tem um livro que trata do assunto sobre extensão da Universidade, não me lembro o nome. Acredito que seja um de seus ultimos lançamentos

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