Fórum PET: Espaço, Grupo e Coletividade

“O Fórum PET é um evento anual que se propõe a reunir todas as pessoas comprometidas com a trajetória e a atuação dentro e fora da Universidade a partir dos princípios do Programa de Educação Tutorial (PET). Muita intensidade e dedicação ao programa e seus fundamentos fazem, muitas vezes, do Fórum PET uma das raras oportunidades que temos para nos reunir e conhecer o que outros grupos como os nossos vêm fazendo. Este ano o Fórum PET: Construindo espaços da Universidade pretende nos reunir no sentido de fortalecer nossos laços por meio da reflexão conjunta sobre a forma como atuamos e interagimos com as nossas questões e com a Universidade e, de modo geral, com a Sociedade. Nossa participação é essencial! Dias 09 e 10 de dezembro: Conhecer o PET é construir com ele e dialogar.”

 

 

Este foi o texto de divulgação encaminhado às listas de e-mail da Universidade que seguia junto com o cartaz com a programação do evento que tentamos distribuir entre os grupos PET. É bem possível que alguém que tenha entrado no blog e suportado ler até agora esse post tenha apagado pelo menos um desses e-mails de divulgação nosso da sua caixa de entrada.

Nada disso vem ao caso, na verdade.

Ou, talvez, importe ainda a força que o Fórum PET desejava ter como um chamado. O tema do evento era “Construindo Espaços da Universidade”. Não quero, por favor, entrar no mérito da qualidade ou da criatividade do nome. Creio que outras palavras poderiam ter melhor incorporado aquilo que esperávamos ao propor o evento ou aquilo em que acreditávamos para realizá-lo. Importa, ainda, talvez, o que queríamos ter dito.

Talvez isso não importe também. Muito se discute aqui na Universidade sobre os espaços destinados à “transmissão” ou àquilo-que-UM-tem-a-dizer. Esse, por certo, não era nosso objetivo. O fórum se destinava a ser um espaço de discussão, de troca; o Fórum PET se inseria no campo das diversas iniciativas da Universidade colocadas sobre um fundamento de construção conjunta, e voltava, nesse sentido, à sua orientação de ser um convite à participação das pessoas com uma coletividade, talvez só mais uma.

Entretanto, é até razoável supor uma coletividade como mais uma apenas, mas talvez seja melhor considerar ainda o que se enxerga como uma coletividade levando em conta uma diferença importante: entre a intensidade com a qual são sentidas as experiências de quem observa e a de quem vivencia as práticas constituídas no que, talvez de maneira mais substantiva do que quando se fala em coletividade, convêm chamar de grupo.

Falo de grupo na crença da dimensão afirmativa de quem se vê como parte daquela coletividade que quem estiver de fora poderá supor como apenas mais uma.

Acho que o Fórum PET me desafiou a pensar o conceito de coletividade para um nível abstrato ou para aquilo que estamos vendo de longe e não podemos definir por não sentirmos ou conhecermos o que fazem aquelas pessoas.

Mas, mais que isso, a experiência do Fórum me trouxe também o sentido de pensar a palavra grupo como algo que só utilizaríamos para chamar aquilo com que estamos envolvidos, partilhamos, ou construímos por dentro, como algo que, de dentro ou mais perto dele, não teríamos coragem de chamar de “só mais uma coletividade”, com as suas definições abstratas que não desejam se aproximar da sua dimensão prática ou dos valores que existem dentro dela.

O Fórum PET queria ser um espaço para a construção de um grupo, situado na Universidade, com seus valores partilhados e aquele sentimento reivindicativo de não ser reconhecido (ou ignorado) como mais um. Desejava ser o espaço de formação de um grupo que se integraria à Universidade e dialogaria com ela a partir de um lugar de fala, um ponto de onde se enxerga a si próprio e à sua volta.

Fico, então, me perguntando sobre em que nível se efetivaram os propósitos do nosso Fórum PET. Em que nível o Fórum sedimentou um grupo. Em que nível as pessoas que construíram comigo e com mais outras que estavam lá também acreditaram no que estava se formando e sentiram partilhar os valores e as idéias que nos impulsionariam a nos entendermos para além do termo estéril e aglutinador de coletividade.

Para (não) concluir o conjunto de inquietações que me surgiram sobre o nosso Fórum PET, penso que o Fórum PET, enquanto fórum, nos trouxe a possibilidade que um espaço como tal deveria proporcionar: conversas, trocas e alguma dose de aprendizagem em diálogo com as diferenças (não muitas, acho eu, se banalizarmos algumas de nossas reivindicações por distinção uns dos outros). Entretanto, creio que as respostas relativas ao nível de partilha e de mudança entre os participantes que esse fórum poderá ter provocado só poderão ser dadas daqui a um tempo, e isso dependerá certamente do quanto partilhamos e acreditamos na construção daquele momento e, talvez ainda mais importante, nas promessas dos momentos subseqüentes que deveremos construir agora, e como grupo.

 

João Vinicius Marques
[e sua licença (quase abusiva) na apropriação dos significados dos conceitos]

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